"Eu preciso de gente". Foi a assertiva do doutor José Alberto de Souza Freitas, num momento de mudança de vida e de hábitos. Acontece que o mundo precisa de gente como nosso amado e sonhador Tio Gastão! Eu conheço a história do começo de vida do nosso nosocômio modelo para toda América do Sul: pequenino, que foi batizado de Centrinho, e que hoje se estende por quase toda Vila Universitária, uma cidade na entrada de Bauru e uma referência para todas as espécies de anomalias faciais. Quanto vivenciei segurada pelas mãos da minha filha Catinha tristezas substituídas pela gratidão e alegria e sorrisos, muitos sorrisos nos rostos de criaturas que nem sabiam que existiam essa sensação de humor e alegria, pois até do espelho, quando não muito crianças, se escondiam e nada de Narciso, e sim recolhimentos desesperançados até encontrar o caminho delineado pelo nosso cidadão do bem.
E o Centrinho do doutor Gastão bateu de frente com os mais sérios e graves defeitos de formação com uma ousadia e destemor, sempre encontrando através de sua equipe bem disciplinada e ciente do valor humano, um procedimento para embelezar o ser humano, independentemente de qualquer situação sócio-econômica e cultural. E junto com o paciente que vinha de terras distantes trouxe acolhimento para as famílias e amigos, com uma injeção de esperança, ânimo, força e fé, juntamente com o São Francisco em todas as versões existentes.
E ele precisa de gente! Que exemplo de inteligência, dinamismo e até invencionismo esse doutor trouxe para resolver as agruras nem sempre compreendidas pelos usuários e suas famílias. Todos se sentiam em casa no Hospital de Boinas Azuis, como era identificado pela população de toda parte do Brasil e exterior. À frente de seu tempo, mas muito à frente, ele "instituiu" o princípio da isonomia que hoje todo mundo chama de igualdade, mas que poucos têm ciência da profundidade desse mandamento que deveria reger toda humanidade. Mas sabemos que a realidade é bem diferente, haja vista os maltratos aos animais e a violência por conta de uma palavra inserida modernamente no nosso dicionário: homofobia. Se fôssemos iguais não precisaríamos de tantas palavras que nem chegam na rotina de mais da metade da população brasileira. E é tão simples descrevê-la: aversão, pavor a homossexuais. Lá no Centrinho reina a paz e todas as alternativas craniofaciais, ninguém ficando sem resposta ou solução. E a agenda, um relógio sem direito de dar uma paradinha.
E as mães recebem todas as informações, refeições diárias e, o mais importante: respeito na dor! Doutor Gastão, nem pense em se distanciar de sua história mesmo porque autor, protagonista e mentor confundem-se numa única pessoa. E gente precisa de gente, sabia? Gente como o senhor, grande amigo dos pacientes e tão enaltecido por eles, seja num português mais humilde, seja em alto estilo literário.
Mães pediram-me para escrever alguma coisa em sua homenagem. Alguma coisa não dá ante a gigantesca e homérica travessia assumida. Registrei um grão de areia apenas... Um livro também não bastaria... Uma epopeia, talvez... Nesta oportunidade quero lembrar que temos um compromisso de conquistar o Convênio SUS para os deficientes intelectuais da Apiece. Temos um pacto missionário, selado na Sala de São Francisco de Assis! Nossos alunos precisam de gente... que faz acontecer, como o senhor!!!! Um pequeno descanso permitimos, mas parar é expressamente proibido!!!!
Ninguém é insubstituível, dizem. Mas muitas criaturas, como o senhor, Chico Anysio, Michael Jackson desmentem esta afirmação, independentemente de vocação, talento e arte. Quem cuida de alguma anomalia ou doença não tem o direito de sair de cena! É o seu caso!!!!
Deus quis assim, nobre doutor. Minha enorme gratidão em nome de muitos que não conseguem registrar as emoções e querem dar um abraço no Centrinho.
Catarina Carvalho - em nome de muitos chorosos