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Parte do terreno onde árvores foram cortadas em uma extensa faixa, segundo denúncia |
Uma área de cerrado denominada Chácaras São João é novamente alvo de desmatamento para venda irregular de terrenos. A denúncia é da ONG SOS Cerrado de que um homem, passando-se por corretor de imóveis, desmata e negocia os lotes por meio de contratos de gaveta. A mesma área já foi alvo de tentativa de loteamento em 2
9. Os moradores do bairro denunciaram o crime ambiental para a entidade ambiental.
A Chácaras São João fica nas proximidades do Mary Dota e da Área de Proteção Permanente (APP) do Córrego Vargem Limpa. Os moradores das imediações verificaram a presença de um veículo com placas do Mato Grosso e a movimentação na área de mata cilicar. Para chegar na parte já desmatada segue-se a estrada em direção ao Chapadão. O ponto exato de corte de árvores fica entre a rua Francisco Sesquini e uma rua denominada Via de Acesso A. Neste ponto já há clareiras com corte de árvores do cerrado.
Integrante do SOS Cerrado, Amilton Marques Sobreira, esclarece que no local não há nenhum tipo de infraestrutura caracterizando um loteamento legal - guias, sarjetas e tubulação de água e esgoto. No entanto, ele estranha a presença de alguns postes. “Não sei como colocaram isso. É uma coisa irregular”, define.
Os integrantes da ONG ambiental fotografaram as clareiras e as árvores cortadas. “Recebemos denúncias de outras pessoas desse ‘corretor’, que desmata locais de preservação e vende”, afirmou ontem, Dia Mundial da Floresta.
De novo
A área é visada por espertalhões que tentam levar vantagem financeira aproveitando a expansão de loteamentos que se deu após a ocupação do Mary Dota. Sobreira relembra que no dia 21 de julho de 2
9 o SOS Cerrado registrou um Boletim de Ocorrência (B.O.) na Polícia Ambiental denunciando o crime ambiental na mesma área. O integrante do SOS Cerrado explica que nada tem sido feito pelas autoridades. “Continua do mesmo jeito. Continuam desmatando e vendendo”, alerta.
Em 2
9, ele diz que foi encaminhada denúncia para a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) e para o Ministério Público. Sobreira comenta que, agora, a ONG irá montar um dossiê para acionar o MP. Ele ressalta já ter acionado a Polícia Ambiental.
Fazenda
Outro ponto que volta a chamar a atenção da entidade ambiental é a Fazenda Bauru, que se constitui como reserva legal de mata de cerrado e pertencente ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A propriedade fica na região conhecida como Parque Gian Saint.
O representante da ONG esclarece que o local está abandonado, com a porteira aberta e foi instalado um poste. Sobreira desconfia que o poste será para puxar a fiação de luz. “Há tempos fizemos uma vistoria e estava tudo certo”, explica.
Ele comenta que, há alguns anos, houve uma invasão e o Incra retirou o invasor. Havia uma casa que foi demolida e também plantada algumas espécies que não são de cerrado.
Sobreira avalia que a nova tentativa de ocupação com a presença de um poste já seria para instalar um caseiro. “Estão querendo invadir e ela está em estado de abandono”, comenta.
O S
S Cerrado identificou o desmatamento irregular na Chácaras São João e na Fazenda Bauru por meio das Patrulhas Ecológicas promovidas pela entidade ambiental nos finais de semana.
Código Florestal provoca ato em Bauru
As entidades ambientais de Bauru fizeram um corpo a corpo ontem para sensibilizar e coletar nomes na campanha “Veta Dilma” que pretende pressionar a presidente Dilma Rousseff a vetar as modificações no Código Florestal. A proposta de modificação da legislação ambiental tramita, agora, na Câmara dos Deputados e seguirá para avaliação da presidente. Já passou pelo Senado.
Integrantes do Vidágua, o SOS Cerrado, Acorda Bauru e Indignado Bauru coletaram nomes e e-mails de pessoas para envio de mensagens para a presidente solicitando o veto. A ação foi feita no período da tarde na Praça Rui Barbosa, no Centro.
A assessora de imprensa do Vidágua, Renata Takahashi, explica que foi feito um contato com a população para conscientização do impacto negativo que será provocado ao meio ambiente com as modificações no Código Florestal. Os representantes das entidades mobilizadas aproveitaram que ontem foi o Dia da Floresta e, hoje, é o Dia da Água para a interação com a comunidade bauruense.
Takahashi esclarece que novas ações serão promovidas aproveitando o contexto da Rio+2
, a Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável programada para junho deste ano.
