Depois de passar 1
dias apreendido no pátio da 5ª Ciretran em Bauru, o helicóptero Robinson PT-YII, modelo R44, que chamou a atenção da população do Jardim Terra Branca no dia 3 de abril após, supostamente, ter pousado em um terreno, foi ‘liberado’ na tarde de ontem. Segundo a Polícia Civil, a aeronave apenas foi depositada a um dos proprietários porque precisa passar por manutenção exigida pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
O delegado titular do 1º Distrito Policial (DP), Dinair José da Silva, que cuida do caso junto com o delegado José Dorneles Costa, adjunto e do Setor de Investigações (SIG) do distrito, revelou, que no último dia 1
, dois inspetores de aviação da Anac realizaram vistoria no helicóptero.
“A Anac enviou os inspetores, que constataram inúmeras irregularidades no helicóptero, como por exemplo falta de manutenção no motor, extintor vencido desde 2
8, danos na parte inferior e danos na proteção do rotor, o que pode fazer a aeronave perder o controle. Além disso, desencaparam parte do helicóptero e identificaram o prefixo escondido. A aeronave não passa por manutenção desde 2
8 e concluíram que ela pode contribuir para eventos catastróficos se levantar voo”, disse Dinair.
A agência, então, emitiu um auto de interdição do helicóptero por conta da sua situação precária para voo. Isso significa que a aeronave não pode voar até que esteja totalmente regularizada, bem como os documentos dos proprietários.
Diante disso, a Polícia Civil decidiu emitir um auto de depósito a um dos proprietários, válido por 12
dias. O documento possibilita a retirada da aeronave do pátio onde está apreendida para que todas as manutenções exigidas pela Anac sejam feitas.
“O auto de depósito não permite que o proprietário venda, alugue ou faça qualquer outro trâmite com a aeronave. Ela não está liberada, ainda precisará ser apresentada com tudo o que foi exigido de manutenções. O helicóptero deverá ser transportado por uma carreta e não poderá levantar voo”, destacou o delegado.
Complexidade
Dinair pontua que a complexidade do caso fez com que mais um delegado fosse designado para acompanhar o caso. “Nós ainda estamos procurando o piloto, esperando as documentações atualizadas e o laudo da Polícia Científica. Hoje (ontem) os proprietários apresentaram o documento de propriedade da aeronave, que está sendo atualizado”.
Para que o helicóptero pudesse ser retirado, foi preciso passar ainda pela 5ª Ciretran com o auto de depósito e o auto de interdição da Anac. O JC apurou que o valor cobrado pelas diárias do pátio foi de R$ 8
,
, já que a aeronave ocupou o espaço de quatro automóveis.
Relembre o caso
Conforme o JC divulgou na semana passada, o helicóptero Robinson PT-YII, modelo R44, foi visto por testemunhas pousando em um terreno no cruzamento das ruas Venezuela e Brasil, no Jardim Terra Branca, por volta das 15h3
do dia 3 de abril, em Bauru. Quando a equipe de reportagem chegou ao local, já estava posicionado em cima de uma carreta própria para transporte da aeronave.
Os dois homens que estavam no local e afirmaram ser proprietários do helicóptero disseram ter transportado a aeronave de Paraguaçu Paulista a Bauru e aqui levantariam voo, mas que o piloto teria sentido insegurança e cancelou a missão - que seria tirar fotos aéreas para uma empresa da cidade.
Um deles, possivelmente trabalhador do meio rural e o outro que seria dono de posto de combustíveis, acabaram não conseguindo explicar com clareza o que realmente faziam aqui. A aeronave já não poderia levantar voo de qualquer forma, segundo informações da Aeronáutica, por não possuir prefixo de identificação.
Além disso, não foi pedida autorização de voo e a aeronave está com a licença vencida desde 2
7. A radiopatrulha da PM se empenhou na ação deslocando policiais e viaturas das Bases Comunitárias de Segurança Oeste e Noroeste até o terreno.
O inquérito instaurado pela Polícia Civil tem 3
dias para ser concluído, podendo ser solicitada prorrogação, se necessário.
“Temos que apurar o que ele realmente veio fazer aqui e quais eram essas fotos que ele iria retirar. No julgamento, este caso pode configurar diversos crimes”, destacou o delegado titular do 1º DP, Dinair José da Silva.