Tribuna do Leitor

Sonho e realidade


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Cedendo ao apelo de marketing da fabricante de automóveis, comprei um sedan japonês. Fiquei feliz, pois o carro realmente é ótimo, com o melhor custo/benefício do mercado, confirmando as análises das revistas especializadas. Completo, com três anos de garantia, seguro grátis com carro reserva, tudo perfeito.

Infelizmente, cerca de 3 meses após a compra, fiquei sem combustível na cidade por uma falha no indicador do painel, mas por sorte havia um posto nas proximidades, onde adquiri 2 litros de álcool, o que me daria para chegar, com folga, ao posto mais próximo, a cerca de 2 km e a caminho de minha residência. No entanto, rodando menos de 2 km o carro parou novamente, já na rodovia Marechal Rondon, entre o posto policial e o acesso à av. Getúlio Vargas. Estando em companhia de minha filha, em local potencialmente perigoso e à noite, sabendo que havia combustível suficiente para chegar ao posto, que estava a menos de 1 km, insisti na partida por diversas vezes, até que finalmente o carro pegou e consegui chegar ao posto, abasteci e... tchan... tchan... tchan... tchan...! O dito cujo não deu sinal de vida. Chamei o guincho, fomos para casa e no dia seguinte segui até a concessionária.

O atendimento foi de total compreensão e aceitação de minha atitude, que não poderia ter sido outra, garantindo-me que o problema seria sanado rapidamente, sem custos, pois o motivo fora um defeito do próprio carro, e que durante o período de reparo, estimado em 4 dias úteis, eu teria um carro reserva totalmente grátis. Findo o período, estava novamente com o carro em perfeitas condições, sem maiores transtornos. Aí eu acordei. Acordei para a dura realidade. Na verdade a agência alegou que eu havia provocado o dano e que o conserto estaria fora da garantia e eu teria que arcar com as despesas, inclusive de mão-de-obra da própria concessionária. Sem alternativa, autorizei o pedido d a peça (motor de partida) imediatamente, que me garantiram que chegaria no prazo de 4 dias.
Após 8 dias fui informado que a "peça" havia chegado, com nota fiscal correta, mas que, para surpresa geral, dentro da embalagem havia uma outra peça (um retentor) e que o pedido deveria ser refeito. Para encurtar o assunto, fiquei 15 dias sem o carro, utilizei 7 dias de carro reserva (4 da montadora e 3 de meu seguro particular) e fui obrigado a arcar com mais 7 dias de locação.

Como desgraça pouca é bobagem, ainda tive um pequeno acidente com o carro locado, pelo qual tive que arcar com a despesa de R$ 650,00. Total do prejuízo: quase 3 mil reais, além do estresse causado pelos transtornos e indignação pelo atendimento recebido. Conversando com amigos, posteriormente, fiquei sabendo que essa é uma rotina no pós-venda da maior parte das concessionárias de automóveis no Brasil.

Uma vergonha! No pré-venda tudo é uma maravilha. No pós-venda, se você precisar, um inferno, um jogo de empurra sem fim, uma desorganização total que, com certeza, os fabricantes não admitiriam em seus países de origem, mesmo porque pagariam muito caro por isso. Já no Brasil... Mesmo assim, vou tentar o reparo de meus prejuízos na Justiça, mesmo sabendo que sou o elo mais fraco dessa corrente e que as empresas sempre contam com as deficiências e a morosidade costumeiras, que fazem com que a grande maioria dos consumidores lesados desistam de lutar por seus direitos. E assim, as empresas continuam a deitar e rolar, em total desrespeito aos consumidores...

Luiz Alberto Coradi

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