Lençóis Paulista - A produtora de celulose Lwarcel, empresa do Grupo Lwart localizada em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru), estuda ampliar a sua capacidade de produção das atuais 25
mil toneladas por ano para 1 milhão de toneladas com a implantação de nova linha de produção, no mesmo local da atual.
A companhia estima que a segunda linha de produção entre em operação em 2
16, após a aprovação do Conselho de Administração, esperada para a segunda metade do ano que vem. Uma projeção inicial do Grupo Lwart é de que os investimentos na ampliação sejam da ordem de R$ 2 bilhões.
“Na hipótese mais otimista, tudo correndo bem e com um cenário externo que não atrapalhe, a gente falaria em uma fábrica que partiria em 2
16. Dependendo do andamento do projeto, e nós somos conservadores... pode ser que fique para 2
17 ou 2
18”, afirma o presidente do Grupo Lwart, Carlos Renato Trecenti.
Entre as variáveis “externas” estaria a questão da crise europeia e o próprio mercado de celulose. “O excesso de capacidade é uma preocupação de todo o setor, mas esse processo é muito dinâmico. A gente vai observar o mercado (para decidir sobre o início das operações)”, declara Trecenti.
No final de fevereiro, a Lwarcel Celulose realizou uma audiência pública para apresentar à população de Lençóis o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) referentes ao licenciamento ambiental para a Ampliação Industrial e Agrícola.
Segundo a companhia, a licença ambiental é fundamental para a empresa planejar seu crescimento nos próximos anos e é o primeiro passo para o futuro projeto de ampliação. A celulose de fibra curta de eucalipto fabricada pela Lwarcel é utilizada como matéria-prima na produção de diversos tipos de papéis no Brasil e no exterior.
Benefícios
Além da nova linha de produção, o projeto também prevê o aumento da área de plantio da empresa, saindo dos atuais 38 mil hectares para chegar aos 9
mil hectares de florestas plantadas de eucalipto. Segundo a companhia, esta ampliação deve gerar desenvolvimento econômico e social, além de contribuir para a preservação das áreas nativas e dos mananciais.
A Lwarcel destaca ainda que a implantação do projeto deverá gerar aumento significativo da receita tributária do município, além de criar cerca de 5 mil novas vagas no pico da obra e por volta de mil postos de trabalho na fase de operação da fábrica. Hoje, a empresa emprega aproximadamente 1,5 mil funcionários próprios e terceiros. O grupo Lwart também controla a Lwart Lubrificantes e a Lwart Química.
A pedido da reportagem, o analista de Meio Ambiente e graduado em Gestão Ambiental, Sidney Aguiar, fez uma análise dos impactos ambientais e sociais que poderão decorrer desse plano de expansão. Ele lembra que, além de produzir celulose, a companhia atua no rerrefino de óleos lubrificantes usados.
“Problemas ambientais causados por resíduos de óleos costumam ser extremamente nocivos e deixar grandes passivos ambientais no meio ambiente”, diz.
“Analiso que a expansão da empresa que coleta e reprocessa (recicla) óleos lubrificantes usados por todo Brasil significa o emprego de tecnologias de ponta e um maior aproveitamento desse resíduo de extremo risco de poluição, que vai deixar de ser descartado em lugares inadequados”.
Aguiar também destaca os ganhos ambientais que essa ampliação poderá trazer à região. “Geralmente, no manejo de florestas comerciais, o desenvolvimento dos ciclos biológicos tende a ser mais intenso, o que traz como consequências positivas o equilíbrio dos microclimas locais. Isso favorece o equilíbrio dos ciclos hidrológicos, ocorrência e manutenção da fauna silvestre e, principalmente, a conservação dos solos”, afirma.