Internacional

Candidatos fazem megacomícios em passeio público na França


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Paris - A França viu ontem um debate indireto em plena praça pública, no qual o presidente-candidato Nicolas Sarkozy estava a 12 quilômetros de distância do favorito, o socialista François Hollande. Sarkozy armou seu gigantesco palanque na emblemática place de la Concorde, um dos pontos mais conhecidos de Paris. “Tudo que é verdadeiramente francês se mede aqui’’, disparou Sarkozy para um multidão calculada pelos organizadores em 1

mil pessoas, açoitadas por um vento polar em plena primavera do Hemisfério Norte. 

 

Um vento ainda mais gelado batia na esplanada do Chateau de Vincennes, na qual discursou François Hollande, também para 1

mil pessoas, segundo os organizadores (a mídia eletrônica francesa evitou fazer seus próprios cálculos).

 

O presidente enrolou-se na bandeira da França, cujo branco-azul-vermelho inundava a Concorde, não apenas na forma de bandeiras mas também de balões de gás. “A França é o nome de uma civilização’’, disparou Sarkozy.

 

Hollande, no seu canto, enganchou-se na esquerda, com um discurso claramente voltado para pregar o voto útil. O candidato socialista está tecnicamente empatado com o presidente em todas as pesquisas para o primeiro turno, mas vence com alguma folga no segundo turno (teria de 54% a 57% dos votos, conforme diferentes institutos). 

 

O candidato puxou do baú discurso do último presidente socialista, François Mitterrand, pronunciado na campanha de 1981. Nele, Mitterrand dizia ser o único candidato de esquerda em condições de ganhar a eleição - o que de fato aconteceu.

 

Era uma óbvia alusão à estrela ascendente do pleito de 2

12, o candidato da Frente de Esquerda Jean-Luc Mélenchon, que oscila entre 13% e 17% das intenções de voto e disputa o terceiro lugar com a ultra-direitista Marine Le Pen (de 14% a 16%). Não que Sarkozy também não tenha feito seu apelo ao voto útil. Manifestou compreensão com `a dor’’ que faz com que alguns pensem em votar “nos extremistas’’ [leia-se: Le Pen], mas acrescentou que “as soluções extremistas são mentirosas’’.

 

Por mais que pertençam a campos políticos opostos, os dois principais candidatos coincidiram na crítica ao sistema financeiro. Claro que, na Concorde como no Chateau de Vincennes, o encerramento foi ao som da Marselhesa, que, mais que o hino nacional, é um patrimônio da humanidade.

 

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