Ele é conhecido pelo sobrenome “Caçador”, mas é a pescaria que corre nas veias como hobby e herança de família, além de render, já há 7 anos, o programa “Pescando com Caçador” na TVCOM Bauru. E como bom pescador que é, Oneir Aparecido Caçador não abre mão de contar velhas e boas histórias.
“Eu tenho raízes de pescador. Me pai, Osvaldinho Caçador, pegava 50 quilos de lambari no anzol. Era uma máquina de pescar. Na minha casa não tem jeito, a gente nasceu pescando e meu pai tinha prazer em ensinar as pessoas”, recorda-se.
Atual gerente de vendas corporativas na Felivel e trabalhando com veículos da Volkswagen há 37 anos, ele tem no currículo a venda de mais de 10 mil carros. “Também já trabalhei como jornalista. Eu tinha uma coluna com o nome “Canto da Viola”, uma empresa que está aberta até hoje e era minha empresa de eventos. Eu vivi grandes eventos e grandes shows”, conta.
E com a música, Caçador fez muitos amigos, como a dupla Chitãozinho e Xororó, que ainda faz questão de frequentar a casa do bauruense sempre que pode em animadas violadas. Estas e muitas outras histórias você acompanha a seguir.
JC – O Caçador também é um pescador. O programa ‘Pescando com o Caçador’ foi ideia sua?
Caçador – Na verdade começou como uma brincadeira. Eu tenho as raízes de pescador. Me pai, Osvaldinho Caçador, pegava 50 quilos de lambari no anzol. Era uma máquina de pescar. Não há um pescador de lambari com a pureza da alma que ele tinha. Na minha casa não tem jeito, a gente nasceu pescando e meu pai tinha prazer em ensinar as pessoas. Contudo, nunca fui um grande pescador, e sim uma pessoa que gosta muito de pescar. Um belo dia, na Baurucar, chegou um amigo e me fez o convite para fazer um programa de TV sobre pesca. A notícia do convite se espalhou e outro amigo me deu a ideia do nome “Pescando com o Caçador”. Fiquei com aquilo na cabeça. E, quando pesco, eu sempre me pego, e outras pessoas já me flagraram, conversando com meu pai. Percebi que aquilo não era por acaso e aceitei. E o programa tem suas peculiaridades.
JC – Quais?
Caçador – Estou no ar há cerca de 7 anos. O objetivo do programa é fazer pesqueiro para mostrar que é possível pescar em família. Pescar também é um programa para crianças, idosos e todo mundo. Mostramos isso, além de entrevistas com quem está na beira do rio, dicas de pescaria, tralhas e receitas culinárias. O programa é encerrado ao som de uma dupla sertaneja, dessas que não têm espaço em lugar nenhum, mas no meu programa, sim.
JC – Hoje é o Dia da Mentira, e não dá para deixar de associar o pescador com tal data. O que você me diz a respeito (risos)?
Caçador – (Risos) Há a disputa pela melhor pescaria, maior peixe e melhor história. Tem aquele pescador que conta a verdade aumentada e aquele que não quer ficar por baixo e conta uma boa mentira.
JC – (Risos) Em qual dos perfis você se enquadra?
Caçador – (Risos) Gosto de mostrar a realidade, brincar com ela e, às vezes, fazê-la virar piada. Tenho duas boas piadas que aconteceram de fato. Meu pai, certa vez, foi pescar no Rio Paranapanema e lá correu a notícia de que ele era campeão na pesca. Um japonês do lugar veio até ele e o chamou para uma aposta. Meu pai aceitou e lá se foi uma hora de pescaria. Na contagem dos peixes, meu pai pegou um a mais. O japonês não conformado disse que queria revanche. Meu pai disse que tudo bem, porém, disse que da próxima vez ele usaria iscas (risos). Ele pegava mais peixe sem isca do que com, principalmente o lambari. Ele era um estudioso da pescaria. A outra brincadeira envolve tatu.
JC – Um pescador de tatu?
Caçador – (Risos) Mais ou menos isso. Eu era bem jovem, devia ter uns 20 anos, e todo fim de semana pescava com amigos em um rancho na beira do Rio Batalha. Tinha um amigo nosso, o Canguçu, que encostava no tronco de uma árvore com um cobertor, amarrava a vara na perca entre uma forquilha e dormia. Quando o peixe fisgava, puxava a perna dele e ele acordava. Um belo dia, conseguimos pegar um tatu, amarramos na linha dele e colocamos o bicho na água. O tatu puxou a perna dele e ele ficou desesperado tentando pegar aquele peixe grande. Quando ele pegou, nós fingimos admiração e espanto. E ele, para nossa alegria de pescador, disse que era sorte estarmos lá perto, porque aquele já era o terceiro tatu que ele havia pescado (risos).
JC – Qual foi a sua melhor pescaria?
Caçador – Quando eu era mais jovem eu estava pescando no Rio Paranapanema como debutante na pesca de piapara, um peixe muito difícil de ser fisgado. Tive muito sucesso. Peguei cerca de 50 peixes em um único dia. Mas não gosto muito de lembrar desse dia porque eu não gosto de levar os peixes embora. Solto todos. Mas naquele dia eu levei todos para casa.
