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Samu atende sete quedas por dia

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

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João Rosan

Antônio Siqueira: 32 pontos, 6 costelas quebradas e perda parcial da audição em tombo

2,1 metros. Foi esta a altura responsável por levar o aposentado Antônio Borba de Siqueira, 67 anos, à internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base (HB) com vários ossos quebrados. Somente neste ano, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) já atendeu cerca de 5

casos de quedas, seja de alturas elevadas, como o caso do aposentado, ou por tombos simples.

 

A média corresponde a aproximadamente sete casos diários. Dentre esta estatística - referente ao período compreendido entre 1 de janeiro e 15 de março - divulgada pelo próprio Samu, os tombos são a maioria: 318 ocorrências. Já as quedas de escadas ou outras plataformas, como a de Antônio Siqueira, demandaram 18

atendimentos.

 

A média do ano é bastante semelhante à quantidade de 2

11. Em todo o ano passado, foram aproximadamente 2.34

ocorrências de quedas atendidas pelo Samu. Antônio fez parte desta estatística. Socorrido em 2 de novembro, ele tentava fazer um reparo doméstico quando se acidentou. 

 

“Eu estava em casa e era feriado. Então, subi no telhado para consertar um cano de água. Acabei perdendo o equilíbrio e caí”, conta o aposentado. 

 

E a queda deixou péssimas lembranças para Antônio. Além de mais de uma semana de internação, ele teve fraturas nas seis costelas e na omoplata (osso localizado na parte superior do tórax). Na orelha, fora necessários 32 pontos.

 

O acidente, porém, deixou mais do que fraturas e cortes. Por conta da pancada, o aposentado perdeu parcialmente a audição e, hoje, utiliza um aparelho.

 

Além da própria estatística do Samu, os médicos confirmam que quedas, sejam por tombos ou de alturas mais elevadas, são atendimentos frequentes nos consultórios. De acordo com o ortopedista especialista em traumatologia Ricardo Cabello, é uma questão física: “quanto maior a altura, maior o perigo”.

 

Ele explica que as quedas domésticas, ou seja, os tombos simples, são mais frequentes e preocupantes entre pessoas idosas. “É muito comum que os idosos tropecem em degraus, tapetes e até animais de estimação. Geralmente, as fraturas são no fêmur, quadril e no punho”, afirma o médico.

 

Segundo reportagem veiculada pelo JC em 2

1

, a Secretaria do Estado de Saúde atestou que o número de mortes de idosos quadruplicou de 2

a 2

8, data em que os últimos dados referentes a este tipo de acidente foram divulgados. Por isso, em imóveis habitados por idosos devem ser adotadas várias precauções (leia mais abaixo) para minimizar riscos.

 

 

 

Nas alturas

 

O ortopedista Ricardo Cabello afirma que a gravidade das quedas depende muito de “como a pessoa cai”. “Conforme for a altura e o modo que a vítima vai ao chão, pode ser realmente muito grave, como ficar tetraplégico, por exemplo, ou até levar à morte”, explica.

 

O coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, destaca que as quedas de alturas maiores ocorrem geralmente quando a pessoa vai fazer algum reparo em telhados ou em locais que necessitem o uso de escadas. 

 

“É muito perigoso. Qualquer desequilíbrio pode ser fatal. O melhor mesmo é chamar um profissional para fazer este reparo. Não adianta colocar um equipamento de segurança. O certo é não se arriscar”, alerta Brito.

 

 

 

Crianças em risco

 

Apesar de haver campanhas para prevenir quedas na terceira idade, o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, ressalta outra faixa etária de risco: as crianças pequenas. Segundo ele, exatamente por estarem com os ossos em formação, o perigo é tão grande.

 

“Nos idosos, os ossos já estão danificados e qualquer impacto pode se transformar em uma fratura. Já nas crianças, o processo é exatamente contrário. Elas estão em formação e, por isso, podem se machucar gravemente ao cair”, alerta.

 

Para prevenir acidentes com crianças, Brito aconselha a atenção total dos pais e, principalmente, evitar deixar objetos que elas possam escalar.

 

 

 

No meio do caminho tinha um tapete...

 

Parodiando o famoso verso inicial de uma das obras mais famosas de Carlos Drummond de Andrade, troca-se a “pedra” poética por um tapete, degrau ou até mesmo um animal de estimação. De acordo com especialistas, estes são os principais obstáculos no “meio do caminho” de idosos e maiores responsáveis por quedas domésticas. 

 

Por conta disso, a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) criou, em 1999 - Ano Internacional do Idoso -, o projeto Casa Segura, com a construção de ambientes equipados com itens de segurança para a visitação da população.

 

Segundo o ortopedista Ricardo Cabello, um exemplo de procedimento ergonômico da casa segura é, além de eliminar tais obstáculos, instalar corrimãos nem vários locais. “Também é preciso reforçar a iluminação e deixar o piso no mesmo nível. Muitas quedas ocorrem entre o trajeto do quarto ao banheiro, principalmente, de noite. Então, é preciso mais atenção nestes pontos”, aconselha o médico.

 

 

 

Outros acidentes no trânsito

 

Se quando são somados os tombos simples ou acidentes de plataformas o número de quedas é volumoso em Bauru, tal estatística ganha ainda mais corpo quando são consideradas as ocorrências no trânsito.

 

De acordo com o próprio Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mais de 15

pessoas já foram vítimas de quedas de motocicletas e bicicletas neste ano. Em todo o ano 2

11, foram aproximadamente 75

ocorrências atendidas pelo Samu. 

 

 

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