O caso Sandro Fernandes corre sob segredo de Justiça, mas os advogados de defesa e de acusação resolveram se manifestar sobre o episódio ocorrido diante de imprensa, anteontem, durante a primeira audiência no Fórum de Bauru. Sandro tentou conversar com uma das vítimas que o acusam de abusos sexuais e, por este motivo, o advogado que a representa ameaçou pedir a revogação da prisão domiciliar do réu.
Procurado pela reportagem, ontem, Hélio Marcos Pereira Junior, um dos advogados de Sandro, afirmou que uma eventual solicitação desta natureza seria “absurda”. “Parece-me que houve um entendimento equivocado sobre o que aconteceu. Não há ilegalidade nenhuma. É perfeitamente normal, depois de tanto tempo, que o Sandro queira olhar ou trocar uma palavra, que seja, com alguém com quem ele possui laços de sangue”, observa.
Pereira Junior também classificou como desumana a tentativa do advogado das vítimas, Evandro Dias Joaquim, de impedir, acaloradamente, o contato entre Sandro e o familiar. A defesa ressaltou ainda que, caso o réu tivesse infringido as regras da prisão domiciliar, o juiz ou o promotor do caso já teriam tomado as devidas providências.
“Na verdade, vejo este contato como algo salutar. Não há afronta ou desrespeito aos critérios estabelecidos pelo juiz. A petição (de revogação da prisão domiciliar) é um direito garantido à assistência de acusação, mas não tem nenhum fundamento.”
No final da tarde de ontem, o advogado das vítimas, Evandro Dias Joaquim, reafirmou que pretende pedir a revogação da prisão domiciliar de Sandro por ele ter tentado conversar com a vítima, que possui 10 anos de idade e foi a primeira a depor no Fórum, anteontem. O pedido, entretanto, ainda não foi formalizado na Justiça.
“Esta conduta do réu, claramente, representa uma infração às condições estabelecidas para que ele pudesse cumprir prisão domiciliar. Se, dentro da casa do Poder Judiciário, a poucos metros do juiz, ele é capaz de fazer isso, imagine o que pode fazer estando com a liberdade pouco cerceada”, pondera.
Ainda de acordo com Joaquim, a falta de limites que Sandro demonstrou ter – ao chamar a vítima pelo nome enquanto ela atravessava o corredor do primeiro andar do Fórum - representa um risco para a conclusão do processo. “Claramente, ele não respeita as decisões do juiz e acredita que pode fazer tudo da maneira que lhe convém”, conclui.
A tentativa de aproximação ocorreu durante a primeira audiência do caso, em que foram ouvidas as quatro supostas vítimas que acusam Sandro Fernandes de molestá-las sexualmente. O advogado bauruense e sua esposa, Fernanda Fernandes, acusada de coautoria nos crimes por ter sido omissa, também estavam no local, mas não participaram das oitivas e prestarão depoimento em data ainda a ser agendada. A expectativa é de que, até o final do ano, também sejam ouvidas as testemunhas de acusação e de defesa.