Jerusalém - A Rússia acusou ontem “forças externas” de tentar sabotar o plano de pacificação da Síria, aumentando as tensões internacionais em torno da missão da ONU encarregada de monitorar o cessar-fogo no país árabe.
Enquanto o primeiro grupo de observadores fazia sua primeira visita de campo, tropas do governo bombardearam focos rebeldes em várias partes do país, deixando 5
mortos, segundo a oposição.
Com a trégua proposta pela ONU dando lugar à rotina sangrenta dos últimos meses, o chanceler russo, Sergei Lavrov, fez duras críticas aos países que têm apoiado os opositores do regime sírio.
Lavrov disse que “forças externas” estão interessadas no fracasso do cessar-fogo.
Sem mencionar nenhum país específico, deixou claro que as críticas tinham como alvo o grupo de “Amigos da Síria”, liderados por potências ocidentais e árabes.
“A comunidade internacional deveria pensar nos interesses do povo sírio, não em suas metas oportunistas”, atacou Lavrov.
Os comentários reforçam as divergências no Conselho de Segurança da ONU, no qual Rússia e China já bloquearam duas tentativas de aplicar sanções à Síria lideradas pelos demais membros permanentes - Estados Unidos, França e Reino Unido.
Sem esconder a descrença no plano da ONU, os “Amigos da Síria” se reuniram na França para discutir o aperto das sanções contra a Síria.
As divergências na ONU significam mais um obstáculo para a missão de observadores aprovada dentro do plano de pacificação intermediado pelo enviado especial, Kofi Annan.
Por enquanto, ela conta só com um grupo avançado de seis militares, entre eles o brasileiro Alexandre Feitosa.
Para chegar ao número de 25
monitores pedido pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, será preciso um consenso no conselho, algo que as críticas da Rússia demonstram estar distante.
Apesar dos seguidos relatos de violência, Ban disse que o cessar-fogo iniciado na última quinta-feira estava sendo “observado em geral”.
Mas admitiu que 25
observadores não serão suficientes, “dada a situação atual e a vastidão do país”.