O número de grupos de apoio àqueles que perderam o controle financeiro cresce em todo o mundo e no Brasil não é diferente. Famílias que se desequilibram financeiramente buscam ajuda, compartilhando experiências com outras famílias na mesma situação, visando melhorar a qualidade de vida. São denominados de Grupo de Devedores Anônimos, semelhantes aos alcoólicos anônimos. Há inclusive clínicas especializadas que tratam os casos mais graves, que já se tornaram doença. Enganam-se aqueles que imaginam que o desequilíbrio financeiro está concentrado nas classes sociais mais baixas, dados da Confederação Nacional do Comércio mostram que entre as famílias que recebem mais de dez salários mínimos por mês (ou mais de R$ 6.220) 50,6% têm algum tipo de dívida, ou seja, estão comprometidas com um financiamento. As famílias com contas em atraso são 10,8% nessa camada da população, portanto, atingem sim aqueles que possuem mais recursos. A compulsão por compras tem sido estudada por muitos especialistas. Denominam de oniomania e precisa ser tratada com doença e não somente como um distúrbio passageiro.
Os familiares devem redobrar a atenção e verificar constantemente comportamentos consumistas dos membros da família, tais como: compras exageradas de produtos; ostentação acima do poder aquisitivo; saldos negativos em conta-corrente com uso constante do cheque especial; prática da chamada bicicleta em que uma nova dívida cobre uma dívida antiga, ou seja, se parar de pedalar cai; permanentemente paga o valor mínimo do cartão de crédito e o saldo devedor sobe constantemente; entre outros. Enfim, ficar atentos a quaisquer comportamentos de consumo que sejam fora de um padrão aceitável. O mundo do consumo nos indica: compre, consuma, mas cada um deve ser firme e estabelecer seus limites. Não podemos abrir a guarda e é preciso redobrar a atenção. Não tenha vergonha em admitir que possui os sintomas da doença e procure ajuda o mais rapidamente que puder. Os grupos de ajuda podem ser o primeiro passo para a superação.
O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib e articulista do JC