Uma doença silenciosa, incurável e que pode levar à cegueira. Embora traga consequências graves, o glaucoma ainda é pouco conhecido e não recebe a devida atenção por parte da maioria das pessoas. Atualmente, estima-se que cerca de 3,4 mil bauruenses tenham a enfermidade, sendo que muitos deles nem imaginam que estão doentes.
O problema é que, diferentemente da catarata, o glaucoma prejudica a visão de maneira irreversível e somente com o diagnóstico precoce é possível deter o avanço da doença. A Semana Mundial do Glaucoma, que se encerra hoje, é celebrada exatamente para alertar a população sobre a importância da realização de exames periódicos para tratar, o quanto antes, o problema.
De acordo com o médico oftalmologista Fabiano Neves, especialista em glaucoma, a principal barreira a ser vencida pelos pacientes é o hábito de procurar um médico somente diante da presença de sintomas. “Na maioria dos casos de glaucoma, a pessoa não vai sentir nada durante aproximadamente metade do processo da doença. Só vai haver sintoma na fase mais avançada, quando começa a perda de visão periférica”, pontua.
A enfermidade é provocada pelo escoamento inadequado do líquido que circula no interior do olho, chamado de humor aquoso. O acúmulo desse líquido acarreta o aumento da pressão dentro do olho, o que comprime o nervo óptico e faz com que suas células morram lentamente.
“Mas, quando aparece o primeiro sintoma, a doença assume uma velocidade muito rápida. Com isso, a perda de campo visual também passa a acontecer de uma forma muito acelerada”, acrescenta.
O paciente pode apresentar sintomas em estágios iniciais em apenas 1
% dos casos, quando são acometidos por um tipo específico de glaucoma, chamado de ângulo fechado.
“Eles costumam procurar o consultório se queixando de dor. Mas, em 9
% das vezes, o glaucoma é de ângulo aberto (ou crônico simples), em que a pressão intraocular é progressiva e assintomática.”
Portanto, a única saída é investir em exames periódicos. Pessoas que têm portadores de glaucoma na família, afrodescendentes, indivíduos com mais de 4
anos, pacientes com alto grau de miopia ou que já fizeram qualquer tipo de cirurgia ocular são mais propensos à doença e devem realizar exames a cada seis meses.
De colírio à cirurgia
Quem não possui nenhum dos fatores de risco deve procurar o médico uma vez ao ano. O exame de rotina é simples e indolor. Após o diagnóstico, o tratamento, geralmente, é feito com a utilização de colírios que conseguem baixar a pressão ocular. “O medicamento deve ser prescrito pelo médico e utilizado de maneira contínua, pelo resto da vida. É o suficiente para frear completamente o avanço da doença”, pontua Neves.
O oftalmologista, entretanto, alerta que as pessoas não devem fazer uso indiscriminado de colírios, já que este tipo de produto pode conter cortisona, substância que agrava o glaucoma. “Mais do que isso, qualquer corticoide pode dar início à doença. Ele pode estar presente na formulação de comprimidos, cremes, loções e xampus,”, alerta.
Quando o paciente não responde ao tratamento convencional, é preciso realizar cirurgia. O procedimento, bem mais agressivo, cria artificialmente um canal para drenar o líquido (humor aquoso) acumulado no olho. “Com isso, a pressão no olho é normalizada”, comenta.
Sem tratamento, o glaucoma se torna a principal causa de cegueira irreversível. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1% da população global possui a doença. A estimativa faz com que, em Bauru, haja 3,4 mil doentes dentro do total de 344 mil habitantes.
Ainda de acordo com a OMS, cerca de 65 milhões de pessoas já foram diagnosticadas com glaucoma em todo o mundo. Dessas, 1 milhão são brasileiros.