Tribuna do Leitor

ABRIGOS DE IDOSOS: PESSOAS ESQUECIDAS...


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Poucos dias atrás fiz um levantamento de quantos lares e abrigos de idosos existem na região. Ao mesmo tempo pedi para nossos voluntários, amigos, visitarem alguns destes locais. No dia marcado para a reunião de relatórios das visitas, ao entrar na sala, percebi que estavam tristes. E as falas foram idênticas e o que mais comoveu os visitadores foi o fato que a maioria daquelas pessoas idosas sentia-se abandonada pelos familiares. Fizemos uma pausa em nossa conversa e sentimos um desejo muito forte de rezar, afinal pelo que a Bíblia nos ensina, idosos precisam ser honrados e não abandonados.

Confesso que passei alguns dias triste após aquela reunião e por um momento imaginei quantas pessoas importantes do passado são hoje consideradas esquecidas. Imaginei, por exemplo, aquela professora que se doou por décadas ao magistério, hoje quem sabe aguarde ansiosa por uma visita. Ou aquele operário que trabalhou tanto e sustentou com valentia o seu lar por longos anos, criou seus filhos e hoje espera, em vão, um filho visitá-lo. E a vovó alegre e descontraída que somente no momento de reclinar a cabeça ao travesseiro sente o vazio que ficou entre a última visita da filha querida e mais este momento de solidão. Isto que acontece em nossa cidade é muito triste. Em nossos compromissos procuramos com zelo ampararmos nossas viúvas e órfãos, e a motivação é o amor, mas o fundamento é bíblico.

O apóstolo Tiago disse: A religião que Deus, nosso Pai, aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo (Tiago 1:27). Enquanto escrevia este artigo, me lembrei de que no final da década de setenta, quando foi receber o prêmio Nobel da Paz, Madre Tereza de Calcutá fez menção a uma visita que fizera a um dos mais luxuosos asilos para idosos na América. A beleza e o luxo deixaram-na impressionada. Contudo, algo a impactou mais ainda: os velhinhos ali colocados pelos próprios filhos tinham no rosto uma profunda expressão de tristeza. Ela, intrigada, indagou a si mesma: "Por que tanta tristeza e expressão de dor naquelas pessoas, apesar do conforto material que as rodeava?" De repente, percebeu que todos eles olhavam para uma grande porta. Curiosa, perguntou à sua acompanhante: "Por que todos olham para a mesma porta? E por que não conseguem sorrir?" A responsável pela visita respondeu-lhe: "Eles olham para aquela porta porque esperam ansiosamente a visita dos filhos, e este semblante triste e distante que trazem no rosto é porque se sentem feridos. Acham que foram esquecidos por seus familiares. Infelizmente, de fato, foram esquecidos pelos seus". Você, meu amigo, meu irmão em Cristo, tem alguém esquecido/a em sua família? Que tal uma visita, neste final de semana, visto que o Natal está próximo e quem vai mais ganhar com isto será você, tenha absoluta certeza disso...


João Álvares

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