Em dia de três reuniões partidárias, de muitas conversas de bastidores e cafés nada despretensiosos, o tom dos discursos que serão correntes durante o período eleitoral que se aproxima começou a ser ouvido em vários cantos de Bauru.
Em meio a avaliações de pré-candidatos e muitas, muitas contas, o recém-criado PSD oficializou coligação com o PV, no final da tarde de ontem.
Um pouco antes, o presidente do PRP local, Mizael dos Santos, participava da reunião do PMDB. Ao que tudo indica, estarão juntos na proporcional.
As coligações com partidos menores são claramente vantajosas. Graças a elas, partidos grandes conseguem lançar mais nomes na eleição. Com a união, ao todo, 34 são apresentados. Sem ela, no caso de uma chapa pura, 24.
“Seria mais para compor conosco porque o PMDB tem em torno de 28 a 30 pré-candidatos a vereador. O PRP tem um ou dois nomes. Deixamos aberta a possibilidade de avançar com partidos da base do prefeito com possíveis coligações na proporcional também. Ainda há grande condição de estarmos coligados com outros partidos da base”, explica Renato Purini, presidente do PMDB local.
No entanto, ele ressalta que foi descartada, praticamente por unanimidade, a possibilidade de um “chapão”, aventada na semana passada. “A ideia é fazermos coligações de forma que a gente consiga o maior número de vereadores para que, reeleito, o Rodrigo tenha uma boa bancada na Câmara”, acrescenta.
Uma reunião está prevista para quarta-feira, quando as listas de pré-candidatos a vereador serão discutidas e, futuramente, definidas. “Vamos fazer um mapa”, comenta.
Vaga possível
Já o presidente do PSD em Bauru, Toninho Correa, foi enfático ao revelar que o apoio ao PV foi decidido por uma questão estratégica. De acordo com ele, o partido de Gazzetta foi o único que ofereceu reais chances de o PSD conquistar uma cadeira no Legislativo.O partido é recém-formado e o que temos condições de disputar, neste momento, é uma vaga na Câmara. Esta é a nossa prioridade. Tínhamos conversado com o PMDB, mas eles não ofereceram nada que nos ajudasse a eleger um representante no Legislativo”, frisa. O PSD conta com aproximadamente 25 pré-candidatos na cidade, mas ainda fará uma seleção para lançar entre 10 e 13 nomes às eleições municipais.
Argumentos prós e contras começam a ser definidos para traçar estratégias
As reuniões partidárias de ontem também deram uma “palhinha” de como serão os discursos durante o pleito de outubro. No encontro do Democratas, a pré-candidata ao Executivo, Chiara Ranieri, reiterou o que já pode ser visto nos embates nas sessões legislativas: críticas à precariedade do Departamento de Água e Esgoto (DAE), à falta de tratamento de esgoto serão “carros-chefes” contra Rodrigo Agostinho (PMDB), que tentará a reeleição.
Para ela, problemas antigos nas áreas de educação e saúde também estão sem solução. Deu números ainda da quantidade de munícipes que conviverão com a frustração de não contarem com asfalto em frente de casa.
Segundo ela, a cidade conta hoje com mais de duas mil quadras sem pavimento.
“Embora creches foram entregues, ainda não atendem a demanda”, expôs para cerca de 30 filiados. Seminários
Seminários
Quase simultaneamente, na reunião do PMDB, ficava definido que o partido fará seminários para mostrar aos pré-candidatos tudo o que foi feito durante a gestão de Rodrigo. “A gente é muito ruim de propaganda. Vamos discutir de forma mais aprofundada para que todos saibam as ações”, ressalta.
Uma das áreas destacadas foi justamente a educação. “Só neste ano foram 18 escolas reformadas e ampliadas. No governo todo, 40. Todas as crianças com uniforme de frio, calor, quite escolar completo.
Já o grupo do DEM defende que o DAE vá para a Sabesp”, comentou. Disse que até o final do ano, a prefeitura resolverá o problema do tratamento do esgoto sem a empresa estatal que, se assumisse o trabalho, ficaria com a autarquia e elevaria as tarifas em cinco vezes. A “briga” já começou.
PSD fortalece PV, afirma Gazzetta
O pré-candidato pelo PV, Clodoaldo Gazzetta afirma que a aproximação entre o PV e o PSD ganhou força nos últimos três meses.
O PSD, partido de Gilberto Kassab, também mantinha diálogo com o PMDB, mas acabou anunciando a aliança com os verdes.
Com o apoio, o pré-candidato do PV defende que sua candidatura ganha força política, já que o PSD conta com a terceira maior bancada no Congresso Nacional e tem, entre seus representantes, nomes conhecidos no Estado, como o próprio Kassab.
“A gente já contava com apoio verbal do PHS e do PPS, sendo que este último indicaria nosso vice. Agora, o PSD vem para compor tanto na majoritária quanto na proporcional, para ajudar nos a eleger uma bancada de três vereadores na Câmara Municipal”, comenta Gazzetta, adiantando que o PV ainda sonda compor com outros partidos menores, cujas siglas ele preferiu não revelar.
Verde não descarta ser o vice de Chiara
Pré-candidato do PV a prefeitura de Bauru, Clodoaldo Gazzetta não descarta lançar-se como vice de Chiara Ranieri caso avançarem as conversas da legenda com o DEM. A informação já havia sido destacada.
A análise de Gazzeta, no entanto, é de que a coligação teria mais chances de vencer as eleições se ele permanecesse como cabeça de chapa.
“Neste momento, não dá para abrir mão disto, pelo desempenho que o PV teve nas últimas eleições e pelo que as pesquisas apontam hoje. Mas nada está descartado. Podemos levar esta aliança adiante se o outro candidato mostrar melhor desempenho nas pesquisas do que o nosso”, adianta.
DEM aguarda a posição dos tucanos
Embora o presidente do PSDB de Bauru, Marcelo Borges, não negue que em política tudo é possível, reiterou ontem que o partido ainda trabalha para ter candidatura própria ao Executivo. A eventual aproximação com o DEM será discutida nesta ou na próxima semana, conforme ele e o deputado Pedro Tobias ressaltaram. Enquanto isso, durante a reunião do DEM, a pré-candidata ao executivo Chiara Ranieri destacou aos cerca de 30 presentes a importância das coligações, especialmente com o PSDB.
Ressaltou as obras tucanas realizadas na cidade, a importância de ter o governador do estado ao lado, além do deputado Pedro Tobias e do próprio partido, que é grande. No entanto, com ou sem apoio do PSDB, ela não retirará sua pré-candidatura, garante Dudu Raneiri, presidente local do DEM e pai dela. “Mas Chiara não ficará sozinha não. Temos dois ou três partidos. O PV, por exemplo, é bem próximo”, afirma.