Política

Eleição a prefeito pode ficar sem ?nanicos?

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

Bauru tem tradição de contar com um número relativamente amplo de candidatos à Prefeitura. Em 2004, por exemplo, foram oito que disputaram o pleito. Já na última eleição, em 2008, eram seis. Em 2012, porém, apenas três pré-candidatos compõem o cenário eleitoral e, diferentemente das outras ocasiões, nenhum partido do grupo dos ‘nanicos’ demonstrou interesse em tentar tomar o Palácio das Cerejeiras do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB).

 

A maioria das legendas já diz estar comprometida com algum partido maior, visando, não apenas a eleição majoritária, como também a disputa pelas 17 cadeiras da Câmara Municipal a partir de 2013.

 

Dos dirigentes consultados pelo Jornal da Cidade, apenas Cláudio Petroni (PRTB) considera a possibilidade de entrar no pleito. Filiado histórico ao PMDB, ele saiu da legenda no meio do ano passado e assumiu a presidência do nanico PRTB. Para viabilizar sua candidatura, no entanto, ele diz depender do comando estadual do partido. “Uma campanha tem custos e eu preciso de estrutura”, pontua.

 

Os impedimentos, porém, não se restringem ao financiamento de campanha. De acordo com o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o registro da Comissão Provisória do PRTB em Bauru, liderada por Petroni, está vencida desde o dia 3 de abril deste mês. “Estou aguardando a solução”, afirma.

 

Caso a candidatura de Petroni não se viabilize, de fato, o PRTB já tem destino certo: vai apoiar Clodoaldo Gazzetta (PV). Cláudio está disposto a discutir a coligação proporcional com os verdes, que já se comprometeram, nesse sentido, também, com o PSD. No entanto, o dirigente cogita, até mesmo, pedir o posto de vice para o pré-candidato, que está em vias de perder o PPS. Essa proposta, porém, já foi oferecida também ao PTB.

 

União fracassada

Em novembro do ano passado, Cláudio Petroni defendeu, em entrevista ao Jornal da Cidade, a união dos partidos nanicos, mirando a construção de uma candidatura forte à Prefeitura de Bauru. O dirigente chegou a disponibilizar o número de seu telefone celular para estimular o contato de possíveis parceiros.

 

A iniciativa, é claro, fracassou e Petroni atribui essa situação à investida pesada do governo municipal aos pequenos partidos em troca de cargos. No entanto, não são apenas ao PMDB que essas legendas estão se aliando. Como mostrou reportagem do Jornal da Cidade, publicada em novembro de 2011, o baixo número de filiados dificulta que essas legendas alcancem o número mínimo de votos para eleger um vereador, o que as obriga a se coligarem com os grandes, na esperança de conquistar, ao menos, uma cadeira do Legislativo.

 

Onde estão eles?

Alguns partidos pequenos já têm compromissos selados com coligações para as eleições de 2012. É o caso, por exemplo, do PSC. Embora a dirigente Sílvia Azambuja negue o rótulo de ‘nanico’, o partido não tem grande expressividade em âmbito municipal e, há tempos, já é aliado do prefeito Rodrigo Agostinho, inclusive com cargos no governo. Vale lembrar que a esposa do ex-prefeito Izzo Filho, Rosa Izzo, integra os quadros do partido. Em 2008, ela foi candidata à prefeitura pelo PDT.

 

Quem também já está no grupo que vai trabalhar pela reeleição de Agostinho é o recém-criado, PPL (Partido da Pátria Livre). Dirigentes da sigla já participaram, inclusive, de reuniões que discutiram as alianças proporcionais entre os partidos da base governista. A legenda tem raízes no extinto MR-8.

 

Já Clodoaldo Gazzetta (PV) conta com o apoio do PSD e do PRTB, caso Cláudio Petroni não dispute a eleição. No entanto, ainda tem o PHS como dúvida. Desde o início da aliança entre PV e PPS, o PHS decidiu estar junto. Como o segundo está prestes a abraçar o governo, o comando da sigla não sabe se permanece com Gazzetta ou se junta à candidatura de Chiara Ranieri (DEM).

 

Vale ressaltar que, no caso do PSD, o rótulo de ‘nanico’ vale apenas para a realidade local, onde não atraiu nomes tradicionais da política. Com a articulação do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o partido já se tornou a terceira maior força no Congresso Nacional.

 

Quem também tem dúvidas é o comando do PRB, que alega conversar com os três pré-candidatos no cenário pré-eleitoral. O PSDC, por sua vez, está nas mãos de Vitor Antônio Dota. O Jornal da Cidade apurou que a sigla estaria alinhada ao PT de Bauru.

 

PRP e PTN são outros nanicos regularizados no município. PMN, PSDC, PSL e PTN não estão em dia com o TSE, por conta da expiração do prazo de validade das comissões provisórias.

 

À esquerda

Os partidos pequenos ligados à chamada esquerda, PSOL, PSTU e PCO, também não sinalizaram o lançamento de candidaturas próprias para este ano. Em 2008, Márcia Camargo disputou a eleição pelo PSOL, coligada com o PSTU. A socialista recebeu 796 votos e ficou em quinto lugar.

 

Já em 2004, o PSTU lançou Sandro Fernandes (2.083 votos) e o PCO, Maria Cristina Romão da Silva (125 votos). 

 

Não tão à esquerda, José Leme, então pelo PHS, concorreu à Prefeitura de Bauru, mas contou com a confiança de apenas 397 eleitores.

 

Disputa dispersa

Até o momento, apenas PMDB, PV e DEM devem lançar candidaturas próprias à Prefeitura de Bauru em 2012. Até mesmo o PSDB abriu mão da disputa, com a desistência de Elizeu Eclair. Além dele, o ex-prefeito de Agudos, Carlos Octaviani (PP), se lançou pré-candidato, mas também voltou atrás.

 

Em 2008, por exemplo, sem contar os nanicos, o PDT lançou nome de Roza Izzo (PDT), na disputa contra Rodrigo Agostinho (PMDB), Clodoaldo Gazzetta (PV) e Caio Coube (PV). Em 2004, o PDT teve Tuga Angerami, que venceu a eleição contra Caio Coube, Estela Almagro (PT), Luiz Carlos da Costa Valle (PSB), Gazzetta e Antonio Sérgio Marsola, pelo PPS.

 

Neste ano, Rodrigo concentra o apoio de grande parte dos partidos, como PT, PSB, PC do B, PR, PDT, PP, PSC, entre outros. Sem contar as grandes chances de ampliar a aliança com PTB e PPS.

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