Polícia

Preso da ?saidinha? é morto no Jaraguá

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Um pedaço de tijolo, outro de madeira pontiaguda, um cobertor e poças de sangue no quarto. Este foi o cenário deixado por dois homens que puseram fim à história de Sérgio Valério de Moraes, 39 anos, um presidiário contemplado com a ‘saidinha’ de Páscoa. Ele foi morto com mais de 20 golpes de madeira pontiaguda ou faca (que não foi encontrada), no início da manhã de ontem, na quadra 10 da rua Jeso Contijo de Moraes, Parque Jaraguá.

O assassinato chocou a família da amásia do preso, que foi morto usando a tornozeleira eletrônica de monitoramento. Para Iara dos Santos, 61 anos, companheira da vítima, os criminosos entraram na casa dela com a convicção de matar Moraes. “A fechadura da porta da sala foi arrancada. Nós estávamos dormindo em um dos quartos. No outro estava meu filho e minha nora e na sala estava outro filho meu com a namorada. Ninguém ouviu nada.”

Segundo ela, os homens entraram armados de revólveres e ordenaram que todos ficassem deitados com o rosto no travesseiro. “Meu filho, (M.R.S.) de 32 anos, que dormia na sala foi ferido na perna porque tentou reagir. Ele ficou com medo que a dupla entrasse no quarto e me matasse. A namorada dele também sofreu ferimentos na perna. Mas, eles (assassinos) procuravam pelo Sérgio. Entraram no quarto e ordenaram que ele se ajoelhasse no chão, mas ele nem chegou a se ajoelhar, porque eles começaram a agredir ele até a morte.”

A dupla só falou com os moradores para dar ordens e não discutiu com a vítima. “Não deu nem tempo. Eu tentei defender o Sérgio e também levei pauladas na cabeça. Eles mataram e fugiram sem muito barulho. Tanto que os vizinhos nem ouviram”, comenta a testemunha.

Uma das vizinhas, que preferiu não se identificar, confirma a versão de Iara. “Não ouvimos nada. Eu tomo remédio e meu sono é pesado. Estamos todos muito assustados.” A ação dos criminosos não durou mais do que cinco minutos, avalia a testemunha. “Eles foram muito rápidos na ação. Deixaram um rastro de dor e de medo. Minha família está traumatizada com a situação.”


Caminho tortuoso


Sérgio Valério de Moraes saiu da Penitenciária II de Bauru na última quinta-feira pela manhã. Chegou na casa de sua amásia por volta das 10h, conforme relata Iara dos Santos. “Voltamos para a penitenciária porque a tornozeleira dele estava apitando. Ele ficou com medo que suspendessem o benefício. Depois, passamos no supermercado e viemos para casa.”

No período da tarde, o presidiário teria ficado na frente da casa da amásia. “Ele ficou sentado ali fora, até antes do prazo de recolher. Ficamos assistindo televisão e formos dormir. Por volta das 6h30 fomos despertados com os dois homens armados.”

A liberdade temporária de Sérgio durou pouco menos de 24 horas, lamenta a amásia. “Hoje (sexta-feira) já tínhamos combinado de ir a um culto. Ele não viveu, porque desde os 22 anos estava preso. Os homens (que o mataram) usavam capuzes para não serem identificados. O Sérgio não falou nada que estava sendo ameaçado.”

 

Vítima tinha ficha criminal com dois homicídios

O “currículo” de criminalidade da vítima, Sérgio Valério de Moraes, 39 anos, é pesado. Morador de Mogi das Cruzes, sua amásia, Iara dos Santos, não soube precisar o endereço, uma vez que não se relacionava com a família dele. Segundo ela, Moraes respondia por dois homicídios e um roubo.

“Ele estava preso por homicídio e numa saidinha, em 2005, matou um homem que havia me espancado e me ameaçado”, lembra a amásia. Segundo ela, desde os 22 anos de idade Moraes estava preso.

Segundo a equipe da Polícia Militar (PM) que atendeu o caso, Sérgio Moraes cometeu o primeiro homicídio e, enquanto cumpria a pena, cometeu o segundo. Atualmente ele cumpria pena de 18 anos por homicídio e roubo.

Segundo a Polícia Civil, o caso será investigado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG). A primeira suspeita é de que ele tenha sido morto por vingança, possivelmente provocada por amigos ou familiares de suas vítimas. Outras hipóteses também serão alvo de investigação.

Comentários

Comentários