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Amizade mantém comércio de bairro

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 6 min

“É como se a gente tivesse estacionado no tempo. Enquanto o mundo depende de computador para funcionar, nós anotamos tudo no papel e confiamos na honestidade da clientela”, ressalta o nordestino Umberto Pérsio de Oliveira, mais conhecido como “Baiano”. Aos 66 anos de idade e duas décadas dedicadas com a família ao restaurante “Barracão”, ele é um dos exemplos de como parte do comércio em Bauru ainda sobrevive na base da amizade e confiança. 

 

Para marcar o Dia Mundial do Consumidor, comemorado hoje, o JC visitou alguns estabelecimentos para saber como acontece essa relação entre o comerciante e o cliente nos bairros fora do eixo Centro/zona sul.

 

Com o restaurante funcionando a todo vapor por volta das 11h, “Baiano” se desdobrava para atender os ‘amigos’ que almoçavam, os telefonemas das encomendas de marmitex que chegavam e a conversa com o JC. No Barracão, tudo funciona de modo familiar e até improvisado. 

 

Sem um cardápio fixo, a esposa de Baiano, Aparecida Garcia de Oliveira, “Cidinha”, decide o que será servido aos clientes logo no começo do dia. “A comida é simples, não temos muito mistério. Legumes, carnes, arroz, feijão, massas, verduras e o ovo... que é um dos principais pedidos do pessoal e comida preferida pelo brasileiro”, comenta Cidinha.

 

No local, a esposa e os dois filhos, os próprios clientes se servem. “As pessoas escolhem o que querem comer e beber, pegam e no final dizem o que consumiram. Os que não pagam na hora são anotados na caderneta. Pegamos nome, telefone e endereço”, explica “Baiano”. 

 

Sem computador, as duas caixas registradoras antigas sevem mais como objetos de decoração do que como ferramentas de trabalho. “Aqui é na base da caneta e do papel”, completa “Baiano”, apontando para os lembretes na parede do balcão.

 

 

 

Na consciência

 

Durante a manhã de ontem, o pintor e vizinho do restaurante, Fabiano Neres, 42 anos, passou para pegar um marmitex. Amigo e cliente há mais de 10 anos do restaurante, o pintor comemora as vantagens trazidas pela relação de confiança. 

 

“Se um mês tem trinta dias, 15 deles eu pego marmita aqui. Quando não tenho um tostão na carteira, anotamos tudo e no outro dia eu volto para pagar, dai aproveito e levo mais uma”, brinca Fabiano.

 

Apesar de toda a amizade e confiança que deposita nos clientes, Baiano confessa ter tido problemas com débitos de amigos ao longo dos anos. “Já aconteceu de termos que pressionar a pessoa, mas no final tudo dá certo. Em time que está ganhando não se mexe. Então fica na consciência do freguês ser honesto ou não”, enfatiza o comerciante.

 

 

 

Dia do Consumidor

 

A data foi criada em 15 de março de 1962 pelo então presidente dos Estados Unidos, John Kennedy. Ganhou reconhecimento internacional em 1985, quando a ONU adotou os Direitos do Consumidor como uma das Diretrizes das Nações Unidas.

 

Por aqui, os direitos deles são garantidos pela Lei no 8.078, que criou o Código de Defesa do Consumidor. Assim sendo, um estabelecimento não pode informar o preço de um produto na prateleira e, por exemplo, cobrar outro do consumidor na leitura do código de barras no caixa.

 

 

 

Supermercados distribuem sacolas

 

No Dia do Consumidor, os clientes que realizarem compras acima de cinco itens nos supermercados levarão gratuitamente para casa uma sacola reutilizável. A campanha vale apenas para os estabelecimentos associados à Associação Paulista dos Supermercados (Apas). A ação, aliás, é parte de acordo entre Ministério Público, Procon-SP e a própria Apas. 

 

A Apas prevê que, hoje, 6 milhões sacolas reutilizáveis sejam distribuídas nas 2.600 lojas das 1.200 empresas associadas à associação no Estado.

