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Os atuais (maus) hábitos educacionais

Wellington Martins
| Tempo de leitura: 2 min

Tudo o que é recorrente, em nossa vida particular, merece uma atenção mais aguçada que as outras coisas menos comuns. Na vida social também é assim. Aquilo que se repete, que tem uma constância, comumente merece maior atenção. São os hábitos! Que ora amamos, por facilitarem nossa vida, ora odiamos, por nos rotinizar. Mas, ainda assim, sempre estamos em busca de, não só identificar, mas também criar novos hábitos. O filósofo ? professor de Harvard ? Charles Peirce, dizia que "as ciências existem para identificar regularidades no mundo!" (cf). Isto é, fazer ciência é encontrar aquilo que se repete na realidade. Por exemplo: a lei da causa e efeito só é aceita porque todos nós, quer cientistas ou não, vemos essa lei em nosso dia a dia, em nosso cotidiano. Por isso, podemos dizer que é um "hábito" incontestável da realidade vivenciar a afirmativa: para toda ação, uma reação!

A educação - que é um dos fenômenos sociais mais importantes - também pode ser melhor conhecida à partir da utilização da "Teoria dos Hábitos", de Peirce. Podemos, então, propor a seguinte premissa: tudo aquilo que é mais recorrente na educação deve defini-la! Os fatos mais costumeiros de nossas escolas são, em verdade, o que nossa educação é!

Por isso, passemos aos questionamentos. Quais fatos vemos, diariamente, serem noticiados sobre a educação de nosso país? Que ocorrências se tornam recorrências, diariamente, nas escolas de nosso estado? Vemos a grande maioria de nossos alunos municipais chegar a admiráveis objetivos de vida? Ou vemos nossas escolas municipais tendo seus alunos formados, em sua grande maioria, e sendo pessoas/profissionais medíocres ou, às vezes, pessoas esquecidas no anonimato ou, às vezes, pessoas que acabam nas drogas, na violência e no crime? Enfim, perguntemos: são os bons hábitos ou os maus que estão determinando aquilo que é nossa educação?

Para falarmos de Pedagogia ? enquanto ciência da educação ?, o primeiro passo é esse problema do método: precisamos aprender a ?olhar? nossa realidade escolar tal qual ela se apresenta. Precisamos saber desvelar os fatos mais habituais que ocorrem em nossas escolas. É como na meia-democracia: a maioria ainda que não seja o todo, determina-o! Aplicando na educação, dizemos que apesar dos "alunos-milagre", que conseguem sair das escolas públicas e vencerem na vida, temos a grande massa do alunado que, de modo majoritário e recorrente, acaba seu ensino médio e afoga-se nos maus-hábitos de uma vida medíocre (que não permite a esse alunado chegar ao seu melhor enquanto pessoas) ou uma vida criminosa (que permite a esse alunado chegar ao seu pior). O que nós, políticos, empresários, professores etc vamos fazer quanto a esta realidade que se repete diante de nossos olhos, diuturnamente?

O autor, professor Wellington Martins, é docente universitário; mestrando em filosofia ética e política (medievais) pela PUC/SP; graduado em Filosofia (licenciatura) pela USC - am.wellington@hotmail.com


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