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Morreu na tarde de ontem (27), aos 87 anos, o escritor Millôr Fernandes. Ele faleceu em sua casa, no Rio de Janeiro, em decorrência de falência de múltiplos órgãos. Ao site G1, Ivan Fernandes, filho do escritor, informou que Millôr teve falência múltipla dos órgãos e parada cardíaca.
O velório está marcado para esta amanhã (29), das 10h às 15h, no cemitério Memorial do Carmo, no Caju, no Rio de Janeiro. Em seguida, o corpo será cremado.
O escritor chegou a ser internado por cinco meses no ano passado, na Casa de Saúde São José, também no Rio de Janeiro.
Millôr foi um dos fundadores do jornal "O Pasquim" e um dos representantes da imprensa nanica, que levou o humor às publicações alternativas na época da forte censura da ditadura militar.
Nascido no bairro carioca do Méier, em 16 de agosto de 1923, ele foi registrado oficialmente em 27 de maio de 1924. O escritor, jornalista, desenhista e dramaturgo deixa também uma filha, Paula, e um neto, Gabriel. Ele foi casado com Wanda Rubino Fernandes.
“Biografia”
"Millôr Fernandes nasceu. Todo o seu aprendizado, desde a mais remota infância. Só aos 13 anos de idade, partindo de onde estava. E também mais tarde, já homem formado. No jornalismo e nas artes gráficas, especialmente. Sempre, porém, recusou-se, ou como se diz por aí. Contudo, no campo teatral, tanto então quanto agora. Sem a menor sombra de dúvida. Em todos seus livros publicados vê-se a mesma tendência. Nunca, porém diante de reprimidos. De 78 a 89, janeiro a fevereiro. De frente ou de perfil, como percebeu assim que terminou seu curso secundário. Quando o conheceu em Lisboa, o ditador Salazar, o que não significa absolutamente nada. Um dia, depois de um longo programa de televisão, foi exatamente o contrário. Amigos e mesmo pessoas remotamente interessadas - sem temor nenhum. Onde e como, mas talvez, talvez — Millôr, porém, nunca. Isso para não falar em termos públicos. Mas, ao ser premiado, disse logo bem alto - e realmente não falou em vão. Entre todos os tradutores brasileiros. Como ninguém ignora. De resto, sempre, até o Dia a Dia”.
* texto publicado por Millôr em sua estreia no jornal O Dia, do Rio de Janeiro
