Houve um tempo em que as avós ficavam em casa fazendo quitutes para os netos, crochê ou tricô para quando o inverno chegasse. Hoje, a população batizada de ‘melhor idade’, composta por aqueles que já passaram da casa dos 65, quer mais é aproveitar a vida. Eles representam 18 milhões de pessoas no Brasil,12% da população total do País, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo 2
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. Nas cidades de menor porte, esse contingente da população encontra mais qualidade de vida, segurança e independência. No País, cerca de 14% deles vivem sozinhos (veja matéria no jornal Segunda-Feira, que circula junto com o JC amanhã).
No Censo de 2
, o número de idosos era de 14,5 milhões, ou seja, 8% da população total. Em 1991, os integrantes da 3ª idade correspondiam à 7,3% da população. A projeção é que em 2
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o Brasil tenha aproximadamente 63 milhões de habitantes na melhor idade. Se a projeção se concretizar, serão 173 pessoas acima de 6
anos para cada 1
jovens.
O aumento da expectativa de vida provocada pelos avanços na medicina somada à redução da taxa de natalidade fará com que o número de idosos ultrapasse o de jovens. Isso acontecerá porque a média atual de filhos para uma mulher na idade fértil é de 1,9. Em 2
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, essa taxa poderá ser negativa, de -
,
5.
O crescimento desse contingente da população brasileira está sendo observado por diversos segmentos da sociedade. Recentemente, o ministro da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas, declarou que as projeções apontavam que em 2
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as brasileiras teriam 1,8 filhos. Porém, em 2
8 essa taxa foi atingida. Para ele, os números mostram que o Brasil está no meio de uma transição demográfica.
Além do crescimento do número de idosos no País, outro dado divulgado pelo IBGE chama a atenção. O número de brasileiros acima de 6
anos que deu o “grito de independência” e vivem sozinhos. Atualmente, eles somam quase 3 milhões, 14% do total de idosos.
Por opção ou por falta de alternativa, os integrantes da melhor idade querem ter seu espaço e nele mandar, cuidar da própria vida sem a intervenção direta de familiares. Nesses casos, os parentes servem como “porto seguro”, situação semelhante ao adulto independente.
Perder a autonomia não faz parte da vida dos idosos contemporâneos. Para isso, muitos deles contam com apoio financeiro, proventos de aposentadorias e pensões deixadas pelos companheiros. Na nova versão, eles dançam, participam de excursões, passeios, caminhadas, aulas de artesanato, jogos, competições e até voltam a namorar e a viver junto com outra pessoa, desde que a companheira ‘encaixe’ no seu perfil.
É o caso de Félix Castro, 87 anos, que estava viúvo e encontrou Lázara Nogueira de Vicário. O casal vive junto na cidade de Pederneiras. Ele morava na Praia Grande quando ela foi passear lá. “Ela me convenceu a vir morar em Pederneiras. Ela cuida de mim e eu contribuo com as despesas da casa.”
Cleusa Tozato, 66 anos, fez a opção de ter sua própria casa após ficar viúva ao invés de viver com um dos dois filhos. “Eu acredito que iria incomodar meus filhos e meus netos. Eles também me incomodariam. Então, acho que a melhor alternativa é viver no meu espaço.”