Pais de crianças pequenas podem adiar boas conversas por semanas. Depois da morte do brasileiro em Sidney, ainda aconteceu outra, de um usuário de cocaína que amedrontava a companheira e ameaçava se suicidar. É como disse meu marido: a imprensa cria reportagens tendenciosas para a população desavisada passar a reprovar o uso dessa arma considerada de baixa letalidade.
Sem dúvida, a polícia precisa receber treinamento adequado para cada tipo de arma usada em seu trabalho. Hoje, todos já sabemos que uma descarga de 3 a 5 segundos é suficiente para imobilizar uma pessoa, não há necessidade de um segundo ou terceiro disparo como pode ter acontecido em Sidney. Da mesma forma, armas mais pesadas requerem treinamento constante em estandes de tiro, sem economia de munição. Até para o policial saber escolher o melhor equipamento para cada situação, e não usar uma submetralhadora contra um sequestrador atrás do seu refém.
O fato é que justamente essas armas consideradas de baixa letalidade são as mais adequadas para preservar a ordem, pelo menos nas situações onde ocorreram os dois óbitos. O brasileiro de Sidney não estava armado, mas estava alcoolizado e havia furtado um objeto de uma loja. Se eu fosse a lojista, também chamaria a polícia. E o usuário de cocaína, se não tivesse sido contido com o taser, poderia ter se matado como poderia ter matado alguém. E se tivesse matado alguém, a televisão diria que os policiais, na ocasião, deveriam ter agido de forma mais repressiva.
Vale lembrar que foi uma ação efetiva de policiamento armado o que devolveu a cidade do Rio de Janeiro aos seus habitantes de bem. Assim, o que pode ser urgente agora não é a inibição do uso de armas, é treinamento e remuneração para os policiais.
Cláudia Fukumoto Uehara