Educação exige coragem! E formação! É com coragem que os professores da E.E. Ada Cariani Avalone manifestam a sua indignação ao adjetivo atribuído a ela, em reportagem publicada em 12/04/2012, sob o título "Metade das escolas deixa a desejar", assinada pela jornalista Marcele Tonelli. Com igual coragem dizemos: - Não somos contrários a quaisquer avaliações externas! A comunidade escolar e a sociedade têm o direito de saber o que se faz com o dinheiro suado dos seus impostos, e especialmente com a cabeça das nossas crianças e adolescentes. Como admitir que as crianças e adolescentes, alunos do Ada, sejam achincalhados com tal adjetivo? Em relação às notas no Idesp, a própria matéria esclarece que ela é composta pela prova aplicada aos alunos denominada Saresp, mas também um índice de progressão escolar (fluxo).
Fazer uma análise mais profunda das provas aplicadas é impossível nesse espaço, mas devemos destacar que, para efeito de comparação, não é a mesma prova, nem na comparação entre um ano e outro os mesmos alunos. Se comparar os mesmos alunos no caso do Ada, vai se concluir que eles evoluíram entre a 8ª Série EF e o 3ºAno EM, dentro dos conteúdos correspondentes aos anos/séries nos quais foram avaliados, mesmo sem haver atingido a meta proposta. É justamente a complexidade dessa análise que força a Seesp afirmar na própria matéria que é preciso uma análise detalhada para avaliação do quadro do ensino em Bauru. Necessário inclusive avaliar se as metas propostas são exeqüíveis.
Mas o calcanhar de Aquiles está em outro ponto: o Idesp é utilizado também para o pagamento de bonificação aos professores e demais funcionários da escola. Ao considerar também a taxa de aprovação, ou fluxo, ou índice de progressão escolar, temos um cálculo percentual de quantos alunos entraram no ciclo e quantos saíram formados nele. Ou seja, quantos foram aprovados. Assim, quanto maior a reprovação dos alunos ou o abandono escolar, menor vai ser a nota no Idesp, pois este é a multiplicação da nota média dos alunos no Saresp com índice do fluxo. É uma chantagem aos professores, quando reunidos no "Conselho de Classe", para que aprovem os alunos mesmo sem as capacidades, competências e habilidades necessárias àquele ciclo escolar, se esses professores se venderam a idéia de irresponsavelmente desejarem apenas o vil metal do bônus. A aprovação de alunos, sem critérios, não ocorre no Ada Cariani. Essa é nossa parcela de responsabilidade, ao lado do desenvolvimento sério e dedicado das atividades letivas. Mas além das reprovações, nosso índice de fluxo foi diminuído em 13 pontos, em face do abandono escolar.
Quais as motivações desses abandonos? Seriam as condições econômicas das famílias que empurram seus filhos ainda cedo para o mercado de trabalho formal ou informal? Seria fruto da desestruturação familiar, que tira o "norte" dos nossos alunos? Seria a prisão do crack, que grassa a periferia da escola, particularmente à noite na "Academia ao Ar Livre do Bairro"? O texto Constitucional coloca a responsabilidade da educação sobre os ombros do Estado, da Família e da Sociedade. Educação passa por instrução, mas não se resume a ela. Essas responsabilidades podem ser colocadas apenas sobre os professores? Oportuno esse debate que a matéria do JC nos oportuniza. Não desejamos fugir das nossas responsabilidades, e por isso mesmo aceitamos sem medo e sem ódio o debate. Um debate com os argumentos adequados no campo do ensino/aprendizagem, da didática/pedagogia que a nossa formação enseja. Ela é o suporte da nossa formação. Mas que passa também pela afirmação do Prof. Demerval Saviani sobre a qualidade do trabalho docente, onde "a competência técnica pressupõe compromisso político com a educação". Desejamos ver o mesmo compromisso político com a educação dos outros entes sociais que citamos aqui, inclusive do próprio JC, no sentido de manter e divulgar esse debate.
Professores da E. E. Ada Cariani Avalone ? Bauru / Mary Dota ? SP