Geral

Casos de tuberculose sobem 12%em Bauru no último ano

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 5 min

Ela é transmitida pelo ar, em locais pouco ventilados e com aglomerações. Pode atacar não somente o pulmão, mas também outros órgãos. A tuberculose é considerada um dos maiores problemas de saúde pública no País e no mundo, dada a desinformação e o descaso dos próprios pacientes no tratamento.

Em Bauru, o número de casos da doença registrados em 2011 teve aumento de 12% em relação a 2010. Entretanto, nos presídios, considerados locais de risco por conta das condições ambientes, o índice de infectados no município reduziu em 20%.


Hoje é comemorado o Dia Mundial de Combate à Tuberculose, doença contagiosa que preocupa autoridades em todo o País. “Grande parte das pessoas só se preocupa e vai ao médico quando a doença já está em estágio avançado e isso acaba prejudicando todo o trabalho. Afinal, ela já pode ter contaminado toda sua família nesse tempo”, ressalta a médica infectologista do Centro de Referência em Moléstias Infecciosas em Bauru (CMI), Maristela Pastore de Oliveira.


De acordo com os registros feitos pelo Departamento de Saúde Coletiva da Divisão da Vigilância Epidemiológica em Bauru, o município registrou em 2010 um total de 180 casos de tuberculose pulmonar e extra pulmonar contra 202 no ano passado. Os casos envolvem as doenças que foram adquiridas também em municípios da região, mas tiveram atendimento na cidade.


Outro dado, também divulgado, refere-se ao número de pessoas infectadas nos presídios de Bauru e região. Em 2010, 60 detentos contraíram a doença, enquanto em 2011 este número foi de 48. Apesar da redução, estimada em 20%, a médica infectologista Maristela Pastore ressalta que o ambiente prisional ainda é um foco de contaminação.


“Os presídios, geralmente, são ambientes pouco arejados, sem muita iluminação solar e que concentram uma grande quantidade de pessoas num mesmo local e isso acaba influenciando a disseminação da tuberculose. Esses números apresentaram redução, mas que em relação ao todo ainda é pequena”, enfatiza a médica.




Cárcere


Segundo informações no site oficial do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), uma pesquisa realizada pela Organização Panamericana da Saúde em 2007 constatou que os ambientes penitenciários registravam incidência de tuberculose 20 vezes mais elevada do que na população em geral.


Pessoas portadoras de HIV (vírus da imunodeficiência humana) também estariam entre o público mais afetado. Por apresentarem deficiências nos sistema imunológico, os portadores do vírus acabam contraindo facilmente a tuberculose, que é a principal causa de mortes dos pacientes com HIV positivo no Brasil.


Outros fatores como ter idade avançada, predisposição genética, desnutrição e uso de drogas ilícitas também são primordiais para a o contágio, que é feito pela própria respiração e dependerá das variações entre transmissor e organismo do portador para se manifestar.


“Por ser sensível a luz, o transmissor da tuberculose, o Bacilo de Koch, tem uma facilidade maior de se disseminar em ambientes escuros e úmidos. O bacilo é ‘preguiçoso’, então, nem sempre ele manifesta a doença no corpo onde ele está alojado. Isso varia de organismo para organismo”, completa Maristela.

 

Sintomas diversos


De acordo com a médica infectologista do Centro de Referência em Moléstias Infecciosas (CMI) em Bauru, Maristela Pastore, apesar da doença manifestar-se de maneira diversificada, existem alguns sintomas principais que podem ser observados. A tosse contínua com produção de catarro, persistente por mais de três semanas, é uma delas.


“Os pacientes acabam deixando a tosse de lado e só se preocupam em procurar um médico quando apresentam sangramentos, febre ou perda de apetite e peso. O correto é procurar um posto de saúde mais próximo se a tosse persistir por mais de três semanas”, explica a médica.


A tuberculose se manifesta de maneira predominante nos pulmões, mas também pode ser diagnosticada em outros órgãos como rins, laringe e gânglios. Essa categoria é chamada de tuberculose extra pulmonar e possui o um trabalho de diagnóstico mais difícil. Os sintomas podem ser variados com apresentação de sangramentos, inchaços ou disfunção dos órgãos comprometidos.

 

Diagnóstico precoce


A tuberculose tem cura, desde que diagnosticada com antecedência e tratada de maneira correta. O tratamento é feito de maneira gratuita. Os casos são diagnosticados nos postos de saúde e encaminhados ao Centro de Referência em Moléstias Infecciosas (CMI), dos municípios. Em Bauru, o CMI fica na rua Silvério São João, no Centro.


Como é uma doença com manifestação lenta, se não for descoberta em estágio inicial, o bacilo pode destruir progressivamente o pulmão. Para tanto, o tratamento é rigoroso e precisa ser seguido à risca pelos pacientes.


Um paciente na faixa etária adulta com tuberculose, por exemplo, teria que realizar no mínimo seis meses de tratamento com quatro medicações diárias para conseguir a cura contra a doença.


Não existem muitos segredos para a prevenção contra a tuberculose. Basta seguir algumas regras básicas de convivência, como: manter os ambientes sempre limpos e arejados, a iluminação solar deve ser priorizada, pois ambientes com luminosidade natural são menos suscetíveis à proliferação da doença; ter alimentação saudável com cardápio diversificado com frutas, legumes e verduras; evitar ficar próximo a pessoas que apresentem tosse.

 

No Brasil


A doença, que acompanha a humanidade há milhares de anos, ainda é considerada um problema de saúde pública no País.


De acordo com acordo dados do Ministério da Saúde, o Brasil ocupa o 17º lugar no ranking da lista dos 20 países com maior incidência de tuberculose no mundo. No total, são 71 mil casos novos por ano e 4,6 mil mortes. A incidência média é de 37,7 casos por 100 mil habitantes.


A tuberculose é a 4ª maior causa de mortes por doença infecciosa no Brasil. Até 2050 a meta do governo é erradicar a doença no País, mas para isso, até 2015 o Brasil precisaria reduzir para até 25,8 o número de casos para cada 100 mil habitantes.

 

Comentários

Comentários