Polícia

Dupla rouba condomínio de casas

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Um casal de moradores de um condomínio residencial de Bauru viveu momentos de pânico no início da tarde de ontem, quando a casa da família foi invadida por dois homens armados. Outras quatro pessoas estavam no imóvel e também foram rendidas no momento em que um verdureiro descarregava mercadorias encomendadas pelo proprietário.

 

O assalto ocorreu por volta das 13h4

no condomínio, localizado na zona sul da cidade. Os criminosos entraram disfarçados de policial federal e pedreiro, e levaram mais de R$ 5

mil em joias, cinco relógios de pulso, dois aparelhos celulares e R$ 3

,

em dinheiro. 

 

As vítimas foram amarradas e trancadas em um quarto, mas ninguém ficou ferido. Acionada pelo proprietário, que conseguiu se soltar, a Polícia Militar (PM) mobilizou aproximadamente 13 viaturas, além do helicóptero Águia, para tentar encontrar os assaltantes. Eles fugiram no veículo do entregador de verduras e, até o fechamento desta edição, não haviam sido identificados.

 

Ainda não se sabe como os homens conseguiram entrar no residencial (leia mais abaixo). Segundo o tenente Vinicius Sayki, comandante interino 4ª Companhia da PM, eles aproveitaram que o portão lateral da residência estava aberto para invadir o imóvel. 

 

“Ao que tudo indica, a escolha da casa foi aleatória, uma questão de oportunidade. Aparentemente, eles não conheciam o proprietário, nem sabiam quais bens iriam encontrar”, comenta. O Jaguar e o Mercedes estacionados em frente à garagem sem grades da residência também podem ter ajudado a chamar a atenção dos ladrões.

 

Eles estavam armados com duas pistolas oxidadas e uma marreta. Um dos homens vestia uma camiseta preta com a inscrição “Polícia Federal” e o outro, luvas brancas e roupas com marcas de tinta e cimento.

 

Primeiro, eles renderam uma empregada doméstica, depois o verdureiro que descarregava mercadorias dentro da casa. Em seguida, foram rendidos o proprietário, a esposa, a sogra e outra empregada da família.

 

“O que estava com a camiseta da Polícia Federal dizia ‘é a polícia, fica quieto’. Ele disse que estavam lá para prender um homem que era procurado há oito meses. Só depois que percebemos que era um assalto”, revela o verdureiro. 

 

 

 

Amarrados

 

O proprietário da casa, que não quis conceder entrevista, disse apenas que os homens não foram violentos e agiram de maneira amadora. “Acredito que minha casa não tenha sido um alvo planejado. Eles estavam de cara limpa e tenho certeza de que a polícia irá encontrá-los”, observa.

 

Após a invasão, os moradores foram obrigados a entregar uma caixa com joias, além de relógios de pulso, celulares e dinheiro. Depois, todos que estavam na residência foram amarrados com lençóis e fita adesiva e trancados dentro de um quarto nos fundos, onde permaneceram por cerca de 45 minutos. 

 

Os ladrões tomaram a chaves da Saveiro do vendedor de verduras e saíram do condomínio pela portaria principal. O veículo foi abandonado a cerca de 7

metros de distância do residencial, no trecho de terra da avenida José Vicente Aiello, altura do Parque das Nações. 

 

A Polícia Científica esteve no local e coletou impressões digitais no automóvel, mas não revelou se foi possível detectar como os assaltantes deixaram a avenida - a pé ou ajudados por comparsas em outro carro. Conforme a descrição do proprietário, um deles era pardo, forte, com cerca de 1,75 metro de altura, 25 anos, olhos claros, cabelos escuros e curtos. O outro era branco, magro, com aproximadamente 1,7

metro, 35 anos e cavanhaque.

 

 

 

Polícia Civil apura como foi o acesso de ladrões à residência

 

A Polícia Civil ainda não sabe como os ladrões conseguiram entrar ontem no residencial, que conta com portarias monitoradas por câmeras e é protegido por cercas elétricas. Segundo análise inicial da Polícia Militar (PM), os criminosos podem ter entrado pela portaria, apoiados por funcionários que tinham autorização para ingressar no condomínio, ou conseguiram pular o muro.

 

Ontem, excepcionalmente, as cercas elétricas que circundam todo o perímetro do residencial estavam desligadas para a instalação de 3

novas câmeras com visão noturna. “A casa fica bem mais próxima ao muro do que às portarias e eles podem ter agido a partir de informações privilegiadas. Não seria uma tarefa tão difícil pular os muros com as cercas desligadas”, pondera o tenente Vinicius Sayki, comandante interino 4ª Companhia da PM. 

 

Outra possibilidade, menos arriscada e mais planejada, é que eles tenham entrado em um veículo com outras pessoas autorizadas pela portaria do condomínio. Por este motivo, o presidente da associação de moradores do residencial, Ivan Goffi, afirma que irá instaurar uma investigação paralela à da polícia.

 

Ele conta que o residencial, relativamente novo, conta com cerca de 8

imóveis em obras, que geram a circulação de um grande número de não moradores. “Calculo que cerca de 25

trabalhadores da construção civil entram e saem diariamente do condomínio. Vamos acionar os responsáveis pelas obras para saber quais deles foram trabalhar de manhã ou no início da tarde e não voltaram depois das 14h, quando o assalto aconteceu”, adianta.

 

Ele também destaca que as imagens gravadas pelas câmeras de segurança poderão ajudar a identificar suspeitos. “Embora as cercas estivessem desligadas, as novas câmeras no entorno já estavam funcionando. Caso eles tenham pulado o muro, certamente terão sido filmados”, observa.

 

 

 

Em um ano, pelo menos quatro residenciais foram invadidos

 

No último ano, além do residencial assaltado ontem, ao menos outros três condomínios de casas de alto padrão foram invadidos em Bauru. Além de um assalto registrado no início deste ano ano, no final de 2

11 uma casa situada em outro condomínio, na zona sudoesde de Bauru, foi furtada na madrugada enquanto os moradores dormiam. 

 

Foram levados dois notebooks, uma carteira com R$ 2

,

, dois Ipods e uma mochila com livros escolares. Há cerca de um ano, outro condomínio de casas na mesma região também foi alvo de furtos, mas em série. 

 

Na ocasião, puxaram a cerca de arame farpado que fica sobre o muro e adentraram pela lateral da propriedade, que fica bem ao lado de uma mata densa. Residências vazias foram invadidas e os moradores perderam grandes quantias em dinheiro, aparelhos eletrônicos como notebooks e celulares, joias, talões de cheque e até mesmo algumas armas.

 

Alguns dias depois, a Polícia Civil chegou até uma quadrilha especializada em furtar condomínios de luxo no Paraná e em cidades do Interior de São Paulo. Seus integrantes foram presos e responsabilizados pelo arrastão das nove residências em Bauru. 

 

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