Dona Ilda Rodrigues da Silva, 74 anos, fez de seu quintal um “pedaço” da roça, onde viveu até pouco tempo. Faz 10 anos que ela mora na área urbana. Na casa em Reginópolis, ela usa todos os espaços livres para o cultivo de hortaliças, ervas medicinais e criação de aves.
O resultado do “empreendedorismo” é que, diariamente, dona Ilda tem dinheiro em caixa. Ainda que alguns possam dizer que é pouco, para ela é muito, uma vez que vem acompanhado de bom papo, novas amizades e uma dose de carinho.
“No ano passado, fiz uma cirurgia de intestino e me recuperei rápido. Visitas não faltaram. Todos os meus fregueses vieram me ver”, comenta, honrada, a mulher. Segundo ela, desde que se aposentou, passou a viver em Reginópolis, onde também mora a maioria de seus filhos e parentes. “Tive 15 filhos, alguns moram aqui, outros em Mato Grosso e Bariri.”
Ela recorda com saudade da vida na roça. “Sempre trabalhei na roça. Cuidava de horta, animais e aves. Aqui não consigo ficar parada. No momento, está faltando um fogão a lenha para eu cozinhar. Meu filho prometeu que vai construir. Só assim terei como fazer sabão do meu jeito. Tenho feito no fogo a gás, mas não fica igual.”
Para contemplar as necessidades de se sentir na roça, dona Ilda mantém um verdadeiro “ritual”. Acorda às 5h, faz comida e apronta a marmita do filho caçula, que trabalha em um seringal próximo. Depois do café coado no saco de pano, ela vai para a “minirroça” cuidar dos repolhos, alface, quiabo e tantas outras hortaliças que “povoam” seus canteiros.
O milho das galinhas, que misturado à ração e serve de alimento para aves é distribuído ao mesmo tempo em que a água é trocada. “São sete galinhas botadeiras. Todo dia recolho ovos caipira, aqueles que têm a gema amarelo-ouro”, diz dona Ilda com seu linguajar simples.
Ela explica que o bolo, a gemada e o quindim confeccionados com ovos caipira ganham nova cor. “Esses ovos são mais fortes”, avisa. Na horta, ela mantém canteiros de várias hortaliças, dentre elas, repolho, cebolinha, alface, rúcula, chicória, dependendo da época do ano. “Vou começar a semear alface. Eu semeio, cultivo e vendo”.
Os fregueses dela levam as hortaliças e, de quebra, a receitinha. “Quiabo com frango é muito bom. Se for frango caipira, então, é ainda melhor”, ensina.
Para quem é chegado num “chazinho”, a horta da dona Ilda reserva alecrim, erva-cidreira e hortelã. “Tem ainda cânfora para contusões, poejo para tosse e arruda que cada um usa para uma determinada coisa.”