Internacional

Karzai critica os EUA por massacre

Reuters
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Cabul - O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, criticou ontem a suposta falta de cooperação dos EUA com a investigação sobre o massacre de 16 civis em aldeias afegãs nesta semana, e questionou a tese de que um sargento norte-americano teria agido solitariamente.

 

Antes da chacina, as relações entre EUA e Afeganistão já estavam abaladas por incidentes como a queima de exemplares do Alcorão em um quartel da Otan, no mês passado. “Isso já está indo longe demais. Vocês já me ouviram antes. Isso é totalmente o fim da picada”, disse Karzai a jornalistas no palácio presidencial.

 

Com aspecto cansado e eventualmente irritado, Karzai ouviu anciões das aldeias e parentes das vítimas do massacre no início de dois dias de audiências para discutir as mortes.

 

Alguns na reunião gritaram exigindo respostas, e todos disseram desejar a punição de todos os soldados eventualmente envolvidos.

 

“Não quero nenhuma indenização. Não quero dinheiro. Não quero uma viagem a Meca, não quero uma casa. Não quero nada. Mas o que eu absolutamente desejo é a punição dos norte-americanos”, disse o irmão de uma das vítimas do massacre noturno. Muitos afegãos, inclusive parlamentares, exigem que o sargento acusado pelo massacre seja julgado no Afeganistão de acordo com as leis locais. No entanto, os EUA já levaram o militar para o Kuweit, de onde estava sendo transferido para uma prisão de segurança máxima no Kansas. “O chefe do Exército acaba de relatar que a equipe afegã de investigação não recebeu a cooperação que esperava dos Estados Unidos”, disse Karzai. “Portanto, essas são todas perguntas que estamos fazendo, fazendo em alto e bom som.”

 

Karzai pareceu partilhar da crença dos parentes das vítimas e de muitos outros afegãos de que um militar agindo sozinho não conseguiria ter matado tanta gente em locais tão distantes entre si. “(Em uma casa), em quatro quartos pessoas foram mortas, mulheres e crianças foram mortas, e elas foram reunidas em um quarto e então incendiadas. Isso um homem não consegue fazer”, afirmou o presidente.

 

 

 

Soldado estaria sob estresse

 

O militar americano que matou 16 civis afegãos no último domingo seria o sargento Robert Bales. Até agora, só havia informações de que teria 38 anos e trabalhava na base de Lewis-McChord, próxima a Seattle, onde sua família estaria agora sob proteção. Seu advogado defendeu que o militar estaria passando por um forte momento de estresse, com uma crise no casamento e após ver um dos colegas perder a perna em uma explosão. O soldado tem dois filhos, de 3 e 4 anos, e estava insatisfeito por ter de voltar ao combate depois de se ferir por duas vezes no Iraque. O militar teria ingerido álcool na base - o que é proibido por lei, mas raras vezes cumprido.

 

 

 

Helicóptero da Otan cai no Afeganistão e mata 16

 

Cabul - Um helicóptero da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) caiu ontem sobre uma casa nos arredores de Cabul, no Afeganistão, matando 12 militares turcos a bordo e quatro civis afegãos em terra, segundo autoridades. O acidente ocorreu num momento de crescente inquietação entre os países da Otan a respeito de uma guerra cada vez mais cara e impopular, que já dura 11 anos. Os governos ocidentais esperam retirar suas tropas de combate do Afeganistão até o fim de 2

14.  No sobrado atingido, era possível ver um rombo fumegante.  A Otan informou inicialmente que a causa do acidente era desconhecida, mas que não havia sinais de que o aparelho possa ter sido abatido por insurgentes. Um policial corroborou a tese de que se tratou de uma falha técnica.

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