O peixe foi o rei dos pratos nesta Semana Santa, e com a proximidade do domingo de Páscoa, muitos preparam aquela receita especial com vários tipos de pescado. Entretanto, é preciso tomar alguns cuidados com a carne para que o sabor irresistível do prato típico da época não se transforme em armadilha na mesa.
Segundo o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), nessa época do ano há um aumento de até 40% no número de casos de ingestão acidental de espinha de peixe. A intoxicação é outro fator de risco.
Como as espinhas normalmente são fininhas, as pessoas as ingerem sem perceber. Em grande parte dos casos as espinhas são eliminadas nas fezes. Entretanto, dependendo do formato e do tamanho, pode haver ferimentos na região da garganta e até perfuração do esôfago, isso se o diagnóstico e a remoção não forem feitos com urgência.
Os sintomas são salivação excessiva, dificuldades para engolir, dor e desconforto. De acordo com dados da Secretaria da Saúde de São Paulo, quando ocorre a perfuração, o paciente pode ter falta de ar, dor torácica e febre. Já a conduta cirúrgica é necessária em menos de 1% dos casos.
Para o diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Sabbag, os adultos são os que mais sofrem com o problema, porque as mães têm o cuidado de separar as espinhas dos peixes para as crianças.
Intoxicação
Com o calor e a falta de cuidados desde a compra até o preparo, os peixes podem ser fontes de intoxicação alimentar e, segundo Sabbag, causar desconfortos como diarreia, dor abdominal, vômito e, em casos mais graves, desidratação.
Por ser uma carne de fácil deterioração e ter forte odor, os peixes podem atrair moscas, principalmente as varejeiras, principais agentes de danos nas carnes. Portanto, é importante atentar para o manuseio e armazenamento correto deste alimento.
Na hora da compra, a dica é escolher os congelados sem cristais de gelo. Isso mostra que o peixe não foi descongelado, o que garante seu bom estado e manutenção dos nutrientes. Depois do preparo, o melhor é levar à mesa somente a quantidade necessária para a refeição. O restante deve ser resfriado rapidamente e levado à geladeira.
‘É possível aliviar a culpa de comer muito chocolate na Páscoa’, afirma nutricionista
Para quem não resiste e se entrega às delícias dos ovos de chocolate nesta época do ano, a nutricionista Eliane Petean Arena elaborou uma tática de compensação que promete evitar a intoxicação e até os possíveis quilinhos a mais.
Logo pela manhã do domingo de Páscoa, a dica é tomar um chá desintoxicante. Para ele, basta ferver 200 ml de água, desligar o fogo, acrescentar uma colher (de sopa) de chá verde e a mesma medida de salsaparrilha e dente de leão. Após 15 minutos, basta coar e beber.
Antes do almoço, vale tomar um suco desintoxicante feito com limão, abacaxi ou acerola acompanhado de pepino, mamão, maça e hortelã.
No almoço, a pessoa pode comer o tradicional bacalhau ou o churrasco, mas deve se fartar de folhas verdes claras e escuras. Eu recomendo um prato de sopa bem cheio desses vegetais. Depois de tudo, é bom comer uma maçã, que ajuda a eliminar gorduras”.
A nutricionista recomenda comer o ovo de chocolate durante à tarde. E, se abusar no almoço e nos doces, a dica é deixar verduras e legumes para o jantar. Antes de dormir, Eliane recomenda um chá de carqueja para quem quer manter a forma mesmo comendo bastante doce.
Vale lembrar que não se deve exagerar no azeite do bacalhau, por ser muito calórico. Outra dica fundamental é comer maçã durante o dia. Ela limpa o organismo de toxinas e gorduras”, aconselha a nutricionista.