No mês em que se comemora o Dia Mundial da Água, as ONGs que defendem o precioso líquido mostram que não há muito a comemorar. A população continua negligenciando a preservação, embora todas elas trabalhem com a educação ambiental.
Há 13 anos, um grupo de voluntários da cidade de Bernardino de Campos (11
quilômetros de Bauru) faz mutirões no rio Paranapanema e recolhe toneladas de lixo de todo tipo, inclusive fogão, sofás, móveis, além é, claro, de muitas garrafas pet, sacos plásticos, latas de refrigerantes e de cerveja. Alémde outras atividades.
O trabalho da Associação Ambientalista Defensora da Bacia do Paranapanema não se limita a isso. Um projeto que conta com a parceria da administração municipal leva crianças de 1
a 12 anos para uma aula sobre meio ambiente em sua sede. Outro projeto desenvolve mudas nativas para plantar nas Áreas de Proteção Permanente (APPs).
Em Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru), a ONG Mãe Natureza é referência no Estado quando o assunto é o rio Tietê. Os integrantes da organização monitoram a água e toda vez que o líquido apresenta alterações muito além do permitido, eles “gritam”.
Foi assim na década de 8
, quando a poluição da Capital começou a chegar ao Interior. Um abaixo-assinado deu origem à ONG. Naquela época, o trecho do rio Tietê que banhava Barra Bonita apresentava uma qualidade de água invejável, ou seja, podia ser consumida. Dez anos depois, a ONG enfrentou novo ataque. Uma empresa da região despejou produto químico no rio e toneladas de peixes morreram, mostrando que a falta de conscientização estava gerando danos gravíssimos ao meio ambiente.
Em Piraju (13
quilômetros de Bauru), três entidades tentam impedir a instalação de mais usinas no rio Paranapanema. Manifestações contínuas acontecem na cidade toda vez que as empresas tentam driblar uma proibição municipal com contrapartidas.
O Paranapanema, um dos maiores rios do Estado de São Paulo, possui ao todo 12 usinas hidrelétricas e três delas estão na região de Piraju. A instalação das pequenas usinas, segundo os ambientalistas, gerararia um grande impacto ao meio ambiente, além de inviabilizar o turismo. Os vilões da poluição dos rios são os produtos de limpeza, tintura de cabelo e as pílulas anticoncepcionais, que matam os peixes e fazem prosperar as algas e outras plantas que não permitem a respiração da água.
Os produtos de limpeza possuem em sua fórmula o tripolifosfato de sódio (TPF), um agente químico altamente nocivo à água dos rios. Na Europa, segundo a ONG Mãe Natureza, os ambientalistas conseguiram barrar as altas taxas utilizadas na formulação de sabão e detergente. No Brasil, isso ainda não aconteceu.