Bairros

DIG investiga ação de quadrilha em casos de sequestro-relâmpago

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Um crime sem rastro. A Polícia Civil, por intermédio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru, tem quebrado a cabeça para juntar as peças da modalidade de roubo denominada sequestro-relâmpago, que se tornou banal em Bauru. O delegado titular da DIG, Kleber Granja, cita que há dificuldade porque o interesse do criminoso é no dinheiro vivo e objetos que possam rapidamente ser transformados em dinheiro. Granja cita que, geralmente, as vítimas têm dificuldade no reconhecimento dos criminosos. 

 

As investigações da DIG apontam que alguns sequestros-relâmpago podem ser de autoria de duas quadrilhas presas recentemente. O delegado acrescenta que esses criminosos agem em roubos a residências e estabelecimentos comerciais. “Alguns casos nós conseguimos até determinar, pelo modus operandi e pelas características do autor, fatos relacionados com essas duas quadrilhas”, adianta Granja.

 

O delegado da DIG prefere não dar a identificação dos respectivos “chefes” de ambas para não atrapalhar as investigações que possam apontá-los como autores de sequestro-relâmpago. Ele salienta que apenas um dos grupos criminosos é responsável por 18 roubos praticados em Bauru. 

 

O delegado diz que a grande dificuldade para deslanchar as investigações desse tipo de crime é fechar o foco nas circunstâncias relatadas pelas vítimas. O obstáculo maior ainda é o reconhecimento dos criminosos. Segundo Granja, essa modalidade de roubo, com a retenção da vítima por algum tempo, não deixa vestígios. 

 

“A investigação envolve várias diligências. Muitas vezes, a gente fica na dúvida da autoria porque a vítima não consegue reconhecer de forma definitiva o autor ou a gente não consegue materialidade para vincular o criminoso ao crime, porque o produto do crime é muito volátil”, ressalta.

 

O delegado solicita que quem tiver informações que possam colaborar em algum caso, que leve ao conhecimento da DIG.

 

 

 

Fábrica de dinheiro

 

Os recorrentes casos de sequestro-relâmpago em Bauru demonstram que o interesse é pelo dinheiro. A forma de agir dos criminosos atraiu a atenção da DIG. Em cinco desses casos, os criminosos lucraram R$ 1.446,

em dinheiro, além de outros pertences das vítimas. 

 

A abordagem da vítima segue um roteiro já conhecido. O bandido entra no carro, se acomoda no banco traseiro, faz ameaças com uma arma e manda a pessoa seguir para uma agência bancária para sacar dinheiro no caixa eletrônico. 

 

Na parte final da abordagem, o criminoso roda de carro por algum tempo com a vítima, que acaba sendo abandonada em algum lugar de pouca movimentação, sem seu veículo, celular e pertences com valor de troca. Na sequência, o marginal se desfaz do automóvel, que seria um bem que exigiria tempo para ser transformado em dinheiro.

 

Foi assim que um homem, que teve sua identidade preservada pela polícia, foi abordado no início da madrugada de domingo, na quadra 11 da avenida Getúlio Vargas. Neste caso, cinco desconhecidos praticaram o sequestro-relâmpago. 

 

Conforme a versão registrada pela vítima no boletim de ocorrência (BO), ele estaria em um bar na avenida e foi abordado no momento em que ia buscar seu carro, estacionado próximo ao local. Confirmando a dificuldade que as vítimas demonstram no reconhecimento dos criminosos, a vítima relatou que o grupo exigiu que ele permanecesse de cabeça baixa. 

 

Após certo período andando com o rapaz dentro do veículo, os bandidos amarram suas mãos e seus pés e o abandonaram em uma plantação de laranja. A vítima conseguiu se desvencilhar das amarras e pedir ajuda na estação Val de Palmas, ainda em Bauru. Neste sequestro-relâmpago foram roubados cartões bancários, um celular, R$ 26,

em dinheiro, as chaves da casa da vítima e o controle do portão. O automóvel foi abandonado na zona sul. 

 

Além deste, pelo menos mais quatro casos se caracterizaram como sequestro-relâmpago de janeiro a março. Em apenas uma ação, em março, o alvo dos bandidos foi o veículo. 

 

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