"Quem foi que disse que tem de ser magra para ser formosa?". A frase, um verso da canção "Coisa Bonita (Gordinha)", do cantor Roberto Carlos, resume bem o pensamento de mulheres como Renata Poskus Vaz, 30 anos, empresária e diretora do Fashion Weekend Plus Size.
Com 86 kg distribuídos em 1,72 m, ela é bem resolvida com o seu peso e as suas formas curvilíneas. Deixou para trás as neuras da adolescência - quando engordou, desistiu de ser bailarina e passou a se esconder em casa, com vergonha do próprio corpo - para virar defensora ferrenha de que, para ser feliz, é preciso se gostar.
Foi pensando assim que Renata criou, em 2009, um evento chamado Dia de Modelo, que reúne mulheres que vestem tamanho grande para uma sessão de fotos em estúdio, com uma equipe de profissionais de moda e beleza dirigida por ela. "Eu fiz isso para mim. Vi que não tinha foto sozinha, que estava sempre escondida atrás de alguém. Com o tempo, isso foi mudando. Passei a gostar de mim, e a minha autoestima melhorou", relembra.
No caso de Renata, o clique para se aceitar veio após uma pesquisa sobre o crescente mercado "plus size". "Um dia, pensei: Eu vivo tomando remédio, faço um monte de dietas, só fico trancada e não adianta nada. Aí, em vez de lutar contra o meu peso, fui ver se dava para ser feliz como sou. Vi que existia a carreira de modelo "plus size?, comecei a fazer trabalhos, conheci lojas legais, conversei com outras meninas bem resolvidas." Bem-sucedida, ela comemora o bom momento e diz acreditar que o preconceito está diminuindo porque "as gordinhas pararam de se esconder".
Mais cheinha desde criança, Dani Bonani, 30 anos, já fez incontáveis dietas e chegou a emagrecer 20 kg há alguns anos. Apesar disso, a "stylist", que diz não se pesar, revela que jamais duvidou de sua beleza. "Quando eu era mais nova, era mais difícil de lidar com esse assunto, porque adolescente é inseguro", fala. "É claro que já quis ser magra, mas, sendo adulta, você descobre que a beleza está ligada não só à aparência, que é importante, sim, mas também à inteligência, ao bom humor, ao caráter", lista.
estima em alta
Para a psicóloga Miriam Barros, especialista em terapia familiar, psicodrama e "coaching", a visibilidade que o mercado "plus size" ganhou nos últimos anos ajuda a melhorar a autoestima de quem está acima do peso e até a diminuir o preconceito. Vale lembrar que a discussão sobre o assunto já está até na novela das sete da Globo, "Aquele Beijo", que tem entre os personagens uma modelo GG, Marieta, vivida pela atriz Renata Celidônio, 34 anos. "O preconceito está sendo quebrado aos poucos.", opina Miriam.
Com 1,73 m de altura e 96 kg, Carolina Raposo Incutto, 28 anos, parece concordar com a psicóloga. A sargento da Aeronáutica e modelo "plus size" afirma estar cada vez mais fácil desassociar beleza de magreza. "Com toda a repercussão de desfiles, o espaço da modelo Fluvia Lacerda, nossa top internacional GG, e até com a novela abordando o assunto, está mais evidente que a beleza vai além da balança. Que tanto a menina magra quanto a gorda têm o seu espaço."
Conquistar ou não seu lugar depende muito mais de si mesmo do que se imagina, seja para assumir o seu peso e ser feliz ou para decidir que quer emagrecer. A psicóloga Cynthia Boscovich explica que se sentir bem está diretamente ligado ao fato de se aceitar do jeito que é ou de como está. "O primeiro passo é valorizar o que a pessoa tem de melhor. Pode ser que seja um bom papo, a profissão ou algumas características físicas. Se a pessoa se aceita como é, estará preparada para as críticas e se sentirá mais segura."