João Rosan |
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Na escola Luiz Zuiani, os alunos envolvidos na briga foram suspensos por três dias |
Os atos de violência nas escolas estaduais de Bauru não têm mais ficado restritos ao ambiente escolar. Na última segunda-feira, a situação extrapolou os muros e três casos viraram ocorrência policial no mesmo dia. No mais grave deles, um coordenador de escola levou um soco ao pedir que um estudante entrasse na sala de aula.
A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo entendeu que basta aplicar as normas estabelecidas no regime escolar, e penalizou cinco alunos de duas escolas de Bauru com suspensão de três dias.
Já o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp) entende que as medidas do Estado são insuficientes. Enquanto isso, pais, professores, funcionários e estudantes vivem com medo.
Socos e chutes foi o que recebeu o coordenador da Escola Estadual (EE) Francisco Alves Brizola, no Jardim Olímpico, ao pedir para que um estudante entrasse em sala de aula, no período da manhã. Não satisfeito em agredir o educador, o aluno de 16 anos danificou uma carteira e chutou uma porta. Ainda na escola, o adolescente foi liberado por policiais militares com a chegada de sua mãe. A agressão foi registrada em boletim de ocorrência (BO) como ato infracional de lesão corporal.
Na EE Luiz Zuiani, no Parque São Jorge, quatro alunos, com idades entre 12 e 14 anos, foram responsabilizados por aterrorizar outros colegas com uma pistola de brinquedo usada para jogar videogame. Uma inspetora de alunos recolheu o brinquedo. De acordo com ela, o aluno mais velho do grupo, de 14 anos, passou a ofendê-la chamando a mulher de “balão de ar”, “gorducha” e “baleia”. O fato ocorreu por volta das 14h.
Policiais militares foram acionados e o desentendimento terminou no Plantão Policial. A arma de brinquedo foi apreendida, os adolescentes liberados na presença de seus pais e a ocorrência registrada como ato infracional de injúria. Um dos alunos levou a pistola de brinquedo para a escola com o intuito de devolvê-la para um dos envolvidos.
Já na EE Guia Lopes, na Vila Dutra, transcorria a aula de educação física por volta das 16h3
desta segunda-feira. Dois alunos de 13 anos se desentenderam por causa de uma bola. Um desferiu socos e unhadas no rosto e pescoço do outro. Novamente a polícia foi chamada a intervir e o caso foi para o Plantão Policial, com o delegado encaminhando a vítima para exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) de Bauru.
Por intermédio de sua assessoria de imprensa, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, encaminhou nota ao JC, ontem, em que lamenta a agressão cometida por um aluno contra o coordenador da Escola Estadual Francisco Alves Brizola. Segundo a secretaria, foi definido que o estudante de 16 anos ficará suspenso por três dias. Também ficarão suspensos por três dias os quatro alunos da Luiz Zuiani.
Fora de controle
Para o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp), o fato é muito preocupante porque virou rotina nas escolas estaduais da região de Bauru. A diretora estadual da Apeoesp, Suzi da Silva, cita que toda semana há queixas de professores sobre agressões físicas e verbais por parte dos estudantes.
Suzi cita ainda casos específicos que reforçam o problema e demonstram que a violência em escolas estaduais não está restrita a Bauru: “Na semana passada, tivemos uma professora que sofreu uma agressão na escola de Piratininga, a Eduardo Velho Filho. Também temos professor do Guia Lopes que fez boletim de ocorrência”.
Para Suzi, o professor-mediador não soluciona o problema da violência dentro das escolas, conforme avalia a Secretaria Estadual da Educação. Na avaliação dela, os mediadores não foram devidamente capacitados para esta função.
Secretaria de Educação aposta na atuação do ‘professor-mediador’
De acordo com a Secretaria Estadual da Educação, tanto no caso da Escola Estadual Francisco Alves Brizola quanto da Luiz Zuiani, a direção da unidade convocou os responsáveis pelos estudantes envolvidos nas agressões para uma reunião. Os casos também serão acompanhados por professores-mediadores que atuam nas duas unidades.
A função de professor-mediador escolar e comunitário foi criada em março de 2
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, como parte do Sistema de Proteção Escolar implantado pela secretaria para proteger as escolas da rede estadual e aproximar a comunidade da escola. Vinculado diretamente às unidades escolares, este professor atua na mediação entre as atividades pedagógicas e as relações interpessoais de toda a comunidade escolar.
Foram atribuídas ao professor-mediador funções como adotar práticas restaurativas e de mediação de potenciais conflitos no ambiente escolar, realizar entrevistas com os pais ou responsáveis pelos alunos, analisar os fatores de vulnerabilidade a que possa estar exposto o estudante, orientar a família ou os responsáveis a procurar serviços de proteção social se necessário, identificar e sugerir atividades pedagógicas complementares a serem realizadas fora do período letivo, e orientar e apoiar os estudantes na prática de seus estudos.
