
Wanderson Castilho é especialista em segurança eletrônica e investigação de crimes e fraudes via internet. No Brasil, ele também é pioneiro no uso da técnica de detecção de mentiras pela análise das microexpressões faciais e garante que não é difícil saber quando alguém está mentido.
“Digo isso baseado em meus 13 anos de experiência no combate ao crime. A mentira é o alicerce de qualquer crime. E para detectar onde está a mentira, basta dominar o padrão de comportamento humano. Quando mente, o ser humano muda seu padrão de comportamento”, afirma.
Olhos piscando, olhar fixo, paradas para pensar nas respostas, puxar levemente os lábios para o lado e coçadinhas no nariz ou na boca normalmente são indícios de que as palavras ditas naquele momento não são verdadeiras.
“Quando mentimos, saímos da área de conforto e nosso cérebro precisa criar algo para convencer o outro. O ser humano não aceita negação e a mentira é um não. Nesse caso, o próprio cérebro não aceita a mentira e o corpo do mentiroso mostra isso através de sinais”, acrescenta Castilho.
Colocar as mãos no bolso em uma conversa também pode ser sinônimo de mentira. Mas vale lembrar que tudo depende do contexto, já que tal gesto também pode significar apenas uma ação de conforto. “Quando alguém chega até você e diz estar surpresa com ênfase, mas demora para levantar os braços ou sorrir, certamente ela não está tão feliz assim em te ver. A surpresa é bem rápida e não tolera segundos modificar o corpo todo”.
Outra observação do especialista em detecção de mentiras é o convencimento. Segundo Castilho, a verdade apenas precisa ser transmitida. Já a mentira precisa de argumentos de convencimento. “O convencimento é o principal ponto de uma mentira”, finaliza.
Livro
Para narrar como aplica a técnica de detecção de mentiras Wanderson Castilho escreveu o livro “Mentira, um rosto de muitas faces”, uma introdução à técnica de detecção de mentiras. O livro conta o sabor e o suspense de boas histórias de detetives e explica como ficar face a face com alguém que tem o intuito de enganar.
As pessoas aprendem a mentir como ‘forma de defesa’, diz psicoterapeuta
Há quem acredite que mentir faz parte da natureza humana. Contudo, segundo especialistas, o que faz parte da natureza humana é se defender para evitar dificuldades reais e esquivar-se para se defender de dificuldades imaginárias.
“As pessoas aprendem a mentir como forma de defesa”, afirma Arnaldo Vicente, presidente da Associação Brasileira de Psicoterapia Cognitiva e coordenador do Centro de Terapia Cognitiva (CTC) de Bauru.
Segundo Arnaldo, as pessoas mentem porque imaginam e acreditam que, ao dizer uma determinada verdade, serão maltratadas em um nível insuportável. “Elas querem evitar o mal-estar individual e dos outros”.
Seguindo esse pensamento, a mentira é considerada uma estratégia de defesa e é usada para evitar críticas, acusações, rejeições ou punições. Como, por exemplo, uma pessoa que mente ao imaginar que pode perder a carteira de habilitação ao admitir que bebeu além da conta.
Em outros casos, ainda de acordo com Arnaldo, o indivíduo pode mentir para ganhar tempo e depois avaliar se haverá a necessidade de revelar a verdade. Nesse caso, ele cuida para que não haja grandes prejuízos para si ou para os demais envolvidos na história.