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Pais tentam manter tradição na Páscoa

Folhapress
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São Paulo - Coelhinhos feitos de feltro, tiaras com grandes orelhas, caminhos de pequenas patinhas e rastro de cenouras serão o cenário que a pequena Liz, de 3 anos, encontrará na manhã de Páscoa ao acordar. A mãe da menina começou os primeiros preparativos alguns dias antes assim como muitos pais que tentam manter as brincadeiras e caça aos ovos como parte da celebração da data.

“Não quero que ela ache que a Páscoa é apenas o momento em que se troca chocolates. Quero que ela possa viver o mundo da fantasia e mostrar o real significado da data, a ideia de renascimento”, diz a atriz Talitha Pereira, 28 anos, mãe de Liz. “Ela até me ajudou a fazer algumas decorações para atrair o coelho, como cenourinhas e frutinhas”, completa.

Essa será a primeira Páscoa em que a garota vai ter esse tipo de brincadeira. Até o ano passado, Lis não comia chocolate e a data foi comemorada com um grande coelho de pelúcia feito pela própria mãe. Nesse ano, as marcas das patinhas e os coelhos feitos de feltro e palha indicarão onde ela encontrará a cesta com o ovo e os docinhos preparados.

A pedagoga Claudia Pereira Freire, 44 anos, já monta a caça aos ovos de Páscoa há 14 anos. A brincadeira começou com o filho mais velho e hoje se mantém com a pequena Elis, 8 anos. “Eu participo só pra ajudar ela”, garante o irmão mais velho, Lucas.  

“A brincadeira começa no quarto dela sempre com um bilhete para que acorde o irmão e vá até a caixa do correio. Depois eles passam a seguir várias pistas, que incluem os bilhetes e pegadas do coelhinho feitas com chocolate em pó”, conta Claudia. “Algumas dicas levam apenas a mais pistas, mas outras levam aos ovos que eles darão aos avós e padrinhos. Tem até ovo de galinha no meio da brincadeira. Os ovos de Páscoa dos dois são sempre o encerramento das dicas e da caçada”, completa. “O ruim é que sobra pra gente limpar tudo”, lamenta Lucas.

Na casa da designer gráfica Ivana Cubas, 39 anos, a preparação começa dias antes, quando suas três filhas separam ovos de galinhas vazios, pintam e preparam um local especial para deixá-los a espera do coelho, que representa o mensageiro do renascimento. Os ovos decorados misteriosamente somem, mas reaparecem escondidos pela casa na manhã de Páscoa, recheados com balinhas, castanhas, frutas secas e chocolates.

“Minhas filhas ganham os ovos de chocolate dos avós e outros parentes, não do coelho. Assim separo o lado comercial da data e tento mostrar a elas a verdadeira essência da Páscoa, contanto histórias que falam sobre a celebração da vida a partir desse ritual familiar”, conta Ivana.

Para o professor Jorge Claudio Ribeiro, do departamento de Ciência da Religião da PUC, as brincadeiras são uma forma de mostrar às crianças que a Páscoa não é apenas uma data de coelhos e chocolate. “A Páscoa é uma espécie de cacho de símbolos. Não é uma coisa só. É a ressurreição no cristianismo, é a mudança do inverno para a primavera no hemisfério norte. É a renovação.”

“O ritual tem que resgatar a tradição sem modificar o significado, porque corremos o risco das crianças gostar do ovo de chocolate por ele mesmo, mas não saber o significado real do rito. E dessa forma o mito fica deturpado”, completa a professora de antropologia teológica da PUC-Campinas Ivenise Santinon.

A psicóloga Rosely Sayão também vê de forma positiva as brincadeiras em torno da Páscoa. “Tudo que é lúdico é legal, mas só será bom pra criança se é bom pra família. Se a família quiser isso como uma coisa não natural, forçada, pra criança, não vai fazer diferença. Por isso, não há regras. É uma brincadeira que vai mudando de família pra família”, afirma.

Brasília lidera consumo de chocolate

Os moradores de Brasília são os maiores consumidores de chocolate no Brasil. De acordo com pesquisa do Ibope Media, 73% dos consumidores da capital federal declararam que comeram o alimento na última semana (veja quadro).

 O segundo lugar ficou com os consumidores de Recife, São Paulo e Salvador, empatados com 71%. Em véspera de Páscoa, o levantamento também mostrou que os cariocas são os que menos ingerem chocolate. Dos entrevistados, 60% afirmaram ter comido o produto nos últimos sete dias. As mulheres respondem por 55% do consumo do doce no Brasil e os homens representam 45%.

O levantamento foi realizado com a participação de 20.736 pessoas, moradores das regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Belo Horizonte, Fortaleza e Brasília, além de cidades do Interior do Sul e do Sudeste.

 

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