Bairros

Fonte de vida, água também gera emprego

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 8 min

Hoje é Dia Mundial da Água, recurso natural essencial para a vida e também fonte de renda para grande parte da população. Segundo dados do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Regional de Bauru, a água é responsável por um alto índice de empregos em pelo menos 35

indústrias associadas à entidade na região, que abrange 18 municípios.

 

Indústrias de bebidas, alimentos, limpeza, cosméticos, higiene pessoal, baterias e têxtil não dependem da água apenas como matéria-prima principal para a produção, mas também para a manutenção da empresa, conforme explica Kláudio Cóffani Nunes, diretor de meio ambiente do Ciesp Regional de Bauru.

 

“Todas as empresas dependem, de certa forma, da água para que a empresa seja criada e consiga sobreviver. É claro que temos aquelas como as de bebidas, alimentos, limpeza, cosméticos, higiene pessoal, baterias e têxtil, que dependem diretamente da água para confecção dos produtos. Mas existem ainda aquelas que têm caldeiras para gerar energia, usam água para evitar superaquecimento das temperaturas do maquinário”, destacou.

 

Para os fabricantes de bebidas, a água é essencial para a qualidade do produto e sucesso da empresa, como é o caso de uma grande indústria localizada em Agudos. “A empresa escolheu se instalar ali porque a água para a produção de bebida tem que ser de boa qualidade”, acrescentou Coffani.

 

De qualquer maneira, ter água em uma empresa significa qualidade na produção, limpeza, organização e também saúde dos funcionários. “Garantir a qualidade da saúde das pessoas que trabalham na empresa é fundamental. Então, nenhuma empresa sobrevive sem água”.

 

 

 

Trocando de profissão

 

Com certeza a maioria da população já ouviu o dito popular “ganhar dinheiro como água”, o que significa ganhar muito dinheiro. Há 18 anos o comerciante Osmar Guerrero Nunes, 53 anos, faz quase isso: ganha dinheiro vendendo água. Tudo começou quando o então funcionário do setor de marketing de uma empresa de telefonia resolveu acrescer a renda familiar. 

 

“Eu trabalhava no setor de marketing de uma empresa de telefonia e, na época, haviam poucas empresas de entrega de água em Bauru. Acredito que eram apenas duas ou três. Então resolvi montar a empresa aqui no Centro da cidade, nas proximidades de onde ficamos hoje mesmo, na avenida Duque de Caxias”, contou Guerrero.

 

Para conquistar os clientes, que ainda não tinham tal consciência da importância de beber água de boa qualidade, foi preciso persistência e trabalho de porta em porta. “No início também ficávamos na vizinhança conversando com a população. Vendíamos os filtros e suportes já com o galão. Foi uma luta”, acrescentou o comerciante.

 

Com o passar dos anos, a empresa foi crescendo. Atualmente, trabalham ali seis funcionários, além de Osmar Guerrero e sua esposa. As vendas de simples galões de água passaram a incluir água com gás, refrigerante, suporte para os galões, entre outros produtos.

 

Comprar água deixou de ser luxo e hoje é necessidade. “Se pararmos para pensar, comprar um galão de 2

litros de água é barato. Em qualquer lugar, por exemplo uma balada, uma garrafa de 3

mililitros de água custa R$ 3,

. Um galão de 2

litros custa R$ 7,

”, frisou.

 

Para dar conta de tantos pedidos, hoje o estabelecimento conta com cinco motocicletas, dois caminhões e uma bicicleta, utilizada pelo funcionário Adílson Aparecido Moreira, que faz entregas em um raio de dois quarteirões. 

 

A média de vendas da empresa só em galões de água de 2

litros é de 5.

unidades por mês.

 

 

 

4

% de perda?

 

Já se ouviu falar muito que 4

% da água captada em Bauru é perdida. O diretor da Divisão de Produção e Reservação de Água do DAE de Bauru, Igor Beckmann Fournier, salienta que esta porcentagem é utilizada na retro lavagem de filtros, consumo das próprias unidades do DAE, hidrantes, Corpo de Bombeiros, entre outros. 

 

“O que acontece é que essa utilização da água não é medida e o DAE continua tendo custos de serviço e energia elétrica”. A autarquia considera perda as ligações irregulares de água e vazamentos.

 

 

 

Qualidade das águas superficiais está ligada ao saneamento básico

 

A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo (Cetesb) alerta que qualidade das águas superficiais paulistas é muito influenciada pelas condições de saneamento básico existentes em todos municípios do Estado de São Paulo. 

 

A avaliação dos sistemas de saneamento básico existentes nos diferentes municípios realizada periodicamente pela companhia é uma ferramenta que pode explicar parcialmente o diagnóstico de qualidade dos recursos hídricos resultante do monitoramento.

 

O último levantamento da autarquia em 2

1

apontou que o estado tem aproximadamente entre 3 e 4 mil áreas contaminadas. Este balanço apresentado pela companhia, em dezembro do ano passado, analisou 24 áreas em Bauru, sendo que oito delas foram denominadas como “contaminadas” e apenas duas como “reabilitadas”.

