Tribuna do Leitor

Comissão da Anistia e a verdade


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Se reunirá em Bauru a Comissão da Anistia, em um momento em que a instituição da comissão da verdade está para ocorrer e repercutiu na mídia a tentativa de processar o coronel Curió por crimes inclusos na anistia.

A verdade é sempre um valor absoluto, nunca relativo ou de uma só mão. Por isso não se pode investigar apenas os casos de tortura, morte e desaparecimento de presos políticos e não os crimes cometidos pelos que adotaram a linha da luta armada como opção. Para cada Curió existe um José Dirceu, Genoíno, Dilma, além dos romanceados Lamarca e Marighela, responsáveis por roubo, seqüestros, assassinatos e tortura.

Na verdade, as grandes vítimas reais desta época foram pessoas comuns, como o soldado morto em Quitaúna, o bauruense Márcio Toledo (vitima de seus próprios "companheiros") e muitas outras. Estes sim deveriam ser indenizados e poder saber quem foram os responsáveis pelas atrocidades contra seus familiares. Pois os militares recebem até hoje suas promoções e aposentadorias integrais e os da lutar armada e suas famílias foram bem indenizadas e os remanescentes ainda hoje ocupam cargos públicos de importância, demonstrando na prática a inutilidade de recorrer às armas para este fim.

A comissão da verdade deveria sim deixar um legado para a história de que nem a "ordem publica" ou a luta contra o materialismo ateu e nem ideais políticos por mais nobres que pareçam no momento podem justificar crimes comuns, tortura e atrocidades cometidas por quem quer que seja.

As posições do governo federal dirigidos por Dilma, que participou da luta armada, são a princípio suspeitas e podem reativar feridas já curadas se não forem igualitárias, já que a anistia defendida pela própria esquerda na época era "ampla, geral e irrestrita" e esta regra não pode ser mudada, seria revanchismo.

Seria importante se a presidente pudesse assumir uma posição republicana, não só no discurso, mas nos seus atos e nos de seu governo.


Márcio M. Carvalho

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