Esportes

Paixão sem limites: De pai para filho...para neto

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 4 min

A família de Roberto Pereira da Silva é um exemplo da paixão clubística que atravessa gerações. Desde o avô Roberto, que se apaixonou pelo Alvinegro na “era Pelé”, o amor pelo Santos passou para o filho, Márcio Pereira da Silva, e chegou ao neto de cinco anos, que vive o dias de Neymar, Roberto Pereira da Silva Neto. O Roberto avô conta que se tornou santista influenciado pela magia que Pelé mostrava nos gramados. “Minha família é são-paulina, meu pai, meus irmãos, e saiu eu santista. Tenho 57 anos e é lógico que foi por causa do Pelé”, admite.

 

Ex-gerente e diretor de banco, Roberto trabalhou em diversas cidades, inclusive em Santos, onde teve oportunidade de conhecer e ficar amigo de jogadores do Alvinegro, como Serginho Chulapa, Clodoaldo, Pita, Marcelo Veiga e Paulinho McLaren. Assim, mesmo em uma fase em que o Santos passou por um jejum de títulos e os torcedores eram provocados pelos rivais como “viúvas de Pelé”, não teve dificuldade de passar a paixão pelo Peixe para o filho Márcio. 

 

“Meu filho já tinha uns cinco anos e foi crescendo e vendo a minha amizade com eles (jogadores). Morei no Rio de Janeiro e, quando o Santos jogava lá, eu ia ao hotel e conhecia todo mundo. Meu filho foi vendo tudo isso e foi pegando cada vez mais o gosto pelo Santos”, relata. Em relação ao neto, o trabalho foi ainda menor. O garoto Roberto, filho e neto de santistas, além do nome, herdou a paixão pelo Peixe do avô, o que foi facilitado pela “neymarmania”. 

 

O astro santista é apontado por Roberto como grande responsável pela renovação da torcida alvinegra. “Isso é muito importante. Quando começaram a falar que o Neymar iria embora eu pensei: ‘esse moleque não pode ir embora, ele é que vai salvar o Santos em termos de torcida’. Ele não vai embora, não vai para fora. Pode ir lá com 3

, 34 anos, como foi o Pelé. Acredito que ele fica no Santos mesmo depois da Copa do Mundo”, aposta o torcedor.

 

Roberto relembra um momento marcante em sua paixão pelo Santos: a despedida de Pelé, que acabou não saindo como o esperado. “O Pelé marcou a despedida para o Pacaembu contra o Corinthians. Eu cheguei 9h da manhã, o jogo seria às 16h, e o estádio estava lotado, gente em cima dos prédios, lotado. Começa o jogo e aos 15 minutos o Pelé sofre uma distensão. Foi uma frustração. Depois, ele se despediu na Vila”, recorda, bem-humorado. Um time marcante na lembrança de Roberto é a equipe dos anos 7

, pós-Pelé, que tinha Ailton Lira, exímio cobrador de faltas, como armador e que faturou o Campeonato Paulista de 1978, primeiro título após a saída do Rei. “O Ailton Lira era fenomenal, um craque”, elogia.

 

 

 

Reunião

 

Santistas bauruenses se reuniram, ontem, para celebrar sua paixão sem limites pelo Alvinegro mais famoso do mundo no centenário do clube. Entre eles, Valtinho Derêncio, Ricardo e Neto Toledo, sócios do Santos e que compareceram a todos os jogos do time na Liberadores. Derêncio foi ainda a todas as finais de Paulistão e Brasileirão que o Santos disputou nas décadas de 7

, 8

e 9

. A reunião ainda contou com o vereador Fabiano Mariano e Nilton César Caetano, também fanáticos torcedores alvinegros.

 

 

 

Campeões se reúnem na Vila Belmiro

 

O Santos vai comemorar hoje os 1

anos de glórias e conquistas, com festas na Vila Belmiro e na Praia do Gonzaga. As festividades começam com um jogo de veteranos que vai reunir eternos ídolos santistas, campeões das últimas cinco décadas, a partir das 9h3

, no estádio, na primeira atração em campo das comemorações do centenário.

 

O evento “1

anos de Paz” contará com ex-jogadores até dos anos 5

, como o goleiro Lala, além dos lendários Pepe, Lima, Edu e Abel. Outros ídolos santistas estão confirmados no jogo na Vila Belmiro, passando por Clodoaldo, Pita, Serginho Chulapa até chegar a Alberto, centroavante do time que levantou o título brasileiro de 2

2, na final contra o rival Corinthians.

 

Em seguida, por volta das 11h, também na Vila, haverá uma atração especial, com o jogo de todos os titulares do time atual contra 1

crianças, batizado pelo marketing santista de “Nós contra a rapa”. Depois, a festa vai continuar na Praça das Bandeiras, na Praia do Gonzaga, em frente à Avenida Ana Costa, com a contagem regressiva do centenário santista até que o relógio temático chegue ao zero.

 

Ao zerar a contagem regressiva, haverá queima de fogos e, em seguida, a bateria da Escola de Samba Sangue Jovem abrirá as celebrações no palco montado na areia da praia. A partir das 14h3

, o comando da festa ficará a cargo da dupla sertaneja Chitãozinho & Xororó, assumidos torcedores santistas. Na sequência, vão se apresentar os grupos Coisa de Pele, O Bando e Tempero. O encerramento ficará por conta da Bateria Firmeza Total Torcida Jovem.

 

A diretoria santista também promete eventos para os próximos meses, como parte da agenda de comemoração do centenário de fundação do clube. Uma delas, ainda em fase de estudo de datas e negociações, é a realização de um amistoso contra o Benfica, de Portugal, adversário do Santos na conquista do primeiro título mundial, em 1962. A confirmação vai depender da abertura de datas pela CBF coincidindo com o início da temporada de clubes europeus no meio do ano.

 

Comentários

Comentários