João Rosan |
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Na zona sul, polícia tem recebido muitos chamados sobre perturbação do sossego |
Brigas, ameaças, apreensão de drogas, armas, jogos de azar e perturbação do sossego. A lista de ocorrências registradas pela Polícia Militar em bares de Bauru é grande e já foi entregue à Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan). Entre janeiro e dezembro de 2011 foram registradas 170 notificações em estabelecimentos da cidade, o que representa uma média de um bar advertido a cada dois dias pela PM. A região Centro-sul aparece como a campeã em registros, com 35% dos alertas, sendo a perturbação do sossego a responsável pela maioria dos casos.
“Somos estigmatizados. Todos os segmentos são vítimas desses tipos de ocorrências, mas é mais fácil culpar os bares pelos problemas sociais”, aponta o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes e Bares, Carlos Momesso.
O relatório entregue pela Polícia Militar à Seplan é resultado de um balanço anual feito para estudo e elaboração de estratégias para atuação das equipes de fiscalização nos bares do município.
As 170 notificações referem-se ao total de ocorrências em Bauru no ano passado, o que inclui a reincidência de registros em um mesmo bar. Porém, o número de notificações também não descarta as situações em que os estabelecimentos são vítimas, como nos casos de furto e assalto.
De acordo com informações prestadas pelo coordenador operacional do 4.º BPM-I, major Flávio Jun Kitazume, os bares da região Centro-sul foram os campeões em notificações. Das 170 autuações registradas, 35% estão localizadas nessa área.
Entre as principais ocorrências registradas, 20% representam perturbação do sossego da vizinhança e o restante é dividido entre casos envolvendo desentendimentos, lesão corporal, apreensão de jogos de azar, armas, entorpecentes e outros objetos.
Barulho
Segundo o major Kitazume, esses bares, em sua maioria, são identificados como lanchonetes e não seriam atingidos pela lei municipal que estabelece horário de funcionamento.
Apesar de reconhecer que alguns estabelecimentos fogem às regras e infringem as leis quanto a horários e barulho, o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes e Bares, Carlos Momesso, enfatiza que os bares não seriam os vilões sociais como pregam os números no relatório.
“Nós pagamos impostos e geramos empregos para a cidade, mas acabamos sendo vistos como vilões por conta do comércio de bebidas alcoólicas. A apreensão de drogas e o som alto existem em todos os lugares, não só nos bares”, reclama Momesso.
Para o titular da Seplan, Rodrigo Said, não existem meios de fugir das reclamações dos moradores, e os estabelecimento, devem se adequar às normas e regras estipuladas.
“Os moradores registram as ocorrências e solicitam providências. Os bares devem ter a consciência de que estão sujeitos a esse tipo de denúncia por conta da própria atividade. Temos uma lei municipal que estipula os horários e a tolerância do som que devem ser praticados”, ressalta Said.
Jogos de azar e lesão corporal
Assim como as regiões Centro e sul, as demais áreas da cidade também registram casos de perturbação do sossego. Entretanto, conforme ressalta a Polícia Militar, o fato de alguns bares estarem localizados em regiões periféricas, de difícil fiscalização, facilitam atividades ligadas ao crime.
Nas regiões oeste e noroeste da cidade, por exemplo, foram registradas 49 notificações no ano passado, e as principais ocorrências envolveram jogos de azar, apreensão de drogas, cigarros contrabandeados e lesão corporal.
Em terceiro lugar, e com ocorrências da mesma natureza que as regiões oeste e noroeste, aparecem as áreas norte e parte da região leste de Bauru, com 40 notificações emitidas pela PM, sendo a apreensão de drogas e jogos de azar os principais problemas.
A última da lista e com menor incidência de casos envolvendo os bares foi a região sudeste, compreendida entre o Distrito Industrial, Jardim Carolina e Jardim Redentor, somando 21 registros na Polícia Militar em 2011. Os casos nos estabelecimentos autuados nessas áreas compreenderam jogos de azar, com 20% do total, e lesão corporal, com 25%.
Som alto é principal reclamação de moradores
Para o morador da zona sul de Bauru Marco Antônio de Bartolo, a fiscalização por parte dos órgãos públicos, apesar de existir, deveria ser mais efetiva quanto a perturbação de sossego provocada por clientes nos estabelecimentos localizados em bairros residenciais.
“Chega uma determinada hora do dia, no final de semana, em que eles ligam o som e a altura do funk domina as casas da vizinhança. Eles até respeitam o horário de fechamento, mas para nós fica complicado descansar desse jeito. O pessoal fica rondando as casas por aqui pedindo dinheiro para beber”, rebate Bartolo, morador das proximidades de três bares na zona sul.
A ex-proprietária de um bar no Jardim Brasil e atual vizinha de outro na zona sul, Creuza Coneglian, entretanto, discorda de Bartolo. Para ela, o funcionamento do bar traz segurança para a vizinhança.
“O pessoal que frequenta aqui é trabalhador. A rua fica movimentada e traz mais segurança pra nós. Nunca vi briga ou apreensão de drogas. De sábado, às vezes, eles aumentam bem o som, mas eu até gosto”, diz.
A perturbação do sossego é um dos grandes problemas enfrentados, atualmente, pela polícia na cidade, conforme o comandante do 4.º BPM-I, tenente-coronel Nelson Garcia Filho.
“Por conta da reclamação da vizinhança em relação ao som alto nos bares, acabamos desviando as viaturas que fazem a prevenção criminal para atender esses casos e isso acaba enfraquecendo o efetivo no resto da cidade”, destaca o tenente-coronel.
O secretário da Seplan, Rodrigo Said, reconhece que o som alto é um das principais reclamações entre moradores da cidade e ressalta que a secretaria, com o apoio da Polícia Militar e de outros órgãos públicos como Vigilância Sanitária, Procon e Juizado de Menores, tem intensificado as ações.
“A zona sul acaba registrando mais reclamações por ser um local de intensa movimentação de jovens aos finais de semana, mas frequentemente enviamos equipes para monitorar os estabelecimentos. A população também precisa ter tolerância”, enfatiza Said.
