Belo Horizonte - Cerca de 1.000 pessoas, segundo a Polícia Militar de Minas Gerais, compareceram na manhã de ontem ao bairro Bonfim, na região noroeste de Belo Horizonte, para receber um pacote com peixes para o almoço do dia.
A caridade do comerciante Afonso Brade Teixeira, 59 anos, virou tradição na Semana Santa em BH. Há 21 anos ele repete o gesto.
Todo ano, pessoas pobres começam a formar a fila ainda no dia anterior. As primeiras mulheres da fila deste ano chegaram no começo da tarde de quinta-feira.
A Polícia Militar e a Guarda Municipal cuidam da segurança. Com ajuda de voluntários, são distribuídos dois quilos de peixe, como sardinha e cavalinha.
Teixeira acompanha e não fala sobre a quantidade de peixes que distribui nem diz quanto investe na ação.
O comerciante diz que essas revelações tirariam o sentido da caridade que faz e que aprendeu com o avô, quando ainda era criança na área rural de Moeda (62 km de BH).
“Meu avô distribuía de graça o leite que produzia na Sexta-Feira Santa. Vim para Belo Horizonte em 1968, trabalhei com o comércio de peixes, e, na Semana Santa, muita gente me pedia peixe de graça. Decidi então fazer a distribuição, como a caridade que fazia meu avô”, diz.
Vinte e um anos já se passaram desde a primeira distribuição do peixe. “A satisfação dessas pessoas é minha satisfação”, diz Teixeira, que, a cada ano, renova esse sentimento e diz que enquanto puder e tiver saúde, continuará repetindo o gesto.