 

Conforme já foi abordado pelo JC, o tratamento de esgoto continua sendo a grande meta do atual governo. A importância do Aquífero Guarani no abastecimento de Bauru passa pelo tratamento de esgoto e conservação do meio ambiente.

 

 

Crescimento populacional é desafio

 

Há pouco mais de dez dias, Bauru passou por problemas críticos com o abastecimento de água por conta do alto consumo do verão e problemas em poços, como o do Bauru XVI. Conforme noticiado pelo JC, cerca de 5

mil bauruenses dos bairros Bauru XVI, Parque Jaraguá, Núcleo Nove de Julho, Parque Santa Edwirges e Vila Dutra enfrentaram a escassez durante dias.

 

Na ocasião, o diretor da Divisão de Produção e Reservação de Água do DAE de Bauru, Igor Beckmann Fournier, apontou que a solução seria cinco novos poços para equacionar melhor a distribuição de água. Dois deles, no Jardim Marabá e Vila Cardia, devem entrar em operação nos próximos 9

dias.

 

Com muitos novos empreendimentos surgindo na cidade, será necessária a perfuração de mais poços futuramente e, até aumentar a captação do Rio Batalha. Entretanto, para que isso aconteça, é necessário respeitar as condições hidro geológicas do solo.

 

Por enquanto, o DAE quer que os grandes novos empreendimentos de Bauru dividam os custeios e façam a perfuração dos poços, o que é mais justo e menos burocrático. “Uma empresa privada pode perfurar um poço em 9

dias, e nós temos muita burocracia. São aproximadamente seis novos poços para atender os novos empreendimentos da cidade”, disse Fournier.

 

O DAE já estuda maneiras de aumentar a captação do Rio Batalha junto ao Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), desde que seja um volume de água que não comprometa a vida do rio. A Organização Não-Governamental (ONG) Fórum Pró-Batalha também pretende, até o segundo semestre de 2

13, finalizar um estudo que tem como objetivo recuperar a capacidade de captação da bacia. 

 

 

 

Aquífero Guarani conta com proteção garantida

 

Pesquisas desenvolvidas pela Universidade de São Paulo (USP) concluíram que a geologia de Bauru é capaz de proteger o Aquífero Guarani, atualmente responsável por 6

% do abastecimento da cidade. 

 

Por conta especificamente da característica das rochas basálticas locais, o município terá mais tranquilidade com relação ao futuro abastecimento de água. 

 

No entanto, conforme veiculado no ano passado pelo JC, sem políticas efetivas para evitar a exploração demasiada, o uso da água proveniente do Aquífero Guarani poderá gerar sérios problemas nos próximos 5

anos.

 

A conclusão veio de estudos realizados no “Programa Sistema Aquífero Guarani”, lançado em 2

9 e que reuniu estudiosos dos quatro países que se beneficiam do manancial (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai). 

 

De acordo com os especialistas, pelo menos cem cidades brasileiras abastecidas por um dos maiores reservatórios de água doce do mundo deverão lidar com a exaustão e competição demasiada pela água. 

Estudantes vão até rio para conhecer de perto as ‘necessidades da natureza’

Um trabalho de conscientização para o futuro. Esse é o objetivo da direção e alguns professores da escola Guedes de Azevedo de Bauru, que, há 17 anos, realiza trabalhos de medição da qualidade da água dos rios Bauru e Batalha. 

Em comemoração ao Dia Mundial da Água, cerca de 4

alunos com idades de 1

e 11 anos, que cursam o 6º ano do ensino fundamental, fizeram um ‘tour’ na manhã de ontem, pelo Rio Bauru, na avenida Nuno de Assis, Rio Batalha, na ponte do Cedro (rodovia Bauru-Marília) e na nascente do Rio Bauru. 

 

Em cada um destes pontos foram analisados índices de amônia, PH, e oxigênio, essenciais para garantir a qualidade e sobrevivência de vida nos rios. “Esse é um trabalho muito importante porque as crianças não têm ideia do que é população. Indo nestes locais, vendo a cor da água, cheiro, eles podem ter uma consciência maior de como é difícil que a água deixe de ser contaminada e chegue até as residências”, destacou Roberto Pallotta, diretor da escola.

 

A pequena Carolina Missão Santos, 1

anos, disse que até já nadou em rios, mas não em Bauru, e opinou achar ruim não poder ter o lazer na cidade. “Eu acho isso muito ruim. Essa nossa visita aqui é importante para saber que o mundo está ficando poluído e precisamos fazer algo”.

 

No rio Bauru a primeira medição feita às 7h3

da manhã apontou 6,5 partes por milhão (ppm) de amônia, PH 8 e 1 ppm de oxigênio dissolvido. No Rio Batalha, foram encontrados

,5 ppm de amônia, PH 7 e 8 ppm de oxigênio. Já na nascente do Rio Bauru, havia

,5 ppm de amônia, PH 6 e 7 ppm de oxigênio.

 

“O normal de amônia é

,5 ppm por litro de água, o PH deve ser 8 e o oxigênio entre 4 e 5 ppm. Isso significa que a vida é pobre no Rio Bauru e sem condições de vida longa. A amônia indica matéria orgânica, urina e fezes, que chegam dos esgotos despejados no local”, explicou. 

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