Bairros

Escolas estaduais têm rotina violenta

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

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João Rosan

Na escola Luiz Zuiani, os alunos envolvidos na briga foram suspensos por três dias

Os atos de violência nas escolas estaduais de Bauru não têm mais ficado restritos ao ambiente escolar. Na última segunda-feira, a situação extrapolou os muros e três casos viraram ocorrência policial no mesmo dia. No mais grave deles, um coordenador de escola levou um soco ao pedir que um estudante entrasse na sala de aula.

 

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo entendeu que basta aplicar as normas estabelecidas no regime escolar, e penalizou cinco alunos de duas escolas de Bauru com suspensão de três dias.

 

Já o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp) entende que as medidas do Estado são insuficientes. Enquanto isso, pais, professores, funcionários e estudantes vivem com medo.

 

Socos e chutes foi o que recebeu o coordenador da Escola Estadual (EE) Francisco Alves Brizola, no Jardim Olímpico, ao pedir para que um estudante entrasse em sala de aula, no período da manhã. Não satisfeito em agredir o educador, o aluno de 16 anos danificou uma carteira e chutou uma porta. Ainda na escola, o adolescente foi liberado por policiais militares com a chegada de sua mãe. A agressão foi registrada em boletim de ocorrência (BO) como ato infracional de lesão corporal. 

 

Na EE Luiz Zuiani, no Parque São Jorge, quatro alunos, com idades entre 12 e 14 anos, foram responsabilizados por aterrorizar outros colegas com uma pistola de brinquedo usada para jogar videogame. Uma inspetora de alunos recolheu o brinquedo. De acordo com ela, o aluno mais velho do grupo, de 14 anos, passou a ofendê-la chamando a mulher de “balão de ar”, “gorducha” e “baleia”. O fato ocorreu por volta das 14h. 

 

Policiais militares foram acionados e o desentendimento terminou no Plantão Policial. A arma de brinquedo foi apreendida, os adolescentes liberados na presença de seus pais e a ocorrência registrada como ato infracional de injúria. Um dos alunos levou a pistola de brinquedo para a escola com o intuito de devolvê-la para um dos envolvidos. 

 

Já na EE Guia Lopes, na Vila Dutra, transcorria a aula de educação física por volta das 16h3

desta segunda-feira. Dois alunos de 13 anos se desentenderam por causa de uma bola. Um desferiu socos e unhadas no rosto e pescoço do outro. Novamente a polícia foi chamada a intervir e o caso foi para o Plantão Policial, com o delegado encaminhando a vítima para exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) de Bauru. 

 

Por intermédio de sua assessoria de imprensa, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, encaminhou nota ao JC, ontem, em que lamenta a agressão cometida por um aluno contra o coordenador da Escola Estadual Francisco Alves Brizola. Segundo a secretaria, foi definido que o estudante de 16 anos ficará suspenso por três dias. Também ficarão suspensos por três dias os quatro alunos da Luiz Zuiani. 

 

 

 

Fora de controle

 

Para o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp), o fato é muito preocupante porque virou rotina nas escolas estaduais da região de Bauru. A diretora estadual da Apeoesp, Suzi da Silva, cita que toda semana há queixas de professores sobre agressões físicas e verbais por parte dos estudantes. 

 

Suzi cita ainda casos específicos que reforçam o problema e demonstram que a violência em escolas estaduais não está restrita a Bauru: “Na semana passada, tivemos uma professora que sofreu uma agressão na escola de Piratininga, a Eduardo Velho Filho. Também temos professor do Guia Lopes que fez boletim de ocorrência”.

 

Para Suzi, o professor-mediador não soluciona o problema da violência dentro das escolas, conforme avalia a Secretaria Estadual da Educação. Na avaliação dela, os mediadores não foram devidamente capacitados para esta função.

 

 

 

Secretaria de Educação aposta na atuação do ‘professor-mediador’

 

De acordo com a Secretaria Estadual da Educação, tanto no caso da Escola Estadual Francisco Alves Brizola quanto da Luiz Zuiani, a direção da unidade convocou os responsáveis pelos estudantes envolvidos nas agressões para uma reunião. Os casos também serão acompanhados por professores-mediadores que atuam nas duas unidades. 

 

A função de professor-mediador escolar e comunitário foi criada em março de 2

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, como parte do Sistema de Proteção Escolar implantado pela secretaria para proteger as escolas da rede estadual e aproximar a comunidade da escola. Vinculado diretamente às unidades escolares, este professor atua na mediação entre as atividades pedagógicas e as relações interpessoais de toda a comunidade escolar. 

 

Foram atribuídas ao professor-mediador funções como adotar práticas restaurativas e de mediação de potenciais conflitos no ambiente escolar, realizar entrevistas com os pais ou responsáveis pelos alunos, analisar os fatores de vulnerabilidade a que possa estar exposto o estudante, orientar a família ou os responsáveis a procurar serviços de proteção social se necessário, identificar e sugerir atividades pedagógicas complementares a serem realizadas fora do período letivo, e orientar e apoiar os estudantes na prática de seus estudos. 

 

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