Uma complicação ocorrida durante um parto normal na Maternidade Santa Isabel, em Bauru, causou a quebra da clavícula do bebê. Os familiares de Camila de Fátima Oliveira, 21 anos, entendem que o parto deveria ter sido pelo método cesariano, e condenam a insistência pelo parto normal. A criança nasceu na última terça-feira.
A Maternidade Santa Isabel, por intermédio de sua assessoria de imprensa, alega que a manobra de quebra da clavícula do bebê foi um procedimento necessário para salvar sua vida, que poderia ficar em risco sem oxigenação no cérebro. Ainda segundo o hospital, a cabeça do bebê passou, mas os ombros não, sendo necessário o procedimento que acarretou na quebra da clavícula esquerda.
A unidade hospitalar ainda cita que não foi preciso enfaixar o braço da criança e que a fratura se consolida em alguns dias. Também a mãe estaria bem. Mãe e filha receberam alta no dia seguinte ao parto, após uma pediatra avaliar o bebê.
No entendimento dos familiares de Camila, o atendimento teria colocado em risco a vida da gestante e do bebê. Eles foram orientados a registrar queixa na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). De acordo com Jhonatan Spiri Almendo, 24 anos, esposo de Camila, sua filha, Maria Júlia Spiri Oliveira, nasceu com 51 centímetros e pesando 3,8 quilos. Júlia é a primeira filha de Camila.
Os familiares garantiram que a mãe fez todo acompanhamento pré-natal no posto de saúde, no Parque Vista Alegre. Segundo eles, Camila estava com 41 semanas de gravidez - nono mês - e com parto normal previsto para o último dia 6. Jhonatan comenta que a previsão da médica que acompanhou a gestação era de um parto normal, porém ela não estava apresentando dilatação. De acordo com relato de familiares, ela chegou na maternidade segunda-feira (dia 9) com muitas dores.
Exames
Jhonatan diz que na quinta-feira da semana passada, Camila fez exames na Maternidade Santa Isabel que demonstraram que tudo estava bem com o bebê. Segundo o pai da criança, o exame teria validade de três dias. Na segunda-feira, Camila voltou ao hospital e foi internada às 21h.
Segundo ele, a gestante teria sido medicada e a família informada de que, se houvesse dilatação, o parto seria no dia seguinte e normal. Se não desse até 7 horas da manhã (terça-feira), ela iria fazer cesárea, acrescenta Jhonatan.
Ele diz que o hospital foi adiando o procedimento e, por volta das 12h3
, começou o parto normal, que teria terminado por volta das 12h5
. “Era para ela ter feito cesárea, porque a nenê nasceu com quase quatro quilos. Fazendo o parto normal, ela quebrou a clavícula. Judiaram muito da minha esposa”, reclama Jhonatan.
Ele acrescenta que três enfermeiras atenderam Camila e que teriam tido dificuldades no parto e no momento de dar os pontos na parturiente. “Ela levou mais de 2
pontos. Depois as enfermeiras chamaram o médico, porque não estavam conseguindo dar os pontos nela, conta o marido de Camila.
Questionada pela reportagem do JC, a assessoria de imprensa da Maternidade Santa Isabel informou que o procedimento é considerado normal em casos como o de Camila, e que foi adotado para preservar a vida do bebê.