Turismo

Sicília: Uma Itália que fala alto e acolhe


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As palavras fogem na tentativa de descrever a Sicília. Correm todas, rolam rápidas como os limões que me vêm à cabeça. Casinhas com quintais de terra e limoeiros ao fundo. Limões amarelos, grandes como não se encontra por aqui Limões nos morros, nas encostas. Altas montanhas de pedra e capim dourado, vencidas por temerosas estradinhas em ziguezague, que recompensam a coragem com o azul do mar.

Lá longe, embaixo, a cidade litorânea, quente, úmida e com praia de areia cinza. Aqui no alto, o vento, um sopro forte e frio para fazer dançar as roupas nas janelas. Em sacadas aqui e acolá ensaiam também bandeiras em verde, vermelho e branco. Colorem vielas estreitas, de casinhas com flores nas janelas e chão de pedra escorregadia. Às vezes vigiadas por cavaleiros de madeira, marionetes de fio que contam suas glórias aos mentirosos Pinóquios pendurados ao lado. São lojas de souvenirs, onde há cerâmica, madeira e vinhos. Longe dos turistas, uma gritaria. Confusão coisa nenhuma, que é assim mesmo que os sicilianos falam quando estão só batendo um papo.

Adjetivos, poderia caçar vários. Mas talvez o que melhor sintetize a Sicília seja dizer que ela é uma ilha bem italiana, autêntica no sotaque, no coração e na tradição. Dessa italiana matrona, como as que vieram parar no Brasil. Dessa italiana ardilosa, mafiosa, que gesticula. Dessa italiana que conta histórias de deuses, romanos que se misturaram aos gregos - ali na Sicília os helênicos foram grandes e foram fortes, e construíram vários de seus templos. Dessa italiana que acolhe, fala alto, briga, mas que embala e protege. Uma Itália com tempero regional, menos globalizada. Aquela que faz você se sentir em casa e perder a vontade de ir embora.

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Construída sobre salinas,
Trapani foi importante porto

Conhecida pelos gregos como Drepanon (foice), Trapani foi um importante porto desde o século 3 a.C.. Foi quase toda construída sobre salinas - os normandos escreverem que era a cidade mais branca que já tinham visto.

Hoje, com 70 mil habitantes, tem um animado centro antigo, com ruas repletas de crianças, adolescentes, idosos, bicicletas e carros. Prefira caminhar pelo calçadão, com flores nas sacadas, mesas nas calçadas e várias lojas. Vale conhecer a Catedral de San Lorenzo (1635), a Purgatorio (século 17), o bairro judaico e andar pela rua próxima ao antigo mercado de peixe, que lembra um pouco o Malecón cubano.
Dali, a pedida é seguir para Erice, em um trajeto feito por uma estradinha de curvas acentuadas, que oferece mais de meia hora de paisagens espetaculares. Ou por um bondinho que acomoda até oito pessoas e que reduz para 11 minutos a apreciação da vista. O problema é que, com vento (e venta bem por lá), não dá para ir de bonde.

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Saiba mais

Passagem: o trecho São Paulo-Palermo-São Paulo custa desde R$ 2.006 na Alitalia (alitalia.com), em voo direto. Com conexão, a partir de R$ 1.952 na Air France (airfrance.com.br) e R$ 2.491 na TAP (flytap.com.br)

Travessia: o ferry que leva de Villa San Giovanni até Messina sai a cada 40 minutos e faz o percurso em 20 minutos. A tarifa de ida e volta para pedestre custa 0,50 euros; para carro sai por 32 euros - em ambos a volta pode ser utilizada em até três dias.

Informações: gotaormina.com. Há quem encare a travessia desde Napoli (www.snav.it), mas o percurso é duro: quase 10 horas de viagem, a partir de 49 euros por pessoa

Cruzeiros: se não como destino único de suas férias, outra forma de conhecer a Sicília é optando por um cruzeiro que inclui a ilha em sua rota. As principais empresas que operam são Royal Caribbean (royalcaribbean.com.br), Costa (costacruzeiros.com) e MSC (msccruzeiros.com.br)

Internet: saiba mais sobre a Sicília no regione.sicilia.it. Informações sobre o Etna estão em funiviaetna.com

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O que levar

Com segurança

Leve tênis ou sapatos confortáveis para se perder pelas ruazinhas sem precisar encher os pés de band-aids. Reforce o protetor solar e não esqueça de ter em mãos um agasalho reforçado se for subir o Monte Etna

Com estilo

Chapéus protegem do sol e dão um ar charmoso. Para se poupar dos fortes ventos, echarpes são fundamentais

Com fluência (ou quase)
Nas cidades pequenas, a maior parte dos moradores não fala inglês. Por isso, leve um dicionário ou guia com frases básicas em italiano

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O que trazer


Artesanato

Erice é o paraíso das peças de cerâmica, com pratos e vasos pintados à mão que valem o peso na mala. Marionetes de cavaleiros medievais e do Pinóquio são facilmente encontradas, bem como lápis, brinquedos e objetos do personagem (ótimos para presentear as crianças). Taormina tem lojas com belos objetos de decoração de metal


Delícias

O licor limoncello e as balas, feitos de limão siciliano. Não dá para trazer canollis, mas você poderá substituí-los por marzipãs

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