Botucatu – A cidade não tem super-heróis, mas a união obtida nos últimos anos entre as Polícias Civil, Militar e Guarda Civil Municipal (GCM) rendeu o apelido de “Liga da Justiça” e bons dividendos na redução das estatísticas de violência. Pelo segundo ano consecutivo o município registra queda de roubos e furtos de veículos em relação ao ano anterior. O homicídio é o quinto menor num comparativo com 48 cidades de mais de 1
mil habitantes, exceto capital e Grande São Paulo.
Em 2
1
, Botucatu registrou 1
2 roubos e, no ano passado, 83. O índice vem caindo se incluir na estatística dados de 2
9, quando houve 234, segundo o site da Secretaria Estadual de Segurança Pública. A base de cálculo não contabiliza os dois meses deste ano.
No ano passado foram seis roubos de veículos contra sete registrados em 2
1
. A quantidade de furto de veículo em 2
1
atingiu 1
e 68 no ano passado – em 2
9 ocorreram 242. A polícia também prendeu mais no ano passado: 1
7
pessoas foram para a cadeia contra 8
9 em 2
1
.
O número de homicídio em 2
1
foi muito baixo na cidade: 2. E, no ano passado, subiu para 7, mesmo com aumento se comparar esse índice com outras cidades é o 5º menor no Estado, perde na quantidade em números absolutos para Valinhos – só dois no ano de 2
11 –, Itatiba, Tatuí e Catanduva, na faixa de cidades de mais de 1
mil habitantes.
Polícia motivada
O delegado seccional de Botucatu, Antonio Soares da Costa Neto, atribui a união das forças policiais como um dos fatores para a redução da violência. A mesma opinião tem o comandante interino do 12º BPMI de Botucatu, major Jorge Duarte, o secretário de Segurança Pública Municipal, Adjair de Campos, e presidente do Conselho Municipal de Segurança de Botucatu, Clóvis de Almeida Martins.
O município, no entanto, em 2
8 teve a explosão do prédio da delegacia de entorpecentes por uma facção criminosa no resgaste de droga e armas que teve repercussão nacional pela ousadia dos bandidos. O que passou uma impressão negativa da cidade quanto à violência.
Costa Neto assumiu o comando da Polícia Civil no município em junho de 2
9, após o período de índices altos de criminalidade.
Vindo da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) tem fama de ser “operacional” por estar sempre na rua na linha de frente das investigações e não ficar só no gabinete. “Isso ajuda a motivar o policial. No carnaval fiz ronda o que não é comum para quem ocupa o cargo de seccional e sempre quando posso acompanho as operações”, diz o seccional de Botucatu.
“Diariamente se reunimos com as demais polícias para discutir os problemas e trocamos informações. O Poder Judiciário é ouvido e tem dado apoio ao autorizar as buscas e conceder autorizações de escutas (para monitorar as quadrilhas). As três forças fazem operações conjuntas nos locais onde têm maior índice de criminalidade”, declara.
Segundo ele, são feitas relações dos prováveis acusados de roubos e furtos com pedidos de buscas para prevenir e tirar os criminosos de operação. “Isso inibe o crime. A Polícia Civil faz bloqueio junto com a Guarda e a Polícia Militar na vistoria de veículos, documentos e a procura de armas. É uma tolerância zero”, conta o titular da seccional.
A estatística da SSP comprova que a Polícia Civil prendeu mais pessoas no ano passado do que 2
9 e 2
1
.
O major Jorge Duarte diz que a GCM é importante aliada, sem o entendimento das forças policiais seria difícil baixar a violência. O efetivo da PM ainda é o mesmo de 1
anos atrás.
“Todos os pequenos crimes e até teoricamente os que não são competência da guarda, partimos do princípio que eles podem atuar como qualquer um do povo. Muitas vezes eles trombam com assaltos à mão armado, furto, roubo e tráfico e isso é bem visto pela PM. É viável a guarda”, declara.
O presidente do Conselho Municipal de Segurança (Conseg) de Botucatu, Clóvis de Almeida Martins, diz que a polícia está mais motivada. “O delegado seccional comandou uma operação para fechar um cassino. Isso motiva os policiais”, ressalta.
Martins afirma que a GCM é vista como mais uma polícia, a integração é um trabalho de longo tempo que vem surtindo efeito atualmente. “A guarda foi treinada para gerenciamento de pequenos conflitos com pessoal do Conseg”, diz.
A Guarda Civil Municipal (GCM) está mais equipada e armada. Também faz ronda rural. O secretário de Segurança Pública Municipal, Adjair de Campos, é delegado de polícia que está cedido à prefeitura e comanda a guarda.
A GCM deixou de só cuidar do patrimônio público. Os veículos são dotados de câmeras e arma não letal, como a Taser, aparelho de choque que culminou na morte do paulistano Roberto Laudisio Curti na Austrália e de um homem na capital catarinense ao ser disparada por um policial militar.
Guarda Municipal usa arma não letal Taser
A Guarda Civil Municipal (GCM) de Botucatu tem 25 armas não letais Taser. Nos últimos dias esse tipo de aparelho tem frequentado o noticiário por causa da morte do paulistano Roberto Ludisio Curti na Austrália e de um homem em Florianópolis disparado por um policial militar.
O uso da Taser tornou-se comum por policiais e guardas-civis em diversas cidades do Brasil.
Em Botucatu, por exemplo, já houve caso com o equipamento que causou incêndio na roupa de uma pessoa que estava sendo imobilizada. “O homem que estava sendo imobilizado estava molhado com álcool por isso causou um incêndio. No caso da Austrália foram quatro dardos ao mesmo tempo. Um é o suficiente para imobilizar uma pessoa e os guardas são treinados”, explica o secretário de Segurança Municipal e comandante da GCM, Adjair de Campos.
A arma não letal ativa sistema de gás comprimido que lança dardos energizados que penetram na pele do alvo e emitem eletricidade que o incapacita.
Ao atingir o alvo fecha-se o ciclo com o corpo do alvo. Os pulsos elétricos vão de um eletrodo para outro, descarregando eletricidade de alta tensão e baixa corrente no sistema nervoso da pessoa. Um disparo corresponde a 5.
volts com
,
36 ampère, o suficiente para manter uma pessoa imobilizada de 3 a 5 minutos, porém de baixa voltagem.
O secretário diz que a Taser já salvou a vida de um médico no pronto-socorro. Um indivíduo em surto apanhou uma faca e investiu contra o profissional de saúde. “O guarda-civil estava no atendimento e utilizou o equipamento para imobilizar o agressor”, diz. Campos cita ainda que os guardas-civis foram treinados para manusear o equipamento.
O instrutor de armas Taser no Brasil, o policial civil gaúcho Antônio Risso diz que não há armas 1
% seguras. “Qualquer arma pode ser letal, dependendo da forma que for usada”, disse em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.