Nove das 23 atividades da indústria da transformação pesquisadas no Índice de Preços ao Produtor (IPP) tiveram alta de preços em fevereiro na comparação com janeiro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os maiores aumentos foram verificados nas atividades industriais de Confecção de Artigos do Vestuário e Acessórios (2,17%) e Impressão (1,99%). Já as maiores quedas ocorreram em Fumo (-2,90%) e Outros Equipamentos de Transporte (-1,90%).
Os itens com maior influência negativa na taxa do IPP de fevereiro (-0,38%) foram Alimentos (-0,24 ponto porcentual), Outros Produtos Químicos (-0,11 ponto porcentual) e Outros Equipamentos de Transporte (-0,04 ponto porcentual). A maior pressão positiva foi de Perfumaria, Sabões e Produtos de Limpeza (0,03 ponto porcentual).
Preços dos alimentos
A queda nos preços dos alimentos foi a principal responsável pela deflação na indústria da transformação por três meses seguidos, informou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Índice de Preços ao Produtor (IPP) caiu 0,38% em fevereiro, após já ter recuado 0,43% em janeiro e 0,17% em dezembro de 2011.
"Um dos principais fatores para três quedas seguidas do IPP foi o setor de Alimentos, que veio com uma trajetória em 2010 com uma elevação muito grande nos preços. Isso continuou em 2011, só que veio perdendo força. De meados de 2011 para cá, nós vemos já uma trajetória negativa", lembrou Cristiano Santos, técnico da Coordenação de Indústria do IBGE.
O peso do setor de Alimentos é de cerca de 18% na formação da taxa do IPP, o maior entre as 23 atividades pesquisadas. "O peso varia um pouco, porque, segundo a metodologia da pesquisa, quando um setor sobe, ele ganha importância no indicador. Então a tendência é que esse impacto negativo de alimentos não seja tão significativo quanto antes. Mas vai ser importante, porque ele não vai deixar de ser o primeiro", afirmou Santos.
Em fevereiro, ficaram mais baratos na porta da fábrica as carnes de bovinos frescas ou refrigeradas, os sucos concentrados de laranja, o açúcar refinado de cana, e as carnes e miudezas de aves congeladas. A queda nos preços é explicada pelo excesso de oferta após a safra e pela redução da demanda externa por alguns produtos brasileiros.
"Alguns setores no mercado internacional estão demandando menos produtos. No mercado externo como um todo, o setor de alimentos vem sentindo uma queda de preços", disse o pesquisador do IBGE.