JC – Você não come os peixes que pesca?
Caçador - Hoje eu só consigo comer peixe em restaurantes. Desde que comecei o programa eu não consigo mais pescar para comer. Seria como comer o meu cachorrinho lá em casa. Eu já pesquei em mais de 200 lugares, mas a pescaria mais marcante aconteceu em um pesqueiro. Isso foi recentemente, no Córrego das Antas. Fiquei fragilizado diante do peixe. Tirá-lo da água exige força e habilidade. Peguei um tambaqui de 40 quilos com a ajuda de amigos, mas percebi que é preciso estar preparado para lidar com esse tipo de animal para não machucá-lo.
JC – E como você começou a vender automóveis?
Caçador – Estou na rede há 37 anos. Havia casado e não queria fazer nada do que eu havia feito antes. Bom, casei-me e pedi a conta do trabalho, eu era gerente de vendas em uma empresa de celulose. Minha esposa nem sabia que eu estava desempregado. Paguei dois anos do aluguel, fiz uma compra para uns três meses e partimos para a lua de mel. Na volta, eu saía de casa diariamente em busca de um novo emprego. Gastei tudo o que eu tinha com a viagem. Voltei quebrado. Fui na Baurucar e encontrei com o Jonas Campos Sales. Ele me perguntou o que eu estava fazendo e me chamou para vender carros. Sentei em uma mesa e vendi um carro no primeiro dia, com ajuda dos outros, mais vendi. O pessoal ficou admirado e ganhei o lugar. Ao longo da carreira como vendedor eu vendi mais de 10 mil veículos.
JC – Mas você também já foi colunista de jornal, certo?
Caçador – Trabalhei como jornalista por cerca de 20 anos. Dez deles como colunista do antigo Diário de Bauru. A coluna tinha o nome de “Canto da Viola”, uma empresa que está aberta até hoje e era minha empresa de eventos. Eu vivi grandes eventos e grandes shows. Eu ficava em São Paulo ao menos uma vez por semana por causa da venda dos shows.
JC – Aqueles anos deixaram saudade?
Caçador – Ah, sim. E as histórias são muitas. Para você ter ideia, no início, eu cheguei a dar roupas minhas para as duplas Leandro e Leonardo e Chitãozinho e Xororó. Minha esposa os levava para a farmácia e tudo mais o que precisasse. Eu e minha mulher vivemos violentamente os primeiros anos dessas duplas e de muitas outras. A minha casa foi casa de artista. O pessoal fazia churrasco e festas...Vivenciei a explosão da música sertaneja e tenho histórias que não podem ser contados no jornal (risos). A música também fez parte da vida da minha família com a dupla formada por meus filhos.
JC – Conte um pouco dessa história...
Caçador – Aos 9 e 10 anos de idade, meus filhos formaram uma dupla sertaneja que, a princípio, se chamou “Do Reino e Da Terra” e, por sugestão dos cantores Leandro e Leonardo, passou para Júnior e Juliano. Estávamos juntos dentro de um jatinho quando o Leandro disse que gostaria de ajudar meus filhos. Leonardo concordou, mas disse que precisaria mudar os nomes. Eu não queria porque eles faziam sucesso onde passaram. Chegaram a ficar sem roupa na praça. Eles usavam roupa com velcro e as meninas arrancavam. Até que, quando gravaram o primeiro CD, mudamos o nome. Mas no dia em que o CD saiu, o Leandro morreu. Depois disso, Leonardo lançou dois meninos da família e não podia mais apoiar meus filhos. Eles também estavam em época de vestibular e pararam de cantar para fazer veterinária. Cantaram por mais de uma década, mas, essa foi a opção deles.
JC – E o que restou desse seu passado musical?
Caçador – Eu parei totalmente. Mas fiquei com amizades que valem mais do que dinheiro. Não tenho mais contato como antes porque não os procuro e eles mudam muito de telefone, por segurança. Recentemente, por exemplo, aconteceu uma coisa interessante em um show de Chitãozinho e Xororó, na Sagae. Fui até o camarim falar com eles e o segurança me barrou. Porém, quando eles me viram, foi aquela alegria. Conclusão: depois do show terminamos a conversa na casa do meu filho. Mas o tempo passa e tenho muitos compromissos por causa da gerência da Felivel.
JC – Você tem novos projetos já na ponta do anzol?
Caçador – Sim. Tenho projetos em todos os setores da minha vida. Tenho um que envolve o campo da pescaria e o programa na TV. Será um projeto social com crianças. Levá-las para pescar é o intuito. Isso ajudaria a afastar as crianças das drogas e seria feito através de um concurso cultural dentro das escolas. Já tenho alguns parceiros e falta apenas o dinheiro para a produção do programa. E no âmbito pessoal, meu plano é passar mais tempo com a família. Sou muito feliz com a família que eu tenho e com minha esposa que é fantástica, uma companheira das melhores.