Política

Cohab contrata para ter "reserva técnica"

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Mesmo depois de a Câmara Municipal ter rejeitado o pedido de financiamento de R$ 156 milhões que compõem a dívida da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab), aumentando a sensação de que o problema não tem solução, a empresa de economia mista publicou no Diário Oficial de Bauru (DOB) o contrato com uma empresa para realizar processos seletivos.

 

A Cetro Concursos Públicos, Consultoria e Administração será responsável pela organização e divulgação dos concursos, além da elaboração, aplicação e correção das provas para os cargos de advogado, auxiliar administrativo, escriturário administrativo, operador de computador, programador de computador, recepcionista, técnico de contabilidade e engenheiro civil.

 

O presidente Édison Gasparini Júnior afirmou que está se encerrando o último processo seletivo realizado pela Cohab há quatro anos, o que justificaria a abertura de um novo. Ele garante que o objetivo do concurso é de repor vagas desocupadas por funcionários que deixaram seus cargos, já que a empresa pública não garante a estabilidade da administração direta.

 

Esse é o caso, por exemplo, dos engenheiros civis da Cohab. Eles são responsáveis pelas avaliações dos imóveis negociados ou leiloados e totalizavam três profissionais, mas dois desistiram no último ano. “Nós precisamos repor esses quadros porque este serviço é de extrema importância para nós”, pontuou.

 

No entanto, a contratação de funcionários para assumirem vagas ainda não existentes não é descartada por Gasparini. O presidente explica que alguns trabalhos dependem de maior número de pessoas envolvidas para garantir maior agilidade. É o caso, por exemplo, dos escriturários administrativos.

 

“Temos quase R$ 9

milhões para serem habilitados junto ao Fundo de Compensação de Variações Salarias. Precisamos desses profissionais para executarem esse serviço. Quanto mais, mais rápido”, pontua Gasparini. Atualmente, 27 funcionários atuam neste cargo.

 

Outra demanda apontada por Gasparini é de advogados. Segundo presidente, seriam necessários mais quatro profissionais para que o total de 16 deles fosse atingido. “A gente só tem 12, mas eu tenho consciência de que não posso contratar mais quatro de uma vez porque precisamos conter gastos”, lembrou.

 

A folha de pagamento da Cohab gira em torno dos R$ 3

mil ao mês. Édison admite que parece muito, mas garante que a demanda de trabalho é muito grande. “Precisamos repor e, eventualmente, contratar mais. A gente não pode se transformar em um daqueles postos de beira de estrada, em que tudo vai quebrando e nada é consertado”, disse Júnior.

 

De acordo com Gasparini, a Cetro, que será responsável pela realização dos processos seletivos, é uma fundação sem fins lucrativos. O presidente explica que a Cohab não vai pagar pelo serviço, que será custeado pelas taxas de inscrição a serem pagas pelos eventuais candidatos.

 

 

 

Em Brasília

 

Após a rejeição da proposta de financiamento de parte da dívida da Cohab na segunda-feira retrasada, o presidente Édison Gasparini Júnior vai a Brasília no final do mês, onde se reunirá com representantes do Tesouro Nacional. O objetivo é reivindicar a possibilidade do parcelamento dos R$ 156 milhões, sem a garantia do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), como desejam os parlamentares.

 

Vale lembrar que a Câmara Municipal já aprovou, em 2

9, uma proposta de financiamento de R$ 42 milhões, sob pressões de que, caso o pedido fosse rejeitado, o município estaria inapto para receber recursos federais. No entanto, até hoje, o processo não foi validado junto ao Tesouro.

 

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