Política

Aterro sanitário de Bauru vai ter expansão na lateral

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Sem soluções definitivas para a destinação do lixo doméstico no município, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), com recursos da prefeitura, está licitando mais uma expansão do aterro sanitário em operação. Diferentemente das outras ampliações, essa será horizontal, em uma área de 3

mil metros quadrados, ao lado do aterro, que é cinco vezes maior.

 

As expansões anteriores foram verticais, com a liberação de novas camadas sobre as já existentes. No entanto, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) entende que esse tipo de operação já está saturada, pois culminaria em riscos de contaminação do solo.

 

Nesse sentido, a Emdurb desenvolveu projeto, aprovado pelo órgão ambiental, para garantir a ampliação na área livre ao lado do aterro. Para conseguir o aval da Cetesb, o município vai contratar uma empresa para aplicar o mesmo material utilizado na construção da lagoa de chorume.

 

Trata-se de uma geomembrana de PEAD, que tem função impermeabilizante para garantir, justamente, que não haja riscos de contaminação dos lençóis freáticos com a substância liberada pelo lixo. O edital de licitação foi publicado no Diário Oficial de Bauru (DOB) do dia 2

de março e estima custo de R$ 1,4 milhão. A Câmara Municipal autorizou, há duas semanas, o remanejo orçamentário para viabilizar a contratação.

 

Além disso, a própria Emdurb está trabalhando nos serviços de terraplanagem, a fim de preparar o solo para a obra de engenharia, além de se responsabilizar pela construção do sistema de drenagem do chorume, que deverá ser direcionado à lagoa já existente.

 

No entanto, a Emdurb corre contra o tempo. Isso porque a vida útil do aterro em operação é de apenas quatro meses. O presidente Nico Mondelli afirma que, após o fim do processo licitatório, as obras de ampliação devem ser concluídas em, no máximo, dois meses. Ele conta, portanto, com que nenhum imprevisto ocorra durante a concorrência pública. Caso contrário, um problema muito grande pode ser instaurado, se a área de ampliação não estiver apta para receber resíduos antes que o aterro chegue, de fato, a seu esgotamento.

 

 

 

34 meses. E depois?

 

O principal debate, porém, deve ser feito acerca do que será feito com o lixo doméstico de Bauru depois que estiver esgotada também a área expandida do aterro. Ela terá capacidade de receber, em média, 25

toneladas de resíduos durante dois anos e dez meses, mas já faz parte do plano encerramento do aterro sanitário de Bauru.

 

Na contramão dessa tendência, porém, a Emdurb deve contratar, em breve, os serviços de um pesômetro. O equipamento vai avaliar se o aterro ainda tem condições de receber novas camadas verticais sem causar prejuízos ambientais. “A Cetesb disse para a gente que se isso for possível, libera nova expansões”, pontuou Nico Mondelli.

 

No entanto, Rodrigo Agostinho (PMDB) admite que a expansão lateral já em licitação tem como objetivo dar mais tempo ao município em estudar alternativas para um futuro não muito distante.

 

 

 

Novo aterro

 

Uma das possibilidades é a construção de um novo aterro em área da Fazenda Pública do Estado de São Paulo, próxima ao Instituto Penal Agrícola (IPA). Nico Mondelli afirma que o município está em estágio avançado de tratativas para conseguir a concessão da área de 1 milhão de metros quadrados junto ao Estado. “A partir dessa liberação, nós teremos como fazer o projeto para um novo aterro, que terá vida útil superior a 4

anos”, pontuou.

 

O presidente da Emdurb afirma que o governo municipal vai dar prioridade à construção de um local próprio para a destinação do lixo, pois fica refém dos preços praticados pela iniciativa privada, mais precisamente do aterro que está sendo construído na cidade de Piratininga.

 

No entanto, Nico diz não ter ainda dimensão dos custos para a construção de um novo aterro em Bauru, o que dependeria da elaboração do projeto. O presidente da Emdurb ressalta ainda que a mão de obra das penitenciárias poderia ser utilizada na triagem do lixo, já visando práticas mais sustentáveis.

 

 

 

Resíduos sólidos

 

O tempo para soluções do problema de destinação do lixo é curto. Para os municípios, entrará em vigor, em 2

14, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PRNS). As diretrizes mudam a prática atual e não vão permitir que sejam enterrados materiais inorgânicos. 

 

Nesse sentido, o prefeito Rodrigo Agostinho reservou R$ 4

mil no orçamento para a contratação de um estudo que vai analisar o perfil do lixo em Bauru e região. O objetivo é medir se o volume o tipo de lixo produzido na cidade e nos municípios vizinhos suportariam a construção de uma usina que processe o material para que sejam enterrados apenas os rejeitos, que são os materiais que não têm como ser aproveitados nem para reciclagem nem queimados para a produção de energia.

 

No entanto, esse estudo ainda não foi licitado e o projeto de uma usina ainda é muito distante, pois não há informações concretas acerca de valores nem de modelagem por enquanto. Segundo Agostinho, as usinas já são utilizadas na Europa, nos Estados Unidos e no Japão. 

 

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