Você sabia que a Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica S/A) nasceu na avenida Rodrigues Alves, aqui em nossa Bauru? Não sabia? Pois é a mais pura realidade. E olha que a fonte dessa informação é segura e vem justamente de seu fundador, o bauruense Ozires Silva. No livro Cartas a um empreendedor, Ozires conta que ele e seu amigo de ideal Zico reuniam-se em um banco na avenida Rodrigues Alves para darem vazão ao sonho de tornarem-se pilotos. Estudavam e sonhavam juntos. Conseguiram após muito empenho passarem na prova que os transformaria em oficiais do Ar e, assim, seguiram então o caminho dos céus. Zico teve sua vida abreviada por um acidente aéreo. Aliás, é com muita emoção que Ozires Silva narra esse episódio no livro. Conta que certa vez chegou à casa do amigo para matar a saudade e no meio da conversa Zico disse: "Sonhei que um de nós dois voltava para Bauru carregando o corpo do outro". Ozires perguntou: Qual de nós dois? Zico não soube responder. Alguns meses depois Ozires tinha a resposta, pois um avião pousaria em São Paulo em breves minutos para apanhá-lo a fim de que levasse o corpo do amigo para Bauru. O sonho de Zico fora uma premonição. No entanto, Ozires conta que graças a essa amizade ele seguiu adiante e em alguns anos nascia a Embraer, orgulho de todos os brasileiros. Ela começou em Bauru. Fruto de um sonho. Um sonho que se materializou, um sonho que foi sendo construído ao longo dos anos. Imagine se Ozires não sonhasse? Mais: imagine se Ozires sonhasse mas não levasse adiante seu sonho? Obviamente não teríamos a Embraer. No banco da avenida Rodrigues Alves, Ozires e Zico certamente não tinham ideia de onde poderiam chegar. Mas sonharam, e como sonharam, e com os sonhos literalmente voaram e chegaram aos céus das realizações. Este fato nos mostra a importância de sonharmos, imaginarmos e, mais ainda, buscarmos realizar nossos sonhos. Se hoje o ser humano goza de inúmeros benefícios em tantas áreas do conhecimento humano foi porque se permitiu sonhar e viajar pelo país da imaginação. Quantas invenções, vacinas e inovações saíram de sonhadores? Todo realizador é, indubitavelmente alguém que sonha... Ah, como são belos nossos sonhos e como é bela a corrida por realizá-los.
E se não conseguirmos? E se fracassarmos? E a frustração? Como lidar com o sonho que não se realiza? Eis, então, que nada é perdido e nenhum esforço desperdiçado. Mesmo que não atingirmos nossos sonhos teremos aprendido muitas coisas ao buscá-los. O que complica é quando ficamos sentados, inertes e acomodados em nossa cadeira existencial. Sem nos levantarmos e irmos a luta nada acontecerá. Ozires e Zico sonharam e foram longe, muito longe... literalmente atingiram os céus. Guardadas as devidas proporções nós também podemos atingir os céus. Mas para isso o essencial é voar, ou melhor, sonhar e, sobretudo, decolar para tornar esse sonho realidade. O que temos a perder com isso? Nada, absolutamente nada. Só temos a ganhar, mesmo que seja experiência, mas só temos a ganhar. Pensemos nisso.
O autor, Wellington Balbo, é colaborador de Opinião