 

Ontem, véspera do Dia do Consumidor, o Procon de Bauru informou que, em dois dias de fiscalização (terça e quarta-feira), cinco estabelecimentos do ramo supermercadista foram autuados por não cumprirem o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o Procon, o Ministério Público e a Associação Paulista de Supermercados (Apas). 

 

Segundo a coordenadora do Procon, Fernanda de Assis Martins Pegoraro, entre as principais irregularidades estava justamente a ausência de sacolas reutilizáveis por, no máximo, R$ 0,59 na área de vendas. 

 

Ela lembra que os supermercados também devem ter cartazes informando “ostensivamente” os consumidores sobre o não-fornecimento gratuito de sacolas plásticas descartáveis e da necessidade de que, a partir de 3 de abril, deverão levar sua sacola para o acondicionamento dos produtos adquiridos.

 

 

 

Caderneta resiste

 

Outro estabelecimento que funciona na base da confiança na clientela é o bar da quadra 2 da rua Antônio Ponce Paz, no Jardim de Allah, região da Vila Souto. Há 14 anos o oferece bilhar, porções e bebidas aos clientes e também utiliza a caderneta como método de pagamento. 

 

“Aconteceu situação em que a pessoa ficou devendo por alguns anos e não tivemos como executar. Sempre que eu ligava, dizia que um parente diferente tinha morrido para justificar a falta de pagamento”, lembra o ex-proprietário do local, Antônio Alves da Silva, 51 anos.

 

Atualmente, o bar é tocado pelo comerciante Celso Luiz Monchelato, 45 anos, vizinho e amigo de Antônio, que sempre ajudava em algumas tarefas. Apesar de não gostar muito da caderneta, Celso afirma que continuará atendendo os clientes com o método antigo. 

 

“Não tem como fugir. Dei uma selecionada no pessoal, tirei da lista aqueles que tinham histórico de débitos e continuamos anotando o consumo”, reforça o comerciante, que afirma conhecer quase todas as pessoas que frequentam o local - já chamado de Bar do Toninho, Bar 7 Copas e, agora, Bar do Celso.

 

 

 

Uma espécie de linha do tempo

 

Localizado na quadra 4 da rua das Pitangueiras, no Núcleo Habitacional Presidente Geisel, o restaurante Barracão é todo decorado com móveis e objetos antigos que, segundo Baiano, retratariam uma espécie de linha do tempo. 

 

“Adoro objetos antigos, por que eles trazem boas lembranças e nos fazem pensar em como tudo foi evoluindo. Tudo aqui já foi novo e teve seu brilho”, conta “Baiano”, que confessa que a decoração do bar também acaba atraindo curiosos de outras regiões. Fotos de Fidel Castro, bandeiras, cadeiras penduradas, chaleiras, pôsteres, LPs, vitrolas, talheres, panelas e diversos outros objetos fazem parte da decoração. “Baiano” explica que antes de ser um restaurante, o local abrigava sua oficina de funilaria e pintura de automóveis. Após aposentar-se, decidiu que abriria um outro negócio no local, e assim surgiu o restaurante.

 

 

 

Golpe contra idosos preocupa

 

O Procon Bauru alerta os consumidores para um golpe que está sendo aplicado em Bauru e região, especialmente contra os idosos. Eles têm recebido, via correio, notificações nas quais são informados que teriam ganho uma causa, na 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo. A notificação, supostamente enviada pela “Multi Assessoria Jurídica”, dispõe que o idoso teria ganho o valor de R$ 62.938,00, mas que, para o recebimento deste montante precisaria efetuar um depósito, no valor de R$ 6.933,90. Geralmente é fornecido o telefone (11) 3424-4656 para falar com Débora ou Maria Rita. 

 

 

 

  • Serviço

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    O Procon Bauru fica na avenida Nações Unidas, 4-44, com entrada pela Rua Inconfidência. Fone: (14) 3366-6050.

     

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