Tribuna do Leitor

Reforma ortográfica questionada


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Quero primeiramente dizer que não sou contra nem a favor da Reforma Ortográfica. Contudo, ela ensejou um despertar da curiosidade dos falantes brasileiros sobre como "ficaria" a nossa língua por aqui; tão maltratada e ignorada em sua beleza expressiva, para dizer o mínimo. Mas é curiosa essa postura do professor Paquale. Em sua coleção, recentemente lançada, "Professor Pasquale explica", na apresentação do volume dedicado à Reforma Ortográfica, diz que ela modifica aproximadamente 0,5% do vocabulário brasileiro". Ora, qualquer dos bons minidicionários recém-lançados conta com no mínimo 30.000 palavras, as mais usuais da língua. Portanto, a quixotesca investida desses professores contra a ABL seria por conta de menos de 1.500 palavras, se é que chega a tanto. O que passar disso consta nos bons dicionários como o Aurélio e o Houaiss. O susto que a Reforma deu não resulta tanto das tais complicadas regras, mas do fato de sermos um povo pouco afeito à leitura e inertes diante do dicionário, injustamente tachado de "pai dos burros" pelos que ignoram sua importância.


Nivaldo Aranda

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