Damasco - Enquanto a ONU tentava acelerar o envio de observadores para monitorar o cessar-fogo na Síria, ao menos cinco manifestantes foram mortos ontem em protestos contra o regime do ditador Bashar Assad, segundo ativistas da oposição.
O frágil cessar-fogo que entrou em vigor na manhã de quinta-feira é apenas um dos seis pontos do plano de paz intermediado pelo enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan.
O plano, aceito pelo regime sírio, também garante o direito a manifestações pacíficas, mas esse ponto não foi cumprido pelas forças de segurança ontem, tradicional dia de protestos.
Também não houve a retirada de tropas das cidades, como exige a iniciativa.
Em vários partes do país, opositores do regime saíram às ruas após as orações nas mesquitas e foram reprimidos com tiros e bombas de gás lacrimogêneo.
Após 13 meses de revolta contra Assad e mais de 9.
mortos na repressão do regime, de acordo com a ONU, poucos pareciam crer que a trégua tenha vida longa.
No distrito de Qadam, na capital, Damasco, manifestantes ergueram cartazes com os dizeres: “Bashar pode rir do mundo inteiro, mas não do povo sírio”. O regime voltou a acusar “grupos terroristas” pela violência.
De acordo com a agência de notícias estatal Sana, duas pessoas foram mortas a tiros por rebeldes armados. Os protestos de ontem foram considerados o primeiro grande teste do plano de paz. A continuação das hostilidades, porém, não significa o fracasso do cessar-fogo, disse o porta-voz de Annan, Ahmed Fawzi, que pediu comedimento aos dois lados.
“Sempre que há um cessar-fogo acontecem atritos”, disse à TV Al Jazeera. “Pode ser que as hostilidades continuem por horas ou dias, mas o fato é que os bombardeios pesados foram suspensos”.
Annan pediu ao Conselho de Segurança da ONU que aprove o quanto antes o envio de observadores ao país. A missão teria entre 2
e 25
monitores desarmados.
Fawzi afirmou que o governo sírio aprovou a missão, que apenas espera o sinal verde do CS. Segundo ele, um contingente avançado “entre dez e 12 observadores” está pronto para embarcar.
O porta-voz acrescentou que eles integram missões de paz da ONU na região de países “aceitos pelo regime Assad”, da América do Sul, Ásia e África. Atualmente o Brasil tem cerca de 25
militares na Unifil, a missão de paz da ONU no Líbano.
As articulações para aprovar a missão no CS da ONU esbarravam ontem nas críticas da Rússia ao texto redigido pelos EUA.