Entrar em um museu é navegar em um site de forma presencial. Nada contra museus virtuais, mas os reais também são maravilhosos. A partir de uma foto pelo celular de qualquer objeto ou figura, pode se aplicar a tecnologia da “Realidade Aumentada”.
Na Realidade Aumentada, ou RA, fotografa-se a planta baixa de uma casa e com um aplicativo no celular coloca-a em 3D imediata e automaticamente. Você pode viajar imaginária e virtualmente pela história, geografia, formas e movimentos registrados pela câmera no museu. Maravilhoso!
A Realidade Aumentada integra informações virtuais com as do mundo real obtidas por uma câmera. Além disso, é interativa com processamento em tempo real concebida em três dimensões. A maior parte das aplicações em Realidade Aumentada está ligada a vídeos transmitidos ao vivo e ampliados pela adição de gráficos criados pelo computador. A Realidade Aumentada está otimizando rastreamento de dados em movimento, mecanismos de visão e a construção de ambientes controlados.
A definição de Ronald T. Azuma, PhD em Ciências da Computação, sobre a Realidade Aumentada é a descrição melhor aceita: representa um ambiente que envolve tanto realidade virtual como elementos do mundo real, criando um ambiente misto em tempo real. Já existem sistemas de Realidade Aumentada disponíveis gratuitamente e com aplicações educacionais na bioengenharia, física, geologia e jogos.
Se um museu não tem como interagir com as novas tecnologias o melhor é recolher-se da função de guardião da história, uma responsabilidade social do estado como a prefeitura. Sem as novas tecnologias de 3D e da Realidade Aumentada e o dinamismo da interatividade, as pessoas se afastam dos museus.
Guardar a história e visitá-la significa aprender com erros e acertos do passado e nos capacita a prever com precisão o futuro. Um exemplo: quase ninguém sabe o significado do brasão e bandeira da cidade, estado ou universidade onde estuda. É como ter um nome e sobrenome sem conhecimento de seu significado e história de sua escolha. Quem não sabe a história do nome e sobrenome está dizendo: eu não me reconheço, pois nem conheço como feita minha identificação. Seria uma “realidade diminuída”!
Quando um discurso se limita a uma realidade pontual, sem referências ao passado, ou a falar de coisas materiais obtidas ou requisitadas, se diz que é um “discurso pobre”. Dos discursos de quase todos os dirigentes e políticos, seria melhor não ouvi-los. Como são as decisões tomadas por estes dirigentes: pobres em sabedoria, sem perspectiva de futuro e nem compromisso com as próximas gerações. Sem a história no discurso e na tomada de decisão não haverá compromisso nenhum com o que aconteceu ou acontecerá: será uma decisão com vista para o próprio umbigo.
A Secretaria Estadual de Cultura, via Imprensa Oficial, lançou uma obra imperdível sobre a História do Estado de São Paulo organizada pelo historiador Marco Antonio Villa, da UFSCar, em cinco volumes. Dos séculos XVI e XVII, a história foi analisada por José Jobson de Andrade Arruda (USP-Unicamp). O século XVIII foi descrito por Francisco Vida Luna (Usp) e o século XIX por José Leonardo do Nascimento (Unesp). A primeira metade do século XX da história de São Paulo foi descrita por José de Souza Martins (USP) e a segunda, por Tania Regina de Luca (Unesp). A USP em Bauru, via Pró-reitoria de Cultura e Extensão, está planejando um ciclo de conferências com os autores destas obras, uma atividade cultural e científica própria das metrópoles.
Cultura e ciência são inseparáveis. A pesquisa existe para responder questionamentos e apresentar respostas. A ciência será muito boa se as perguntas iniciais forem pertinentes e bem formuladas. Um cientista culto tem perguntas interessantes, mas o pesquisador limitado, sem cultura, tende a fazer perguntas elementares, repetitivas e medíocres: não avança!
Qual o significado cultural em fechar um museu? Depende do museu! Os museus atuantes e contemporâneos, tecnologicamente evoluídos com equipamentos 3D, Realidade Aumentada e exposições interativas ajudam formar cidadãos mais conscientes e preparar os futuros políticos e pesquisadores como grandes pensadores! Se o museu for apenas um depósito passivo de documentos e objetos, o melhor mesmo é transferi-los para quem tenha competência para disponibilizá-los ao público e estudiosos.