Tribuna do Leitor

O lírico é sobrenatural


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Poesia é casa construída com tijolos feitos de emoção. É emocionante a vida que não é só vida, mas que vive a sobrevida das artes. O artista é um sacerdote da estética: faz religião pura ao religar corações naturais à catarses sobrenaturais!

Sobrenatureza é a natureza da poesia mais natural. O poeta é o mais ousado cientista por examinar mundos ainda inexistentes. A ciência ganha grilhões da razão, ao passo que, a arte, recebe as asas imensas do sentimento. O sentir é o que levanta o artista até a altura de sua obra-prima. A obra de arte não é outra coisa que o coração apaixonado do artista arrancado de seu peito, como em suicídio, e exposto ao mundo, para adoração!

Apreciadores de arte são adoradores do Deus mais belo. O Altíssimo ? se existir ? é um artista, não pelas formas que usou para criar a natureza, mas por ter criado o homem com apenas meio coração. O "eu lírico" é este ser que, por não encontrar pronto no mundo a outra parte de seu coração, procura criá-la nas obras que constrói com sua arte! O mundo não satisfaz o artista, pois o artista não é mundano, mas divino. Os poetas são deuses porque criam mundos à sua imagem e semelhança. A mística da imagem é o que se tenta imprimir na essência de uma obra, como em uma busca desesperada pela expressão da essência da própria alma. O lírico é um espírito dual; sua mão esquerda toca o céu da eternidade enquanto a sua destra mexe a terra da efemeridade!

Wellington Martins, professor universitário (Filosofia) / am.wellington@hotmail.com

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