Pessoas que não se conhecem, porém, com o mesmo drama para contar. Além de terem o dinheiro levado, restaram as lembranças dos momentos de tensão que passaram nas mãos de bandidos em assaltos distintos em dois bairros periféricos de Bauru. Em um dos crimes, as vítimas foram trancadas no banheiro e, além de ficarem sob a mira de um revólver, receberam ameaças de tortura com uma tesoura.
O primeiro roubo ocorreu anteontem por volta das 17h em um estabelecimento de venda de gás de cozinha, no Parque São Geraldo. O proprietário do local relatou que dois homens armados com revólver chegaram a pé e trancaram pai, filho e outros três funcionários dentro do banheiro.
“Eles ficaram pedindo a chave de um carro prata. Quando dissemos que não tínhamos a chave, eles deitaram um dos funcionários e colocaram a arma na cabeça dele. Ainda ameaçaram torturá-lo com uma tesoura”, conta o proprietário do estabelecimento, de 38 anos, que não quis se identificar.
O tal “carro prata” era um Palio de um promotor de vendas que estava no local. De acordo com o que a reportagem apurou, este funcionário fazia coleta de dinheiro em vários estabelecimentos e, por isso, os bandidos queriam o automóvel.
Enquanto as vítimas permaneciam trancadas, os bandidos roubaram um notebook e R$ 1,2 mil. Eles até conseguiram levar um Palio prata, porém, não era o veículo que queriam.
Após o assalto, as vítimas conseguiram arrombar a porta do banheiro e acionaram os policiais militares, que realizaram patrulhamento pelo bairro e encontraram o veículo estacionado na rua Edgal Aparecido Biondo, no Parque Jaraguá.
O Palio, com placas de Belo Horizonte, estava com as portas destrancadas, os vidros abertos e a chave no contato. Posteriormente, o carro foi guinchado até o Plantão da Polícia Civil e devolvido ao funcionário. Até o fechamento desta edição, os autores do roubo não foram localizados.
Segundo roubo
O segundo caso ocorreu duas horas depois, por volta das 19h, em uma loja de presentes no Jardim Chapadão. Da mesma maneira que ocorreu o primeiro assalto, neste caso, a vítima também foi abordada por dois homens, sendo que um deles portava um revólver.
Após ter rendido, o funcionário foi ameaçado pela dupla. Ele relatou aos policiais que os bandidos chegaram a pé e o obrigaram a entregar um celular e R$ 2.276,
em dinheiro.
A ação ocorreu rapidamente e os homens fugiram da mesma forma que chegaram: sem usar qualquer tipo de veículo. Eles também não foram localizados ou detidos.
Coincidência?
O tenente Vinícius Sayki, comandante interino da 4.ª Companhia da Polícia Militar (PM), responsável pelas regiões de ambos os assaltos, acredita que os dois crimes tenham sido ações isoladas. Questionado se as duas ocorrências indicariam uma possível migração da criminalidade para os bairros por conta da intensificação do policiamento no Centro, o tenente afirma que os números gerais não apontam esta realidade.
“Ainda não tem nenhum estudo neste sentido. Mas, se olharmos de maneira geral, não há esta migração. As grandes áreas comerciais continuam como os principais alvos”, conclui.